Trump diz que “forças muito negativas” são fontes de preocupações exageradas sobre IA
Por Leonardo Lucena — Brasil 247
247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou neste domingo (13) a ideia de desacelerar ou ampliar a regulação da inteligência artificial e classificou os críticos da tecnologia como “forças muito negativas”. As informações são da Reuters.
“Somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero que continue assim, porque quem vencer na IA vence”, disse Trump, ao responder se o setor deveria reduzir o ritmo ou passar por mais regulação.
O presidente dos EUA também criticou quem defende maior cautela diante do avanço da tecnologia. “Poderíamos estabelecer limites. Podemos fazer isso e aquilo. Mas acho que há muitas forças muito negativas levantando essa questão, que não deveriam estar fazendo isso, e estão trazendo à tona coisas que não vão acontecer.”
As declarações ocorrem em um momento de intensificação do debate público sobre inteligência artificial nos Estados Unidos. Dois pesquisadores da Anthropic alertaram que o avanço acelerado da tecnologia poderia levar à extinção da raça humana em um futuro não muito distante.
Trump tem evitado endossar essas preocupações. Em seu segundo mandato, o presidente apoiou amplamente empresas de IA, enquanto lideranças do setor e outras companhias de tecnologia também passaram a apoiar iniciativas de seu governo.
Executivos ligados à inteligência artificial destinaram recursos à campanha para as eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro, que definirão o controle do Congresso dos Estados Unidos.
O America PAC, grupo de financiamento eleitoral ligado ao presidente-executivo da SpaceX, Elon Musk, já gastou milhões em apoio a candidatos republicanos e deve ter papel relevante na estratégia para ampliar a participação eleitoral.
Pressão por limites
Apesar da resistência de Trump, parte do setor defende algum tipo de desaceleração. O Pentágono alertou neste ano sobre riscos associados ao modelo da Anthropic. Depois das advertências feitas por pesquisadores da empresa, alguns presidentes-executivos de companhias de IA passaram a defender a redução do ritmo de avanço dos modelos.
No sábado, Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, apresentou uma estrutura em três etapas para moderar o desenvolvimento da tecnologia e ganhar tempo para gerenciar riscos. A proposta recebeu apoio imediato de executivos de grandes empresas de IA, incluindo Elon Musk e Sam Altman, presidente-executivo da OpenAI.
Em entrevista exibida no domingo no programa “Face the Nation with Margaret Brennan”, da CBS, Amodei afirmou que a disputa entre empresas norte-americanas e chinesas representa o “dilema mais difícil” na tentativa de criar um “limite de velocidade” para a inteligência artificial.
“Não devemos nos iludir, porque os incentivos para sair na frente e a vantagem militar que se obtém com isso são tão grandes que a capacidade de verificar se o outro lado não está trapaceando precisa ser irrefutável”, disse ele. “Portanto, acho que isso vai levar anos, e, honestamente, não sei se é possível.”
Jacob Coxon, um dos pesquisadores da Anthropic que se demitiram e depois emitiram alertas sobre os riscos da IA, defendeu uma resposta coordenada entre países para evitar uma corrida tecnológica sem freios.
“Acho que precisamos de coordenação internacional; caso contrário, corremos o risco de entrar na mesma corrida que a China, o que poderia ser igualmente perigoso”, disse Coxon ao programa “Meet the Press”, da NBC.
A posição de Trump indica que a Casa Branca seguirá tratando a inteligência artificial como prioridade estratégica na disputa econômica, tecnológica e militar com a China, mesmo diante da pressão de pesquisadores e executivos por mecanismos de controle sobre o ritmo de desenvolvimento dos modelos.
Fonte: Brasil 247