Bombeiros encontram corpo de menina de 7 anos e encerram buscas após desabamento que matou 6 em SP
Por João Paulo Alexandre — Jornal Opção

As buscas por vítimas do desabamento de um prédio em construção na Zona Leste de São Paulo foram encerradas na tarde deste domingo, 13, após o Corpo de Bombeiros localizar o corpo de uma menina de 7 anos entre os escombros. Com a descoberta, chegou a seis o número de mortos na tragédia ocorrida no bairro da Penha.
O prédio caiu sobre uma casa localizada na Rua Tequici durante a madrugada de sábado, 12. Segundo os bombeiros, oito pessoas que estavam no imóvel foram atingidas.
Do total de vítimas, apenas duas foram retiradas com vida: uma criança e um homem. Ambos foram encaminhados para atendimento médico e a previsão é de que recebam alta até segunda-feira, 14.
Outras seis pessoas morreram. Entre as vítimas estão três mulheres, dois homens e uma criança. As identidades ainda não haviam sido divulgadas.
Inicialmente, havia a possibilidade de que vigias estivessem dentro da construção no momento do desabamento. A hipótese, no entanto, foi descartada depois que um representante da construtora informou aos bombeiros que não havia funcionários no prédio.
Com a localização da última vítima considerada desaparecida, a corporação deu por encerrada a operação emergencial de busca.
Cerca de 100 pessoas participaram das buscas
A operação mobilizou aproximadamente 100 profissionais, entre militares e civis. As equipes trabalharam durante toda a madrugada e se revezaram para manter as buscas pelos desaparecidos.
Além do trabalho de retirada dos escombros, bombeiros utilizaram equipamentos e técnicas especializadas para tentar localizar possíveis sobreviventes.
A Defesa Civil também esteve no local para avaliar as condições das construções próximas. Após as vistorias, três residências situadas no mesmo terreno vizinho ao prédio foram interditadas preventivamente.
A causa do desabamento ainda é investigada. Chovia no momento do acidente, mas, segundo a Defesa Civil, ainda não existem elementos que permitam apontar a chuva como responsável pela queda da estrutura.
Obra já havia sido alvo de fiscalização
O histórico da construção também passou a ser investigado após a tragédia. O imóvel já havia sido alvo de fiscalizações, multas e de uma ação judicial movida pela Prefeitura de São Paulo.
Segundo a administração municipal, um pedido de alvará apresentado pelo responsável pelo imóvel em 2019 foi negado. Posteriormente, a obra foi interditada e recebeu multas, sendo que uma das penalidades chegou a R$ 119 mil.
Em 2021, a Prefeitura acionou a Justiça para solicitar a demolição de uma construção considerada irregular no terreno. A Justiça chegou a conceder uma liminar determinando a paralisação das obras.
Um novo projeto foi apresentado em 2022 e, no ano seguinte, a Prefeitura concedeu autorização para a execução da nova construção. O documento, entretanto, estava condicionado à demolição da estrutura anterior.
Uma vistoria realizada em fevereiro de 2024 apontou que essa exigência havia sido cumprida. Diante da informação, o processo judicial relacionado ao imóvel foi encerrado.
Prefeitura apura possível falha em vistoria
Depois do desabamento, a Prefeitura abriu uma investigação por meio da Controladoria Geral do Município (CGM) para verificar como ocorreram os procedimentos de fiscalização e autorização da construção.
Informações preliminares da administração municipal indicam que a demolição exigida para permitir a nova obra pode não ter sido efetivamente realizada, apesar de um laudo ter registrado o cumprimento da determinação.
A servidora responsável pelo documento foi afastada inicialmente por 30 dias enquanto o caso é apurado.
A Polícia Civil também abriu investigação para esclarecer as circunstâncias do desabamento e eventuais responsabilidades.
Construtora abre investigação interna
A New Home Construtora informou que também iniciou uma apuração interna sobre o acidente. Segundo a empresa, ainda não há elementos suficientes para determinar o que provocou a queda do prédio.
A companhia informou ainda que existe um terreno vizinho onde são realizadas movimentações de terra e que essa circunstância deverá ser considerada durante as investigações.
A construtora afirmou que está prestando assistência às famílias atingidas, que colaborará com as autoridades e que não se eximirá de eventuais responsabilidades que sejam identificadas ao longo das apurações.
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Fonte: Jornal Opção