Juros altos pesam no bolso e consumo das famílias recua; entenda
Por Cilas Gontijo — Jornal Opção

O crescimento da economia brasileira perdeu força no segundo trimestre de 2026, com o Produto Interno Bruto (PIB) avançando 0,5% entre abril e junho, após alta de 1,1% nos primeiros três meses do ano. Entre os principais sinais de desaceleração está o consumo das famílias, que recuou 0,4% no período. O cenário é influenciado pelos juros elevados e pelo alto nível de endividamento, que reduz o espaço das famílias para novas compras. Para o especialista em finanças e investimentos Fellipe Rabelo, o crédito mais caro tende a provocar efeitos em cadeia sobre consumidores, empresas e mercado de trabalho.
Crédito mais restrito
Segundo Fellipe Rabelo, o primeiro impacto dos juros elevados aparece na concessão de crédito, já que os bancos passam a adotar critérios mais rigorosos para liberar recursos. “Os bancos ficam mais seletivos, reduzem limites e exigem melhores condições financeiras dos clientes. Mesmo quando o crédito está disponível, a parcela pode ficar mais cara e pesar no orçamento das famílias”, afirma. Para ele, a redução do consumo chega ao comércio e às empresas, que podem registrar queda nas vendas, aumento dos estoques e adiamento de investimentos. Esse movimento também pode reduzir o ritmo de novas contratações.
Dívidas exigem prioridade
O especialista avalia que famílias endividadas devem interromper, inicialmente, o crescimento das dívidas e evitar novos empréstimos e parcelamentos com juros elevados. “A primeira prioridade é interromper o crescimento dessa dívida. Depois, é preciso listar todas as obrigações e identificar aquelas que têm maior custo”, orienta. O especialista recomenda atenção especial ao rotativo do cartão de crédito e ao cheque especial, modalidades que costumam apresentar taxas elevadas. Para ele, a renegociação pode ser uma alternativa para reduzir os juros, ampliar o prazo de pagamento e adequar as parcelas ao orçamento.

Consumo perde força
Na avaliação de Rabelo, a combinação entre PIB crescendo menos e queda no consumo das famílias revela um comportamento mais cauteloso dos brasileiros. “Parte importante da renda já está comprometida com dívidas, parcelas e despesas essenciais. Com o crédito caro, o consumidor reduz principalmente as compras maiores e os gastos que não são prioritários”, explica. Como o consumo das famílias representa uma parcela relevante da atividade econômica, uma redução nas compras acaba afetando o desempenho do PIB. Os juros elevados também tornam mais caros financiamentos, empréstimos e o capital de giro das empresas, que passam a adiar contratações e novos projetos.
Organização financeira
Para quem está endividado, juros elevados podem transformar uma dívida administrável em um problema mais grave, especialmente quando há incidência de taxas altas sobre o saldo devedor. “Uma parte maior da renda passa a ser usada apenas para pagar juros, sobrando menos dinheiro para alimentação, moradia e saúde”, afirma Rabelo. Diante desse cenário, a principal recomendação é organizar o fluxo de caixa antes de assumir novos compromissos. “É preciso colocar no papel quanto está entrando, quanto está saindo e quanto da renda já está comprometido com parcelas. Se houver uma dívida cara, ela deve ser a prioridade”, orienta.
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Fonte: Jornal Opção