Flávio Bolsonaro minimiza quebra de sigilo do Master e ataca Moraes
Por Leonardo Lucena — Brasil 247
247 – Candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou neste sábado (12), durante ato de campanha em Cabo Frio, no Rio de Janeiro, que a retirada do sigilo de documentos do caso Master terá “impacto zero” sobre sua candidatura.
O parlamentar voltou a negar irregularidades na busca de recursos para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, e direcionou ataques ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O senador passou a integrar formalmente uma investigação da Polícia Federal relacionada ao financiamento do longa. A PF apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas e analisa as negociações do senador com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
“Eu acho que o impacto é zero. Está tudo aberto para quem quiser ver”, disse Flávio Bolsonaro, acrescentando ter tido uma “uma relação privada para um filme privado”.
Durante o comício, Flávio Bolsonaro conduziu um coro de “Fora Lula, Fora Moraes e Fora Paes”, em referência ao presidente Lula, ao ministro Alexandre de Moraes e ao ex-prefeito do Rio Eduardo Paes. “Quem vota em Lula vota em Moraes”, declarou.
Mais detalhes das investigações da PF
A Polícia Federal dividiu a apuração sobre o financiamento de Dark Horse em cinco frentes. Os investigadores buscam rastrear a origem dos recursos, definir a atuação das pessoas envolvidas no projeto, esclarecer o uso da Entre Investimentos nas transferências internacionais, identificar quem recebeu os valores movimentados por fundos nos Estados Unidos e reunir contratos, comprovantes e registros financeiros ligados à produção.
As investigações da PF envolvendo o presidenciável da extrema direita apura o suposto cometimento de três crimes – lavagem de capitais, evasão de divisas, e corrupção (ativa e passiva).
Flávio Bolsonaro, Dark Horse e Banco Master
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam que Daniel Vorcaro transferiu US$ 1.666.667 para o Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, em 16 de setembro de 2025. O fundo aparecia na estrutura financeira usada para concentrar recursos ligados à produção de Dark Horse.
A operação, divulgada pela revista Piauí, entra em choque com a versão apresentada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República. O senador havia declarado que Vorcaro teria interrompido os aportes no projeto em maio de 2025.
Os registros do Coaf mostram que os repasses seguiram por pelo menos mais quatro meses. A transferência de setembro ocorreu oito dias depois de Flávio Bolsonaro cobrar de Vorcaro parcelas que, segundo a mensagem, estavam atrasadas.
Com esse novo envio, o total atribuído a Vorcaro no financiamento do longa teria subido de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões, cifra que ultrapassava R$ 65 milhões pela cotação da época.
Os investigadores também examinam a possibilidade de uma outra remessa, estimada em cerca de US$ 1,6 milhão. Se essa movimentação for confirmada, o volume relacionado ao filme poderá chegar a aproximadamente R$ 72 milhões.
Fonte: Brasil 247