BRICS: 20 anos em prol da paz, do desenvolvimento e do futuro compartilhado

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Por José Reinaldo CarvalhoBrasil 247

Por José Reinaldo Carvalho – Reunidos em Nova Déli neste fim de semana, 12 e 13 de setembro, os líderes do bloco discutem como converter a crescente influência do Sul Global em capacidade efetiva de decisão, financiamento e coordenação internacional.

A 18ª Cúpula ocorre sob o tema “Construindo resiliência, inovação, cooperação e sustentabilidade”. Segundo a Declaração de Nova Déli, aprovada no sábado (12), os países reafirmaram o compromisso com uma ordem internacional mais representativa, a reforma do sistema multilateral e o aprofundamento das relações políticas, econômicas, financeiras e culturais.

A reunião também marca uma mudança de escala. Formado inicialmente por Brasil, Rússia, Índia e China, com a posterior entrada da África do Sul, o BRICS deixou de ser apenas um fórum de grandes economias emergentes e passou a reunir um conjunto mais amplo de países, interesses regionais e prioridades de desenvolvimento.

Essa ampliação trouxe maior peso econômico, demográfico, territorial, energético e diplomático. Ao mesmo tempo, aumentou a complexidade das negociações internas. O futuro do grupo dependerá, em larga medida, de sua capacidade de conciliar diferenças políticas sem deixar de proporcionar benefícios para todos os seus membros.

O próprio tema da reunião expressa uma necessidade concreta: criar instrumentos capazes de proteger os países em desenvolvimento contra crises, guerras comerciais, chantagens financeiras e interrupções deliberadas nas cadeias de suprimento.

O avanço do grupo demonstra que muitos países não aceitam mais escolher entre isolamento e submissão. Eles procuram diversificar parceiros, ampliar sua autonomia e participar da elaboração das regras que afetam suas economias, seus recursos naturais e suas populações.

Do lado certo da história, Xi Jinping defende BRICS como eixo de reforma da ordem global

No discurso proferido durante a primeira sessão da 18ª Cúpula do BRICS, em Nova Déli, o presidente chinês propôs o BRICS como vanguarda em quatro áreas: desenvolvimento inovador, manutenção da paz e da estabilidade, aprendizagem mútua entre civilizações, bem como reforma e aperfeiçoamento da governança global.

Xi afirmou que os integrantes do grupo precisam permanecer do lado certo da história e conduzir o sistema internacional em direção a maior justiça e equidade. Ele também definiu o BRICS como a plataforma de cooperação mais influente entre mercados emergentes e países em desenvolvimento.

A formulação usada por Xi coloca o bloco diante de desafios que ultrapassam a coordenação econômica. Na visão apresentada pelo presidente chinês, o BRICS deve participar diretamente da reorganização das instituições internacionais, da construção de mecanismos de segurança e da definição de regras para tecnologias e espaços ainda pouco regulados.

Suas propostas apontam para a tentativa de consolidar o BRICS como um polo de articulação do Sul Global em um cenário marcado pela disputa entre grandes potências e pelo enfraquecimento dos consensos multilaterais.

Segundo o presidente chinês, o BRICS se consolidou como a plataforma mais influente do mundo para a cooperação entre mercados emergentes e países em desenvolvimento. Esta afirmação não constitui apenas um diagnóstico preciso da geopolítica atual, mas reflete uma jornada de duas décadas de sucessos expressivos.

O BRICS transformou-se em uma força geopolítica viva, demonstrando notável vitalidade e dinamismo. O acerto das teses de Xi Jinping reside na capacidade de alinhar as metas dos membros às aspirações de justiça e equidade de todo o Sul Global, estabelecendo um novo paradigma para a governança mundial.

Duas décadas de solidariedade e resiliência

Os últimos 20 anos foram marcados por aquilo que o presidente Xi definiu como um período de autossuficiência, fortalecimento individual e união em todos os momentos, bons e ruins. Diante de severas crises globais — desde a instabilidade financeira e os impactos macroeconômicos da pandemia até os desafios urgentes das mudanças climáticas —, o BRICS manteve-se firme.

Essa resiliência decorre do respeito mútuo e do incentivo para que cada nação explore caminhos de desenvolvimento adequados às suas próprias condições nacionais. O bloco passou por uma expansão histórica, estruturou mecanismos abrangentes de cooperação multilateral e inaugurou uma nova etapa de desenvolvimento de alta qualidade. Em um mundo onde o Sul Global se fortalece rapidamente e a marcha em direção à multipolaridade é imparável, o BRICS ergue-se como um bastião de estabilidade.

Uma das propostas mais lúcidas de Xi Jinping estabelece que o BRICS deve ser o pioneiro no avanço do desenvolvimento impulsionado pela inovação. Em uma era de transformação acelerada, assumir a iniciativa tecnológica não é uma opção, mas uma necessidade soberana.

A China, estando na vanguarda da revolução digital, apresentou propostas concretas para o bloco: fortalecimento da cooperação em Inteligência Artificial (IA), incentivando o desenvolvimento de código aberto, a abertura e o compartilhamento de dados e tecnologias; criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial, um convite aberto à participação ativa de todos os membros do grupo; iniciativa para promover a nova industrialização por meio da IA, visando estreitar os laços nas cadeias industriais e de suprimentos globais.

Essa abordagem chinesa contrasta com o isolacionismo tecnológico de certas potências ocidentais. O foco de Beijing é a democratização do conhecimento e a aplicação prática da tecnologia para solucionar problemas reais de desenvolvimento.

Defesa inabalável da paz e da segurança coletiva

Enquanto correntes contrárias de unilateralismo, protecionismo e jogos de poder de soma zero ganham força, a China propõe que o BRICS seja o pioneiro na promoção da paz e da estabilidade. Xi Jinping instou o grupo a rejeitar firmemente a mentalidade da Guerra Fria, o confronto entre blocos e qualquer forma de interferência nos assuntos internos ou violação da soberania de outros Estados.

O acerto dessa visão reside em combater tanto os sintomas quanto as causas profundas dos conflitos. O compromisso explícito da China em trabalhar com os demais membros para desempenhar um papel fundamental na promoção da paz e da tranquilidade em regiões historicamente tensionadas, como o Oriente Médio e a região do Golfo, demonstra o peso diplomático que o BRICS adquiriu. O bloco não é apenas uma aliança econômica; é uma força geopolítica construtiva voltada para a paz, o desenvolvimento compartilhado, a nova governança global e o multilateralismo.

O déficit em paz, desenvolvimento, segurança e governança exige respostas firmes. Por isso, Xi Jinping conclamou o BRICS a liderar a reforma e o aprimoramento da governança global. A proposta chinesa defende de forma inequívoca a autoridade das Nações Unidas e a democratização das relações internacionais; um sistema multilateral de comércio, com rejeição absoluta ao protecionismo; a liderança na governança de domínios emergentes, como o ciberespaço, o espaço sideral e as profundezas do oceano.

Ao amplificar a voz do Sul Global nesses fóruns, o BRICS conduz a ordem internacional rumo a uma maior justiça e equidade, posicionando-se firmemente do lado certo da história.

Rumo à terceira “Década de Ouro”

Ao longo de uma jornada extraordinária de duas décadas, a solidariedade permaneceu como a grande força motriz dos BRICS. A exortação de Xi Jinping para que os membros se mantenham sinceros, busquem pontos em comum respeitando as diferenças e lidem adequadamente com as divergências através do diálogo é o bom caminho para consolidar a confiança mútua.

Com o anúncio de que a China assumirá a presidência rotativa do BRICS e sediará a próxima cúpula, após as cúpulas do Brasil (2025) e da Índia (2026), abre-se uma perspectiva promissora.

Com as propostas de Xi Jinping e o peso político e econômico da China, o grupo se capacita a construir novos consensos e embarcar em sua terceira “década de ouro”.

Justificam-se, portanto, as expectativas positivas no mundo quanto ao futuro compartilhado, em que a prosperidade e o progresso não sejam privilégios de poucos, mas um direito de todos os povos.

Artigo publicado originalmente pelo Grupo de Mídias da China

Fonte: Brasil 247

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