Turismo de base comunitária ainda enfrenta desafio de medir impacto, mostra relatório da Vivalá

0

umsoplaneta

img-9713.webp
Em dez anos de operação, a Vivalá , negócio social de turismo sustentável , movimentou R$ 8,5 milhões em economias locais por meio de suas expedições, segundo o primeiro Relatório de Impacto da empresa, referente ao exercício de 2025. Mais do que reunir os resultados acumulados desde 2015, o documento expõe um desafio que vai além da própria empresa: como medir, de forma consistente, os efeitos econômicos, sociais e ambientais do turismo de base comunitária no Brasil.
A Vivalá afirma que, até 2025, não tinha um processo padronizado para mensurar seus resultados socioambientais. A estruturação da metodologia começou internamente alguns anos antes, mas foi formalizada no último exercício, com a criação de um comitê multidisciplinar responsável por organizar, revisar e padronizar indicadores.
“Lançar nosso primeiro relatório de impacto é um grande marco para a Vivalá e faz parte da nossa estratégia de seguir aumentando a geração, mensuração e divulgação do impacto das nossas operações de turismo sustentável no Brasil. Com isso, queremos incentivar o mercado, fazendo com que outras empresas do setor façam o mesmo e o turismo brasileiro como um todo possa evoluir”, afirma Daniel Cabrera, cofundador e diretor executivo da Vivalá.
Medir impacto em territórios diversos
A dificuldade de mensuração está ligada também à diversidade dos locais onde a empresa atua. A Vivalá está presente em 26 unidades de conservação e territórios indígenas, distribuídos por seis biomas brasileiros — Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e litoral marinho —, além de uma operação no Pampa.
Segundo o relatório, essa diversidade aumenta a complexidade operacional e exige adaptações às características de cada território, incluindo questões relacionadas à conservação, capacidade de carga, infraestrutura e dinâmica sociocultural.
A atuação em áreas ambientalmente sensíveis também amplia a responsabilidade sobre as operações. Os territórios indígenas atendidos, por exemplo, correspondem a 23% das unidades de conservação em que a Vivalá atua, de acordo com o documento.
Mas a própria mensuração dos resultados ainda tem limitações. Parte dos indicadores financeiros apresentados pela empresa, como o impacto econômico indireto gerado pelos gastos dos viajantes com alimentação, transporte e artesanato local, é calculada a partir de médias por viajante e por destino, e não de registros individualizados.
O relatório diferencia, sempre que possível, dados consolidados de estimativas e reconhece essas limitações metodológicas. A coleta também enfrenta dificuldades relacionadas à sazonalidade das operações: embora os indicadores sejam consolidados, em média, mensalmente, expedições simultâneas em períodos como Carnaval e Réveillon podem dificultar o fechamento dos dados em tempo real.
Para estruturar a metodologia, a empresa dividiu os indicadores em três dimensões: econômica, social e ambiental. Os dados combinam registros financeiros e operacionais internos, acompanhamento trimestral de repasses a parceiros locais, formulários sociais aplicados a cada novo projeto e pesquisas de satisfação com viajantes, por meio do NPS.
“A definição que mais gostamos da sustentabilidade é a do tripé ambiental, social e financeiro. Com isso, temos trabalhado nas três frentes, mensurando indicadores de performance, aumentando nossa governança e trazendo todas essas informações de forma simples e objetiva para as pessoas”, explica Pedro Gayotto, diretor de operações da Vivalá.
Na frente ambiental, a empresa cita medidas como planejamento de roteiros considerando a capacidade de carga dos territórios, contratação de serviços locais, orientação dos viajantes sobre condutas responsáveis e definição de regras de acesso e permanência em parceria com comunidades e gestores locais.
Na dimensão econômica, um dos principais indicadores é o repasse direto a comunidades e parceiros locais. Dos R$ 8,5 milhões movimentados nas economias locais em 2025, R$ 6,9 milhões vieram de pagamentos diretos a esses parceiros, segundo o relatório. Mais de R$ 850 mil foram destinados especificamente a territórios indígenas.
A empresa afirma que o modelo busca reduzir a dependência de intermediários e ampliar a autonomia econômica das comunidades.
Dados orientam expansão
A metodologia também passou a ser utilizada para orientar decisões sobre a expansão da operação. Entre as prioridades definidas a partir dos dados de 2025 estão a escolha de territórios com potencial de fortalecimento comunitário de longo prazo, o estímulo à formalização e profissionalização de parceiros locais e a integração entre projetos corporativos e expedições abertas dentro de uma mesma lógica de impacto territorial.
A estratégia procura responder a um dos dilemas do crescimento do turismo de base comunitária: ampliar o número de viajantes e destinos sem perder qualidade nem comprometer as características sociais e ambientais dos territórios.
Uma metodologia em construção
A própria Vivalá trata o relatório como um ponto de partida. A empresa afirma que pretende revisar a metodologia anualmente e aprofundar indicadores relacionados à biodiversidade e ao impacto cultural, além de avançar na integração com padrões internacionais de reporte.
O documento, portanto, não apresenta uma metodologia acabada. Ao contrário, explicita parte das limitações enfrentadas na tentativa de transformar impacto socioambiental em indicadores comparáveis e acompanháveis ao longo do tempo.
Até o fim de 2025, a Vivalá havia atendido mais de 6 mil clientes desde 2015. No último ano, foram 1.928 viajantes, dos quais 66% eram mulheres. A empresa também contabiliza 17 prêmios e reconhecimentos nacionais e internacionais, entre eles os da Organização Mundial do Turismo e da ONU Meio Ambiente.
A Vivalá é certificada como Empresa B e, segundo o relatório, tem a maior pontuação entre empresas do setor no Brasil e a sétima maior do mundo.
Mais Lidas

Fonte: umsoplaneta

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *