Quaest aponta virada numérica de Flávio sobre Lula e reforça cenário de segundo turno

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Por Dayane PonteTVT News

A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira (14), mantém um quadro de estabilidade na disputa presidencial de primeiro turno, mas também apresenta uma mudança importante na simulação de segundo turno. Pela primeira vez, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente de Lula no confronto direto. Mais informações em TVT News.

No primeiro turno, Lula oscilou de 37% para 36%, enquanto Flávio passou de 29% para 31%. Como as variações estão dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, o cenário é de estabilidade.

A mudança mais expressiva aparece na simulação de segundo turno. Na rodada anterior, divulgada em 7 de setembro, Lula e Flávio estavam empatados, com 43% cada. Agora, Flávio registra 42%, enquanto Lula aparece com 40%. A diferença também está dentro da margem de erro e, portanto, configura empate técnico, apesar da vantagem numérica do candidato da oposição.

O levantamento foi realizado presencialmente entre 10 e 13 de setembro, com 2.004 eleitores de todo o país. Contratada pela Globo, a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03607/2026 e tem nível de confiança de 95%.

Tendência preocupa núcleo do governo Lula

Para Hilton Fernandes e Jairo Pimentel, cientistas políticos do Labop-FESPSP, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, os números isolados precisam ser observados dentro de uma tendência mais longa.

Desde julho, segundo a análise apresentada pelos pesquisadores, Flávio avançou de 37% para 42% nas simulações de segundo turno, enquanto Lula recuou de 45% para 40%. Embora parte das oscilações entre levantamentos esteja dentro da margem de erro, a trajetória acumulada indica redução da vantagem que o presidente mantinha anteriormente.

Fernandes relaciona esse movimento também ao distanciamento de parte do eleitorado do debate político.

“Existe uma apatia, uma descrença na política, impulsionada, entre outros fatores, pela profusão de informações em grande volume e, no ambiente de crise, muitas vezes desconexas. Talvez isso explique o motivo pelo qual denúncias graves não tenham provocado abalos importantes no favoritismo dos candidatos”, explica o cientista político.

Na avaliação dos especialistas, as sucessivas crises institucionais, especialmente as envolvendo o Supremo Tribunal Federal, também têm dificultado a capacidade das campanhas de estabelecer uma agenda própria para a eleição.

Pimentel resume:

“Com a crise no STF, de fato, a gente observa que as campanhas não estão conseguindo impor sua agenda e temas que sejam discutidos pela população, que façam, assim, com que as intenções de voto variem de um lado ou para o outro”.

Aprovação de Lula vira obstáculo para a campanha

Outro sinal de alerta para a tentativa de reeleição está na avaliação do presidente. A Quaest aponta 50% de desaprovação e 43% de aprovação. Quando os entrevistados são questionados, em especial, sobre a avaliação do governo, 32% aprovam a gestão.

Para Fernandes, chama atenção a dificuldade de Lula em melhorar esses indicadores durante a campanha, mesmo depois da adoção de medidas de apelo popular e do aumento da exposição eleitoral.

“Em todas as eleições desde a redemocratização, a imagem e a avaliação de governo durante o período de campanha melhoram, mas isso não está acontecendo com Lula agora”.

Segundo o pesquisador, a avaliação pessoal negativa do presidente pode impor um limite ao efeito eleitoral das realizações do governo.

“Se a avaliação pessoal vai mal, que é o caso do presidente Lula, não adianta falar que ele fez isso ou aquilo, porque o eleitor não vai votar”.

Esse desgaste ajuda a explicar, na avaliação dos especialistas, a dificuldade do presidente em ultrapassar o atual patamar de intenção de voto. Lula aparece com 36% no primeiro turno e, ao mesmo tempo, perdeu a vantagem que possuía sobre Flávio nas simulações de segundo turno.

Modelo ainda aponta Lula como favorito

Apesar da queda nos números, um modelo preditivo desenvolvido por Jairo Pimentel indica que Lula ainda mantém vantagem histórica na disputa.

O modelo utiliza a aprovação de governos como indicador para estimar o desempenho eleitoral de presidentes que buscam a reeleição. Segundo Pimentel, governantes com aproximadamente 32% de avaliação positiva, índice registrado por Lula, venceram cerca de 67% das disputas analisadas.

Quando o cálculo considera apenas a relação entre aprovação e desaprovação — Lula tem 43% de aprovação e 50% de desaprovação —, a probabilidade histórica de vitória fica próxima de 60%.

Combinadas, as duas metodologias apontariam uma probabilidade entre 63% e 64% de vitória, mantendo Lula como favorito no modelo histórico, mesmo diante do avanço de Flávio Bolsonaro.

A projeção, no entanto, não representa uma previsão definitiva do resultado da eleição. Ela indica como candidatos em condições semelhantes se comportaram historicamente e convive, neste momento, com um dado concreto das pesquisas: a vantagem de Lula diminuiu e Flávio conseguiu alcançar uma liderança numérica no segundo turno.

Com menos de três semanas para a votação de 4 de outubro, a estabilidade do primeiro turno e o estreitamento da disputa direta reforçam a possibilidade de que a eleição presidencial seja decidida apenas no segundo turno.

Confira a análise completa dos cientistas políticos do Labop-FESPSP:

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Fonte: TVT News

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