Denúncias de assédio eleitoral nos primeiros dias de setembro já superam todo o mês de 2022
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – As denúncias de assédio eleitoral registradas no Brasil nos primeiros dias de setembro já ultrapassaram o total contabilizado durante todo o mês de setembro de 2022, informa a Folha de São Paulo. O cenário atual reacende o alerta sobre pressões indevidas nos locais de trabalho durante o período de disputa eleitoral.
O levantamento revela uma aceleração acentuada na contagem dessas denúncias em comparação ao último pleito presencial e geral. Desde o início deste ano até o momento, o Ministério Público do Trabalho (MPT) somou 376 denúncias de assédio eleitoral em todo o país. O volume é substancialmente superior ao registrado entre janeiro e setembro de 2022, período em que o órgão havia recebido 85 acusações da mesma natureza.
A distribuição geográfica das queixas aponta o estado de São Paulo no topo do ranking nacional, contabilizando 45 acusações. O Rio de Janeiro aparece logo em seguida, com 44 relatos, enquanto Minas Gerais e Goiás registraram 32 e 21 denúncias, respectivamente. O levantamento inclui ainda Pará, Paraná e Pernambuco, empatados com 18 relatos cada um.
Segundo o Tribunal Superior do Trabalho (TST), o assédio eleitoral engloba qualquer conduta de pressão, ameaça, constrangimento, intimidação ou promessa de vantagens feita com o objetivo de influenciar o voto, a manifestação política ou o engajamento eleitoral de trabalhadores dentro do ambiente profissional.
O contexto remete às eleições de 2022, quando se multiplicaram os relatos de empregadores coagindo funcionários para direcionar seus votos. Na época, foram registrados casos que variavam entre ameaças diretas de demissão até promessas de benefícios — como bônus em dinheiro de R$ 200, distribuição de pernil, concessão de folgas e até pagamentos de 14º e 15º salários. A interferência de agentes políticos regionais e prefeitos levou o PT a estruturar um canal exclusivo de denúncias em Minas Gerais naquele ano.
De acordo com o MPT, o aumento significativo nas estatísticas do atual ciclo eleitoral está atrelado a um nível mais elevado de conscientização dos próprios trabalhadores, que têm reconhecido as práticas abusivas e formalizado os relatos junto às autoridades competentes.
Para reforçar o combate a essas irregularidades, o MPT, o TST e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lançaram no início de agosto a campanha nacional intitulada “No meu voto mando eu”. A iniciativa busca orientar a população sobre seus direitos eleitorais e trabalhistas, disponibilizando canais virtuais de denúncia nas três instituições e nas ouvidorias dos Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs) espalhados pelo país.
Fonte: Brasil 247