PF vê “participação dolosa” de Augusto Lima em fraudes entre Master e BRB

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Por Otávio RossoBrasil 247

247 – Relatórios da Polícia Federal apontam que Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, teve “participação dolosa” e “manifesta autoridade” em operações investigadas como fraudulentas entre o Master e o Banco de Brasília (BRB), realizadas entre 2024 e 2025.

Segundo a PF, Lima participou diretamente da supervisão de documentos ligados à cessão de carteiras do Master ao BRB, incluindo materiais relacionados à Tirreno, empresa apontada pela investigação como originadora dos créditos transferidos. Para os investigadores, a Tirreno teria sido usada para tentar ocultar a fraude na operação.

“Além de Vorcaro, Augusto Ferreira Lima participou diretamente da supervisão dos documentos relacionados à cessão de créditos Tirreno-Master-BRB. Tal participação de Augusto Lima não condiz com as versões apresentadas pelo Banco Master e pelo BRB ao Banco Central para a origem dos créditos investigados, que não explicitam haver qualquer envolvimento de sua parte nos eventos investigados”, afirma trecho do relatório da PF.

Em uma das conversas analisadas, Lima teria encaminhado uma tabela com créditos cedidos ao BRB. De acordo com os investigadores, o lastro desses créditos é compatível com a fraude atribuída à Tirreno, estimada em R$ 12,2 bilhões. “O valor presente do somatório de todas as tranches listadas, firmadas entre 26/12/2024 e 05/05/2025, alcança aproximadamente R$ 12 bilhões, coincidindo com o montante total da operação”, diz a PF.

A investigação também aponta que Lima tratou com Daniel Vorcaro, dono do Master, sobre o encaminhamento do caso quando começaram a surgir inconsistências na carteira. Segundo O Globo, servidores públicos relataram ter sido surpreendidos por dívidas no BRB que afirmavam nunca ter contratado.

Outro ponto destacado no relatório é a suposta geração massiva de documentos falsos por funcionários do Master, com orientação de Vorcaro e Lima. Conforme a PF, o procedimento envolveria desde a seleção de CPFs até a falsificação de procurações de pessoas que teriam contratado empréstimos posteriormente cedidos ao BRB.

Os investigadores também afirmam que Lima interferiu na substituição de carteiras cedidas pelo Master por outros ativos, quando o BRB começou a trocar a operação após cobranças do Banco Central sobre a falta de lastro. Segundo a PF, Lima teria dado ordens a um funcionário do Master para que amostras das carteiras não fossem enviadas.

Para a polícia, o episódio demonstra a autoridade de Lima sobre as operações. Um funcionário teria deixado de cumprir imediatamente uma ordem de Vorcaro sob a justificativa de que precisava falar antes com o empresário baiano. “Ou seja, ainda em 26/06/2025, sobretudo em relação à substituição das carteiras cedidas pelo Banco Master por outros ativos, Augusto Lima possuía grau elevado de ingerência nas atividades do Banco Master, incluindo autoridade suficiente para que suas determinações tenham força para se opor as de Vorcaro”, concluiu a PF.

Trechos de conversas por WhatsApp também mostram um diálogo em que um tesoureiro do Master informa que uma equipe do BRB iria ao banco “para ver a conciliação dos financeiros para tentar apurar as diferenças”. Lima respondeu: “Venha aqui para alinhar”.

A PF sustenta ainda que a Credcesta, empresa de Lima voltada a cartões de benefícios para servidores públicos, estaria envolvida “mais diretamente e centralmente” na originação de ao menos parte dos Certificados de Crédito Bancário (CCBs) cedidos ao BRB. Por isso, os investigadores apontam que Lima teria interesse em evitar que eventuais irregularidades recaíssem sobre o cartão consignado.

O relatório também menciona indícios de pagamentos do Master à Terra Firma da Bahia, empresa do grupo de Lima, com base em notas de prestação de serviços. Segundo a apuração, foram registradas notas fiscais de R$ 3,6 milhões em julho de 2024, R$ 3,3 milhões em abril de 2025 e R$ 3,6 milhões em maio de 2025.

Augusto Lima é empresário baiano e dono da Credcesta, que começou na Bahia e depois se expandiu pelo país em parceria com o Master. Após deixar a sociedade do banco, passou a controlar o Banco Pleno, cujas operações foram encerradas pelo Banco Central, assim como ocorreu com o Master. Ele foi preso preventivamente na primeira fase da Operação Compliance Zero, mas foi solto posteriormente. Em junho, foi alvo de busca e apreensão na nona fase da operação.

A defesa de Lima rechaçou as conclusões da PF e afirmou que ele deixou a sociedade e a direção do Banco Master em 28 de maio de 2024. Em nota, os advogados disseram que “não há fundamento para atribuir a Augusto Lima os ilícitos mencionados” e que confiam em uma investigação “técnica, isenta e com absoluto respeito aos fatos e ao devido processo legal”.

Na manifestação, a defesa negou que Lima tenha tratado com representantes do BRB sobre supostas carteiras falsas ou participado das negociações. “Augusto Lima jamais tratou com qualquer representante do BRB sobre supostas carteiras falsas e não participou das negociações, nem nunca participou de reunião sobre o assunto. Não assinou documentos de cessão de carteiras ao BRB nem prestou informações falsas ao Banco Central”, afirmou.

Os advogados também contestaram a suspeita sobre transferências feitas pelo Master a empresas ligadas a Lima. Segundo a defesa, havia “contrato regular de prestação de serviços” e os serviços foram efetivamente prestados. “Insinuar, apenas em razão dos valores envolvidos, que esses pagamentos representariam desvio de recursos em favor de Augusto Lima é uma ilação grave e sem respaldo nos fatos”, diz a nota.

A defesa afirmou ainda que acusações antigas estariam sendo reapresentadas como novidade após 10 meses de investigação. “Desde o início das apurações, Augusto Lima permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários”, completou.

Fonte: Brasil 247

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