Trabalhador brasileiro recupera satisfação com o emprego, mas baixa remuneração lidera queixas, aponta FGV

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Por Guilherme LevoratoBrasil 247

247 – A percepção do trabalhador brasileiro sobre o ambiente ocupacional registrou melhora ao início do segundo semestre, com a maioria absoluta da população ocupada declarando contentamento com sua atividade atual, segundo dados da 15ª edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho da Sondagem de Mercado de Trabalho, divulgados nesta terça-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE).

De acordo com o levantamento, referente ao trimestre encerrado em agosto de 2026, 78,1% dos entrevistados afirmaram estar satisfeitos ou muito satisfeitos com o trabalho atual. O resultado marca uma trajetória de recuperação observada nos últimos dois meses, interrompendo uma sequência prévia de quatro quedas consecutivas e ampliando a distância positiva em relação ao mesmo período do ano anterior. Em contrapartida, o contingente de trabalhadores que se declararam insatisfeitos ou muito insatisfeitos permaneceu relativamente estável, situando-se em 7,5%.

Entre o grupo de profissionais que manifestou algum grau de insatisfação, os ganhos financeiros figuram como o obstáculo central. A remuneração baixa foi apontada por 52,5% dos insatisfeitos no trimestre findo em agosto. A Sondagem permitiu a escolha de mais de uma opção por participante, resultando em uma soma superior a 100%. Além do fator salarial, as demais razões de maior relevância citadas foram a carga horária elevada, presente em 20,2% das respostas, e os problemas relacionados à saúde mental, apontados por 13,8% dos entrevistados.

Em análise sobre os dados, o superintendente adjunto do FGV IBRE, Rodolpho Tobler, destacou o comportamento de resiliência do setor produtivo no país. “Depois de uma sequência negativa, a percepção sobre a satisfação com o trabalho voltou a subir nos dois últimos meses, iniciando o segundo semestre em uma trajetória mais favorável, aumentando a distância em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse resultado reforça a sinalização sobre o mercado de trabalho atual, que mesmo com alguma desaceleração, ainda se mantém resiliente. Considerando que a economia brasileira tem dado indícios de redução do ritmo de crescimento, é natural que os dados sobre mercado de trabalho também caminhem nessa direção, mas ainda se mantendo em patamar positivo em termos históricos”, avaliou o especialista.

Os Indicadores de Qualidade do Trabalho do FGV IBRE são divulgados mensalmente com base em médias móveis trimestrais, utilizando dados coletados pela Sondagem de Mercado de Trabalho (SMT) junto à população brasileira em idade de trabalhar, abrangendo todo o território nacional.

A sondagem capta percepções divididas em seis eixos temáticos: satisfação com o trabalho; chance de perder o emprego e/ou fonte de renda; proteção social; renda suficiente; percepção geral sobre o mercado de trabalho; e expectativa para o mercado de trabalho nos seis meses subsequentes. Como a coleta dessas métricas teve início em julho de 2025, os relatórios periódicos focam no detalhamento técnico e conceitual das variáveis investigadas, antecedendo séries de séries históricas mais longas.

Fonte: Brasil 247

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