Como o dinheiro da prefeitura de SP foi desviado para a produção de “Dark Horse”; entenda

0

Por Emanuela GodoyTVT News

Documentos da Polícia Civil revelam suspeitas no programa da prefeitura de São Paulo de Ricardo Nunes, o “WiFi Livre SP”, que teria tido verba pública desviada para a produção da obra cinematográfica “Dark Horse” sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Leia em TVT News.

>> Polícia Civil investiga fraude e desvio de verbas da prefeitura para produtora de Dark Horse

O relatório da polícia sobre a investigação de desvio de dinheiro público no programa da prefeitura de Nunes de internet gratuita se tornou público após o ministro do STF, Flávio Dino, retirar o sigilo, já que a investigação está ligada ao caso Master.

Entenda o programa “WiFi Livre SP” e como os documentos da Polícia Civil indicam relação com a investigação de “Dark Horse”

A prefeitura de Nunes (MDB) realizou um contrato de R$ 157 milhões com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG ligada à produtora do filme “Dark Horse”. O ICB também é presidido pela empresária Karina Ferreira da Gama, a própria produtora da biografia de Jair Bolsonaro.

O Instituto, que não tinha nenhuma experiência no setor de telecomunicações, subcontratou a empresa Ultra IP para realizar o serviço técnico, isto é, o de instalar e operar as antenas na capital.

A contratação, no entanto, terminou mal, com série de acusações mútuas de desvios e boicotes. O caso foi ao tribunal e está sendo investigado pela Polícia Federal, que tenta compreender se a verba do wi-fi público foi desviada para a obra “Dark Horse” sobre Bolsonaro.

>> Dark Horse: investigação cita possível elo com PCC e aponta suspeitas sobre desvio de recursos públicos

presidente-do-stf-determinou-que-investigacao-do-master-seja-tornada-publica-parte-dos-procedimentos-ligada-ao-dark-horse-permanece-sob-sigilo-foto-g-dettmar-cnj-fabio-rodrigues-pozzebom-agencia-brasil-secretaria-de-secretaria-de-administracao-penitenciaria-sp
Presidente do STF determinou que investigação do Master seja tornada pública; parte dos procedimentos ligada ao Dark Horse permanece sob sigilo. Foto: G. Dettmar/CNJ/Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Secretaria de Secretaria de Administração Penitenciária-SP

Segundo o relatório da Polícia Civil, existem consistentes suspeitas de “confusão patrimonial” e que os recursos públicos do programa “WiFi Livre SP” teriam sido desviados para “custear as atividades de produção do referido filme, utilizando as contas das empresas subcontratadas e das demais organizações sociais geridas pela investigada para a lavagem dos valores desviados do erário de São Paulo”.

Relatório da Polícia Civil de São Paulo identificou “consistentes suspeitas” de que os recursos públicos do programa ‘WiFi Livre SP”, contratado por meio do Instituto Conhecer Brasil (ICB), tenham sido desviados para custear as atividades de produção do filme “Dark Horse” — sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Karina Ferreira da Gama, a produtora da obra “Dark Horse” está no centro da investigação. Ela seria a principal articuladora entre as entidades e empresas que estão na investigação.

Entre as irregularidades: contrato inflacionado. Valor inicial era de quase R$ 50 milhões a menos

Inicialmente, em junho de 2024, o valor estipulado pela prefeitura para o programa de wi-fi gratuito era de R$ 108 milhões para 12 meses e com 5000 antenas de internet gratuitas. Esse valor, no entanto, teve um acréscimo de quase R$ 50 milhões.

Em dezembro de 2025, um termo aditivo elevou o valor para a faixa dos R$ 157 milhões e estendeu o prazo do contrato até o final de 2026.

O inquérito da Polícia Civil mostra que parte dos repasses da prefeitura ao instituto de Karina da Gama, produtora de “Dark Horse”, foram entregues à Academia Nacional de Cultura, outra entidade sem fins lucrativos ligada justamente à Karina, formando, assim, um esquema de triangulação financeira.

No total, a polícia revelou que o Tribunal de Contas de São Paulo indicou ao menos 20 irregularidades no edital público do programa de wi-fi de Ricardo Nunes.

As principais violações estariam ligadas ao fato de que o edital utilizou critérios tidos como genériocos para a escolha de uma ONG sem experiência no setor.

Valor cobrado pelo instituto da produtora de “Dark Horse” para pontos de wi-fi era quase oito vezes maior que o de uma empresa municipal

Outro fator, seria justamente a inflação dos custos para o fornecimento de wi-fi gratuito.

A Polícia Civil apontou uma disparidade de custos, isso porque enquanto a empresa pública municipal Prodam cobrava do município R$ 230 para cada ponto de internet e R$ 306 para a manutenção no mês, o contrato de Karina cobrava o R$ 1800 por ponto. O valor cobrado era quase oito vezes maior.

A estimativa do prejuízo financeiro ao longo dos meses estima o enriquecimento indevido do ICB de R$ 26 milhões, em junho, que agora atualizada já chegou em R$ 27 milhões.

Além disso, a polícia apontou uma fraude nas notas fiscais. Faturas emitidas em sequeência numérica imediata, com mesma data e prazos idênticos de vencimento e sem comprovação de serviço foram levantados pelos agentes da Polícia Civil.

A empresa subcontratada, Complexys Soluções Ltda também cancelou uma nota fiscal de R$ 2 milhões no sistema da prefeitura no mesmo dia da emissão.

The post Como o dinheiro da prefeitura de SP foi desviado para a produção de “Dark Horse”; entenda appeared first on TVT News.

Fonte: TVT News

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *