Gilmar Mendes chama afastamento de Andrei Rodrigues de ‘vexame’
Por Laís Gouveia — Brasil 247
247 – O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou nesta terça-feira (15) o afastamento temporário do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e afirmou que a medida submeteu a instituição a um “vexame”. As declarações ocorreram durante o julgamento que analisa atos adotados na investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
Durante a sessão, Gilmar contestou a decisão que retirou temporariamente Rodrigues do comando da PF e comparou a gravidade da providência ao afastamento de autoridades responsáveis por instituições estratégicas.
“Qualquer cidadão que tenha o mínimo de noção do que significa a Polícia Federal, que é um órgão armado submetido à hierarquia, não faria afastamento de um diretor-geral da Polícia. É como afastar o presidente da Nasa ou tirar o comandante do Exército”, declarou.
O ministro afirmou que já previa uma reação dentro do próprio Supremo diante da medida. Para Gilmar, uma decisão dessa dimensão contra o chefe da Polícia Federal exigiria cautela redobrada diante dos efeitos sobre a estrutura e a hierarquia do órgão.
Na sequência, Gilmar endureceu as críticas à iniciativa.
“Sujeito tem que se algemar antes de fazer esse tipo de coisa. Quando ele tiver a tentação, tem que pedir que Deus interceda e não faça”, afirmou.
Ao analisar as consequências institucionais do afastamento, o ministro voltou a questionar a medida e disse que a Polícia Federal foi colocada em uma situação de constrangimento.
“Submeter uma instituição que já vive todos os problemas que tem a este tipo de vexame é de uma falta de emoção, de uma gravidade que eu jamais vi”, disse.
A discussão ocorreu enquanto o plenário examinava a condução dos procedimentos relacionados ao relatório elaborado pela Polícia Federal e decisões divergentes tomadas por integrantes do Supremo no caso envolvendo Moraes.
Antes da manifestação de Gilmar, o presidente do STF, Edson Fachin, havia abordado as decisões conflitantes sobre a situação do diretor-geral da PF. Segundo Fachin, diante da existência de determinações divergentes de ministros da Corte, a Presidência do Supremo não poderia “se imobilizar”.
O episódio passou, assim, a integrar uma discussão mais ampla no plenário sobre os limites das decisões adotadas durante a investigação e sobre a forma como o Supremo deve administrar divergências internas capazes de produzir efeitos diretos sobre o funcionamento da Polícia Federal.
Fonte: Brasil 247