Quaest: 56% dos brasileiros não confiam no STF
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – A parcela dos brasileiros que afirma não confiar no Supremo Tribunal Federal (STF) chegou a 56% em setembro, dez pontos percentuais acima dos 46% registrados em agosto. Ao mesmo tempo, apenas 9% dos entrevistados dizem confiar muito na Corte, metade do percentual verificado no levantamento anterior.
Os dados são da pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (14), contratada pelo jornal O Globo e pela TV Globo. O levantamento foi realizado em meio à crise no Supremo e ao embate entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.
Além dos 56% que afirmam não confiar no STF, 30% dizem confiar pouco na instituição. Em agosto, 33% estavam nesse grupo. A transformação mais expressiva, além do crescimento da desconfiança, ocorreu entre aqueles que manifestam o grau mais elevado de confiança: eram 18% há um mês e agora são 9%.
Os dados revelam que a deterioração da percepção sobre o Supremo atingiu diferentes segmentos do eleitorado, embora com intensidades distintas de acordo com a identificação política dos entrevistados.
Confiança elevada despenca entre lulistas
Entre os entrevistados identificados como lulistas, a parcela que afirma não confiar no Supremo passou de 27% em agosto para 30% em setembro.
A alteração mais significativa nesse grupo, porém, ocorreu entre aqueles que dizem confiar muito na Corte. O índice caiu de 41% para 23% em apenas um mês, uma redução de 18 pontos percentuais.
O resultado mostra que a perda de confiança no Supremo também alcançou um segmento do eleitorado que apresentava uma avaliação significativamente mais positiva da instituição.
Desconfiança dispara entre independentes
O avanço foi ainda mais acentuado entre os brasileiros que se definem como independentes.
Nesse segmento, 65% agora afirmam não confiar no STF. Em agosto, eram 50%. A alta de 15 pontos percentuais supera, portanto, o crescimento de dez pontos observado no conjunto dos entrevistados.
O resultado entre os independentes reforça que a deterioração da confiança na Corte não está limitada aos grupos diretamente identificados com os principais polos da disputa política nacional.
Entre bolsonaristas, rejeição ao STF recua
A trajetória é diferente entre os entrevistados que se definem como bolsonaristas. Embora a desconfiança continue elevada nesse segmento, o percentual dos que afirmam não confiar no Supremo caiu de 73% em agosto para 69% em setembro.
A redução é ainda mais significativa quando considerada a evolução do indicador ao longo do ano. Em março, 83% dos bolsonaristas entrevistados declaravam não confiar no STF.
Desde então, houve uma queda de 14 pontos percentuais nesse indicador.
O movimento contrasta com a tendência registrada no conjunto da população. Enquanto a desconfiança geral avançou dez pontos no último mês, o percentual entre os bolsonaristas apresentou nova redução.
Pesquisa é realizada em meio à crise na Corte
O levantamento foi realizado em um momento de forte exposição das divergências internas do Supremo. Os números foram registrados em meio ao embate entre Alexandre de Moraes e André Mendonça.
Os resultados mostram uma rápida deterioração da percepção pública sobre a Corte. No espaço de um mês, a parcela que declara não confiar no STF passou de 46% para 56%, tornando-se majoritária.
Simultaneamente, o percentual dos brasileiros que afirmam confiar muito no Supremo foi reduzido pela metade, passando de 18% para 9%.
As duas variações são significativamente superiores à margem de erro geral do levantamento, de dois pontos percentuais.
A mudança também ocorre em diferentes segmentos políticos. Entre lulistas, embora a parcela que declara diretamente não confiar tenha variado de 27% para 30%, houve uma queda de 18 pontos entre aqueles que afirmam confiar muito no STF.
Entre os independentes, por sua vez, a desconfiança avançou 15 pontos e chegou a 65%.
Quaest ouviu 2.004 pessoas
A Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 10 e 13 de setembro, em municípios de todo o país. A margem de erro geral da pesquisa é de dois pontos percentuais. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-03607/2026.
Fonte: Brasil 247