TST determina manutenção de 80% do efetivo dos Correios durante greve nacional

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Por Guilherme LevoratoBrasil 247

247 – O Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou, em decisão liminar proferida no sábado (12), que os trabalhadores dos Correios devem manter 80% do efetivo em atividade durante a paralisação nacional em cada unidade ou estabelecimento da empresa.

A ordem judicial abrange integralmente as unidades de atendimento, tratamento, transporte, distribuição, além das áreas administrativas e de suporte consideradas indispensáveis para garantir a continuidade da cadeia postal.

Em nota oficial, a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e das Empresas de Comunicações (Findect) afirmou que a greve nacional da categoria continua mantida e sem previsão de encerramento no momento. A paralisação por tempo indeterminado foi aprovada em 35 assembleias após os empregados rejeitarem a proposta apresentada pela empresa durante as negociações do acordo coletivo.

A ação no TST foi movida pelos Correios na última sexta-feira (11) para tentar encerrar o movimento paredista iniciado na noite de quinta-feira (10). A direção da empresa apresentou pedido de dissídio coletivo solicitando que a Corte trabalhista declare a paralisação abusiva e determine a continuidade imediata dos serviços em caráter de urgência. Cabe agora ao tribunal julgar a legalidade da greve e avaliar as reivindicações da categoria. O julgamento do dissídio coletivo foi agendado para o dia 21 de setembro, às 13h30, período no qual as partes ainda têm possibilidade de celebrar um acordo.

Para conter os impactos do movimento grevista na prestação de serviços, a estatal acionou seu Plano de Continuidade de Negócios. As medidas contingenciais envolvem o redirecionamento e a mobilização de empregados das áreas administrativas para apoio direto às atividades operacionais, o remanejamento de veículos de carga e a realização de mutirões para preservar o fluxo logístico da empresa. De acordo com a administração dos Correios, a rede de agências segue aberta para atendimento ao público.

Em posicionamento público, a direção dos Correios declarou respeitar o direito de greve das equipes, contudo ressaltou que a paralisação é deflagrada em um cenário econômico e financeiro bastante desafiador para a instituição. A estatal destacou que mantém como prioridades a contenção e redução de despesas, o aumento da eficiência, a modernização operacional e a geração de novas fontes de receita.

A greve transcorre em meio a uma severa crise financeira enfrentada pela estatal postal. Os Correios registraram um prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre e formalizaram um pedido de garantia do Tesouro Nacional para a contratação de um novo empréstimo no valor de R$ 7 bilhões junto a instituições bancárias privadas, iniciativa que integra o plano de reestruturação financeira da empresa.

O nó central das divergências entre os trabalhadores e a empresa reside nas regras do plano de saúde que atende aos funcionários, aposentados e seus dependentes. Por sua vez, a direção dos Correios sustenta que a proposta recusada pela categoria preservava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo anterior, além de prever o reajuste salarial e de benefícios pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e assegurar a manutenção da assistência médica e hospitalar.

Fonte: Brasil 247

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