Dino se diz indignado com supostas sanções dos EUA: “ilegítimo”

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STF

Congresso em Foco

15/9/2026 15:55

O ministro Flávio Dino, do STF, manifestou “surpresa e indignação” nesta terça-feira (15) diante de uma notícia sobre a possibilidade de os Estados Unidos adotarem novas sanções contra integrantes da Corte em razão do julgamento realizado pelo plenário.

Durante a sessão, Dino afirmou que eventual medida contra ministros brasileiros representaria uma “pressão ilegítima” sobre o tribunal de um país soberano e declarou que uma possível sanção não mudaria sua atuação.

A manifestação foi feita a partir de uma reportagem citada pelo próprio ministro. “Para minha surpresa, surpresa e indignação li agora na hora do almoço uma notícia de que os Estados Unidos vão restabelecer sanções a ministro do STF, por conta desse julgamento aqui”, afirmou Dino.

Segundo o ministro, a reportagem mencionava Alexandre de Moraes como alvo e citava os nomes dele próprio e de Gilmar Mendes entre possíveis atingidos por futuras medidas. Dino afirmou considerar grave a possibilidade de uma potência estrangeira aplicar sanções relacionadas à atuação jurisdicional dos integrantes do Supremo.

“Reputo isso como de enorme gravidade jurídica, constitucional, porque é o tribunal supremo de um país soberano”, declarou. Para o ministro, uma eventual tentativa de influenciar o julgamento por meio da ameaça de sanções deveria provocar reação não apenas entre os integrantes do STF.

Dino relacionou sua crítica ao princípio da soberania nacional e também mencionou a reciprocidade nas relações internacionais. Segundo o ministro, não seria comum que instituições brasileiras tentassem interferir ou contestar decisões judiciais tomadas por tribunais de outros países.

Processo: PET 16.662

Relembre

A tensão no STF ganhou força a partir de decisões e investigações ligadas ao caso Banco Master, especialmente quando o ministro André Mendonça tirou o sigilo de relatório da PF que reunia supostos contatos entre Moraes e Vorcaro.

Após isso, em 3 de setembro, Alexandre de Moraes levou ao presidente da Corte, Edson Fachin, uma comunicação com acusações contra o colega e um relatório sem valor probatório .

Moraes afirmou que o colega teria ultrapassado os limites da relatoria ao direcionar investigações, interferir na condução de diligências e incluir como alvos o próprio Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Essa manifestação deu origem à Petição 16.704 , parte do inquérito das fake news, que passou a concentrar parte das acusações.

O conflito se ampliou quando Mendonça determinou o afastamento da cúpula da Polícia Federal e adotou decisões que depois passaram a ser questionadas pela Procuradoria-Geral da República e por outros ministros.

No dia seguinte, Flávio Dino mandou reintegrar Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal e Leandro Almada à Diretoria de Inteligência. Fachin interveio e afirmou que a coexistência de procedimentos relacionados, sob diferentes relatorias, criava um “risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual”.

O presidente do STF passou então a centralizar na Presidência informações relacionadas aos casos e suspendeu as duas liminares. Ao intervir nas decisões conflitantes, afirmou que o STF havia chegado a um quadro de “conflitos e sobreposições processuais” capaz de configurar ” grave lesão à ordem pública e à integridade deste tribunal”.

Fachin determinou sessão extraordinária na próxima terça-feira (15) para analisar pedido da PGR pela nulidade do relatório . Na mesma decisão, o ministro revogou a designação de Moraes para conduzir o chamado inquérito das fake news .

Na noite de quinta-feira (10), a discussão chegou a um novo patamar com a determinação de Fachin que solicitou a retirada do sigilo completo no inquérito sob relatoria de Mendonça, que atendeu ao pedido .

Moraes então enviou ofício ao presidente da Corte para informar a supressão de 180 documentos e requerer a divulgação, o que levou Fachin a estabelecer prazo de 24h para que as peças passem a constar no processo.

No sábado (12), o toma lá, dá cá continua. Gilmar Mendes pediu ao presidente da Corte que determine o fornecimento da cópia integral dos dados extraídos do celular de Vorcaro . Já Fachin começou a responder as peças protocoladas na noite anterior e negou pedido de Moraes para incluir caso contra Mendonça na sessão de terça. Em contrapartida, a petição entra na pauta do dia 23 de setembro.

No domingo (13), a disputa passou a se concentrar também no acesso à íntegra do celular de Vorcaro. A Polícia Federal informou a Fachin que poderia fornecer imediatamente cópias dos dados, o compartilhamento, porém, dependeria de autorização do presidente do STF.

Gilmar Mendes também elevou o tom contra a condução de Mendonça. O decano afirmou que os ministros haviam recebido apenas “recortes de diálogos selecionados” do celular de Vorcaro e que, sem acesso aos dados completos, os integrantes do Plenário ficariam reduzidos à condição de “espectadores do trabalho desenvolvido pelo relator”.

Mendonça se posicionou contra a medida naquele momento. O ministro afirmou que acrescentar às vésperas da sessão informações que ainda não constavam dos autos “somente contribuiria para tumultuar o julgamento” e sustentou que os elementos usados no relatório já estavam integralmente disponíveis aos demais ministros.

Ainda no domingo, Moraes apontou uma nova peça que, segundo ele, permanecia fora do material disponibilizado aos ministros: a Petição 15.645. O ministro pediu a Fachin que retirasse o sigilo do processo e disponibilizasse a íntegra dos autos antes do julgamento da Petição 16.662.

Fachin encaminhou o pedido à PGR para manifestação, que concordou com o pedido. O presidente da Corte determinou nesta segunda-feira (14) a quebra de sigilo solicitada por Moraes, que já foi acatada.

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Fonte: Congresso em Foco

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