Vorcaro afirmou que Celina Leão participou de negociação para compra do Master

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Por Aquiles LinsBrasil 247

247 – O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em conversa privada de abril de 2025, que a atual governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), não havia ficado de fora das tratativas envolvendo a tentativa do Banco de Brasília (BRB) de adquirir o Banco Master. Na ocasião, Celina era vice-governadora e dizia publicamente não ter sido consultada sobre o negócio.

As mensagens foram obtidas pela Folha de S.Paulo e mostram uma conversa entre Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda em 5 de abril de 2025, oito dias depois de o conselho de administração do BRB aprovar a compra de 58% das ações do Master. O material divulgado não contém diálogos diretos entre Vorcaro e Celina nem detalha de que maneira ela teria participado das negociações.

Na conversa, Miranda encaminhou a Vorcaro uma reportagem de O Globo segundo a qual Celina afirmava desconhecer os detalhes da operação e não ter sido consultada. O publicitário avaliou que ela tentava ganhar protagonismo depois de ter ficado de fora do processo.

“A Celina eu conheço MUITO BEM. Ela agora tá querendo aparecer porque ficou de fora da operação”, escreveu Miranda.

Vorcaro contestou essa interpretação.

“Não ficou de fora não. Isso aí é jogo pra se preservar na política”, afirmou o então controlador do Banco Master.

Celina dizia não ter sido consultada

As mensagens foram trocadas horas depois da publicação da reportagem de O Globo que apontava um “mal-estar” dentro do Governo do Distrito Federal provocado pela operação. Segundo o jornal, Celina dizia não ter participado das discussões conduzidas durante o governo de Ibaneis Rocha (MDB).

“Não tenho conhecimento sobre a operação [de compra do Banco Master], não fui consultada, fiquei sabendo pela imprensa”, declarou Celina à época.

Procurada pela Folha nesta segunda-feira (14), a governadora sustentou que as próprias mensagens reforçam sua posição contrária à aquisição do Master pelo BRB. Ela, porém, não explicou por que Vorcaro afirmou que ela não havia ficado de fora da operação e estaria adotando uma estratégia de preservação política.

“As declarações deles comprovam que a governadora Celina Leão sempre foi contra a compra do Master pelo BRB, seis meses antes da deflagração da operação policial que levou à prisão de Daniel Vorcaro”, afirmou a assessoria da governadora.

A nota acrescentou que, logo depois do anúncio do negócio, Celina já havia se manifestado contra a operação.

“A conversa entre terceiros mostra que logo após o anúncio do futuro negócio entre as duas instituições bancárias, em março de 2025, a então vice-governadora, se manifestou contra a operação bancária como registra a matéria do jornal O Globo publicada em 5 de abril de 2025. Na ocasião, a reportagem diz, inclusive, que ela não descartaria ‘a possibilidade de rever a operação assim que assumisse o cargo’.”

Governadora nega vínculos com Vorcaro

Celina assumiu o governo do Distrito Federal em março e disputa a reeleição. Antes disso, era vice de Ibaneis Rocha durante o período em que o BRB avançou na tentativa de aquisição do Master.

A governadora vem reiterando que desconhecia a operação e que não mantinha relação com Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB e atualmente preso.

Durante debate realizado pelo portal Metrópoles no dia 10, Celina utilizou a ausência de seu nome em contatos e mensagens de Vorcaro como argumento para se afastar do escândalo.

“O escândalo do Master é o maior escândalo do Brasil. Envolve gente do Judiciário, gente do Legislativo e pessoas que estão presas, mas com certeza o meu nome não está lá, não constava na agenda de Vorcaro”, afirmou.

“E não constava o meu nome também em diálogos tentando negociar, calar, com algumas assessorias de imprensa. Também não constava. Alguns candidatos aqui, tinha diálogos sobre eles. Mas o meu nome não constava.”

As mensagens reveladas pela Folha, embora não apresentem conversa direta entre os dois, mostram agora que Celina foi citada por Vorcaro quando o banqueiro discutia internamente a reação política à operação.

Operações deixaram prejuízo bilionário no BRB

A tentativa de compra do Banco Master foi precedida pela aquisição, pelo BRB, de carteiras de crédito posteriormente apontadas como falsas. As operações deixaram um prejuízo bilionário na instituição financeira controlada pelo Governo do Distrito Federal.

Investigações da Polícia Federal concluíram que aproximadamente R$ 17 bilhões foram transferidos pelo BRB ao Master. Desse total, cerca de R$ 12,2 bilhões estariam relacionados a títulos sem valor.

O tamanho definitivo do prejuízo ainda não está definido. O BRB não divulga balanços completos desde agosto do ano passado, e a instituição enfrenta risco de intervenção do Banco Central.

Diante da deterioração financeira, o governo do Distrito Federal busca um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões, com garantia da União, para reforçar o banco.

Na semana passada, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, determinou prazo de 15 dias para que o governo federal, o Banco Central e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) se manifestem sobre o pedido.

Fonte: Brasil 247

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