Perícia recusou aparelhos apreendidos no caso Dark Horse

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Por Leonardo LucenaBrasil 247

247 – Peritos do Instituto de Criminalística de São Paulo (IC) recusaram o recebimento e a análise de mais de 15 aparelhos apreendidos em endereços ligados a Karina da Gama, dona da empresa Go Up, produtora do filme Dark Horse, retrato biográfico de Jair Bolsonaro (PL).  

A recusa ocorreu após a perícia identificar falhas nos lacres de notebooks, celulares e pen drives recolhidos pela Polícia Civil de São Paulo durante operação relacionada à investigação sobre a produção do filme sobre Jair Bolsonaro.

Segundo o registro formal feito pela perita, os equipamentos estavam lacrados individualmente e os lacres não tinham sido rompidos. O problema apontado foi a existência de um vão nos pacotes, o que permitiria a entrada de um cabo USB para extração ou manipulação de dados.

Em ao menos 13 aparelhos, a perícia mencionou expressamente o risco de alteração do conteúdo armazenado.

“[Os itens] apresentam vão suficiente para entrada de cabo de alimentação e transferência de dados, sendo possível a manipulação dos dados no interior dos aparelhos”, registrou a perícia.

Após a recusa, os aparelhos retornaram à Polícia Civil. A corporação determinou a colocação de novos lacres para preservar a cadeia de custódia, sete dias depois da apreensão. Depois dessa etapa, segundo o documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), os dispositivos seriam novamente encaminhados à perícia.

Dois celulares apreendidos em endereços ligados diretamente a Karina da Gama estão entre os equipamentos recusados. Os demais aparelhos foram recolhidos em empresas que prestavam serviços a entidades fundadas por ela.

Essas empresas são investigadas sob suspeita de atuar na simulação de contratos e na fraude de notas fiscais, segundo a apuração da Polícia Civil paulista.

Os dados constam de material que teve o sigilo levantado neste domingo pelo ministro Flávio Dino, do STF. Dino relata investigação sobre o envio de emendas parlamentares por deputados do PL para uma rede de empresas ligadas a Karina e à produtora de Dark Horse.

No curso do processo, a Polícia Federal apontou a existência de uma rede de entidades e empresas suspeitas de fraudes em contratos públicos e lavagem de dinheiro. A PF também fala em movimentação de recursos que ultrapassa centenas de milhões de reais.

Karina da Gama tem negado irregularidades em seus negócios. Em manifestação à colunista Mônica Bergamo, da Folha, na semana passada, ela afirmou que está sendo pressionada, que se sente ameaçada e que não tem nenhum crime a delatar.

A falha apontada nos lacres acrescenta um novo elemento à investigação sobre Dark Horse, ao colocar em discussão a preservação dos equipamentos apreendidos, a integridade dos dados e os procedimentos de custódia adotados após a operação da Polícia Civil em São Paulo.

Fonte: Brasil 247

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