Haddad diz que nunca teve contato com Vorcaro e relata frustração com atuação de Galípolo no Banco Central

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Por Otávio RossoBrasil 247

247 – O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (14) que nunca teve qualquer contato com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como personagem central do escândalo do Banco Master. O petista também defendeu que os sigilos das investigações sobre o caso sejam derrubados antes das eleições.

As declarações foram dadas em entrevista ao SP1, da TV Globo. Haddad disse que o Judiciário “não pode sonegar informações do cidadão” e sustentou que a sociedade precisa conhecer os detalhes do caso antes de decidir o rumo do país nas urnas.

“Eu nunca recebi o Daniel Vorcaro na minha vida. Nunca estive com ele no mesmo ambiente. Nunca recebi uma mensagem nem um telefonema dele. Nunca o procurei porque a minha equipe já havia alertado que o Daniel Vorcaro era um problema, um problema grave. A gente só não sabia a dimensão do problema. Nós estamos falando da maior fraude bancária do país: R$ 60 bilhões”, declarou Haddad.

Ao responder sobre possíveis impactos eleitorais do escândalo, o candidato tentou vincular Vorcaro a lideranças da direita e citou diretamente o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), seu principal adversário na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.

“Ele [Vorcaro] também não financiou a minha campanha. Ele financiou a campanha do Tarcísio, financiou a campanha do Jair Bolsonaro. Ele tem negócios com três ex-ministros do Bolsonaro: Casa Civil, Ministério das Comunicações e Relações Institucionais”, afirmou.

Segundo a reportagem, em 2022 Vorcaro doou R$ 3 milhões à campanha presidencial de Jair Bolsonaro e R$ 2 milhões à campanha de Tarcísio. Haddad usou esses dados para reforçar a tese de que o caso Master não pode ser tratado como um problema ligado ao PT.

O ex-ministro também atribuiu a origem da crise a falhas de fiscalização durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central. Para Haddad, a ascensão de Vorcaro ocorreu sob a administração do então presidente do BC, indicado por Bolsonaro, enquanto a liquidação e a prisão do ex-banqueiro se deram no governo Lula.

“Tem um problema grave no Banco Central, porque nasceu no Banco Central do Roberto Campos, indicado pelo Jair Bolsonaro, o banqueiro Daniel Vorcaro, e ele foi liquidado e preso na nossa gestão. Então nós fizemos o dever de casa, de tirar de circulação uma pessoa muito grave”, disse.

Haddad defendeu que as investigações sejam tornadas públicas e que eventuais responsabilidades sejam apuradas sem distinção partidária. “A Justiça não pode sonegar informação do cidadão. Abre tudo. Quem tiver que responder, responda. Quem tiver que pagar por alguma coisa, pague, independentemente de partido político”, afirmou.

Na entrevista, o petista também foi questionado sobre economia, dívida pública e condução da política monetária. Ele voltou a criticar o patamar da taxa de juros e disse que a redução da dívida passa necessariamente por uma queda da Selic.

“Os juros não se justificam. O Banco Central é autônomo, mas não se justificam juros de 14% para uma inflação de 4%”, declarou.

Ao comentar a atuação do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, indicado por Lula, Haddad afirmou que os dirigentes da instituição têm mandato e independência após a nomeação. “Depois que você indica, a pessoa tem mandato. Ela faz da cabeça dela”, disse.

Questionado se a escolha de Galípolo representava motivo de arrependimento, Haddad não respondeu nesses termos, mas admitiu frustração com os rumos da política monetária.

“Eu tenho me frustrado com a política monetária. Acho que a política monetária está excessivamente apertada, desnecessariamente”, declarou.

Haddad afirmou ainda respeitar a autonomia formal do Banco Central e disse que suas conversas com integrantes da autoridade monetária se limitam à apresentação de dados e argumentos econômicos. Segundo ele, a manutenção de juros elevados ocorre mesmo diante de sinais de desaceleração da inflação.

Fonte: Brasil 247

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