Relutância de Mendonça em liberar dados reforça suspeitas de relação dele com Vorcaro

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Por Jeferson MiolaBrasil 247

As contradições e mentiras do ministro André Mendonça sobre a liberação dos dados do celular de Daniel Vorcaro são gritantes.

Em vários momentos ele afirmou ter “disponibilizado tudo”, para em seguida ser desmentido pelos colegas Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e pelo PGR Paulo Gonet.

Ante a sistemática embromação de Mendonça, o ministro Cristiano Zanin mandou a PF entregar cópia do material a todos os ministros do STF.

A reação de Mendonça foi esdrúxula, para não dizer nervosa: abrir o sigilo “tumultuaria” o processo, disse ele – algo um tanto estranho para quem jurou várias vezes que já tinha disponibilizado tudo.

A relutância do ministro Mendonça em liberar o material reforça suspeitas de envolvimento dele com o banqueiro mafioso.

Na decisão para reintegrar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada, aos seus cargos, Flávio Dino criticou a “prolação de decisão em causa própria”, numa crítica explícita a Mendonça, que “teria recebido, para reunião nas dependências de uma empresa privada, o Sr. Daniel Vorcaro”.

Mendonça tinha alegado que recebeu o banqueiro mafioso “uma única vez”, no dia 14 de março de 2025, não no seu gabinete no STF, mas na sede do Instituto ITER, entidade fundada por ele em 2024.

Após a revelação deste encontro com Vorcaro, que tinha sido mantido em segredo e sem registro na sua agenda oficial, no dia 2 de setembro Mendonça comunicou seu súbito desligamento e o da sua esposa do ITER, “doando a integralidade de suas quotas e sem receber qualquer contrapartida financeira”.

Fontes ligadas às investigações apontam que o celular de Vorcaro pode conter informações explosivas sobre o próprio Mendonça, com áudios e movimentações financeiras relacionadas a notas fiscais emitidas pelo ITER.

Mendonça teria mantido com Vorcaro outros contatos além daquele de 14 de março de 2025, que ele alegou ter sido para conversar a respeito de um processo sobre precatórios.

No entanto, na mensagem por áudio entre Vorcaro e o advogado Ciro Rocha Soares, que intermediou a reunião entre os dois, fica evidente que Mendonça não falou a verdade quanto ao real motivo para o encontro. Não era sobre precatórios, como alegado por Mendonça.

No áudio, Ciro relatou ao banqueiro: “O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo. Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia que o Cezinha já tinha falado com ele”. Cezinha é o pastor e deputado federal pelo PL/SP Cézar Madureira.

Estas informações, que estão armazenadas no celular de Daniel Vorcaro, seriam a verdadeira razão para o ministro terrivelmente bolsonarista tanto resistir a disponibilizar o material.

Esta postura dele vem sendo corroborada pelo presidente Edson Fachin, fato que pode indicar um alinhamento político entre eles, o qual tem como consequência eleitoral beneficiar Flávio Bolsonaro, que continuaria blindado e com seus crimes escondidos.

Fonte: Brasil 247

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