Antes da sessão, a guerra escala: a véspera do veredicto do STF sobre o caso Moraes
Por Victor Fuzeira — Reportagem – PlatôBR

A crise segue escalando no STF. Ao longo do fim de semana, ministros protagonizaram uma verdadeira batalha de ofícios, despachos e cobranças públicas, numa disputa escancarada pelo controle da sessão extraordinária que pode definir o futuro do ministro Alexandre de Moraes na corte. Nesta terça-feira, 15, conforme marcado previamente pelo presidente Edson Fachin, o plenário vai se debruçar sobre a validade de um relatório produzido pela PF (Polícia Federal) a pedido de André Mendonça, que revelou a proximidade de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro e detonou a crise sem precedentes no tribunal.
Um dos movimentos mais importantes desse xadrez nos bastidores ocorreu ainda no sábado, 12, quando Fachin avocou para si a relatoria do caso que envolve Moraes. A decisão, embora pactuada entre os pivôs da hecatombe, reposicionou Fachin no centro da disputa — será ele, e não Mendonça, o responsável por compartilhar as informações do relatório e, possivelmente, por dar o primeiro voto sobre a abertura de uma investigação, retirando de Mendonça o protagonismo no assunto.
A decisão de Fachin de avocar o procedimento ocorreu depois de uma escalada da tensão entre os grupos que se digladiam em meio à crise. Um dia antes, na sexta, 11, o STF viveu uma guerra de ofícios, com troca de acusações frontais entre as partes: Moraes apontou suposta seletividade de Mendonça na quebra de sigilos para proteger um “grupo político”, Mendonça rebateu as críticas, Cristiano Zanin pediu acesso acesso integral ao conteúdo extraído do celular de Vorcaro e Gilmar Mendes propôs o adiamento da sessão. Os movimentos da ala pró-Moraes têm sido interpretados como uma tentativa de “tumultuar” a sessão.
Nos bastidores, ganha força a possibilidade de aliados de Moraes pedirem vista logo no início da sessão, o que permitiria ganhar tempo para uma saída negociada. Em resposta, ministros que devem votar pela abertura de investigação já sinalizam que, se houver pedido de vista, anteciparão seus votos, em um movimento para evitar que, após a enorme expectativa criada, a sessão não acabe de forma vexatória, sem qualquer providência, e deixe o tribunal ainda mais exposto.
Fonte: Reportagem – PlatôBR