Brasil projeta reduzir em 50% dependência externa de fertilizantes até 2050
Por Leonardo Sobreira — Brasil 247
247 – O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, projetou nesta segunda-feira (14), que o Brasil está no caminho para reduzir em 50%, até o ano de 2050, sua alta dependência externa em fertilizantes.
Elias Rosa destacou que, por meio da Nova Indústria Brasil (NIB) e da atuação conjunta com o Congresso Nacional, o país avançará no sentido da autossuficiência.
“O Brasil está melhor do que já esteve nesse campo [de fertilizantes]”, disse Elias Rosa, durante o Seminário Brasil Hoje, promovido pelo Esfera Brasil, em São Paulo (SP).
“Hoje temos dependência de fertilizantes importados que vai de 83% a 90% do que consome, o que é um absurdo para esse que é o maior produtor de alimentos do mundo”, disse Elias Rosa. “Desde 2023 temos uma política industrial, e dentro dela a primeira das missões é a agroindústria, que inclui os fertilizantes”, acrescentou.
“Agora o Congresso acaba de legislar e temos uma política nacional de fertilizantes, que quer reduzir nossa dependência de importação realisticamente em 50% até 2050”, disse Elias Rosa, em referência à aprovação, pelo Congresso Nacional, do Profert (Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes).
“Precisamos ser realistas, esse é um campo que existe muito investimento e agregação de tecnologia. O Brasil não será autossuficiente na produção de seus fertilizantes da noite para o dia”, ponderou Elias Rosa.
O ministro também defendeu mais políticas de ampliação de estoques de fertilizantes e diversificação de parcerias comerciais.
“Em cinco anos já conseguimos reduzir, mas mais importante que isso é o Brasil ter de fato uma política capaz de gerir essa crise em potencial. Por exemplo, precisamos de estoques estratégicos de fertilizantes, se não corremos um risco de um rompimento nas cadeias globais de valor e ficarmos sem poder importar”, disse Elias Rosa. “Já temos uma reserva significativa e estamos investindo para ter condição de suprir o mercado para períodos de inter-safra”, acrescentou.
A respeito das relações com o Oriente Médio e a Rússia, principais fornecedores de fertilizantes ao mercado brasileiro, Elias Rosa defendeu a atuação da diplomacia brasileira e alertou contra o isolamento: “precisamos trabalhar sempre, e quem pensa diferente pode ficar mais isolado ainda”.
“Mais que isso, é sobre diversificar parceiros comerciais, daí a relevância dessa diplomacia de neutralidade, sabendo que precisamos nos relacionar politicamente e geopoliticamente com todos os parceiros possíveis, não privilegiando possíveis fornecedores, porque não é possível ficar refém disso”, disse Elias Rosa.
Fonte: Brasil 247