Revelações sobre alerta ignorado por Netanyahu sobre ataque do Hamas acirram eleições em Israel

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Por Leonardo SobreiraBrasil 247

247 – Os israelenses se preparam para uma das eleições mais polarizadas das últimas décadas, marcada pelo embate em torno do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e por novas revelações sobre um ataque do movimento palestino Hamas, de acordo com informações da agência RFI.

A eleição legislativa de 27 de outubro definirá os 120 assentos da Knesset, o parlamento israelense, e ocorre sob tensão crescente, após revelação do jornal Haaretz de que o Netanyahu teria sido alertado sobre um possível ataque de militantes palestinos dez dias antes do ocorrido em 7 de outubro de 2023.

Além disso, doze países, entre eles França e Reino Unido, anunciaram na última semana sanções comerciais contra produtos oriundos de colônias israelenses, ampliando a pressão internacional sobre Netanyahu. O governo atual, de extrema direita, transformou o pleito em uma disputa binária: apoiar ou rejeitar Netanyahu. Sua coalizão reúne o Likud, partidos religiosos e grupos ultranacionalistas. O slogan repetido nas primárias de agosto — “o Likud continua o mais forte” — sintetiza a confiança interna do primeiro-ministro.

Entretanto, a fragmentação do eleitorado é profunda. Pesquisas mostram que 38% dos israelenses migraram para a direita diante da guerra, que escalou a nível regional, alguns para posições ainda mais extremistas, segundo a RFI.  

Na oposição, Naftali Bennett tenta atrair eleitores decepcionados com o Likud por meio do partido Beyahad, em aliança com Yair Lapid. Ambos já foram primeiros-ministros de Israel. A dupla vem reunindo figuras da chamada direita nacionalista e de um bloco laico considerado centrista. 

À esquerda, os Democratas, liderados pelo general Yaïr Golan, defendem a solução de dois Estados e têm cerca de dez cadeiras projetadas. O partido enfatiza direitos das minorias e a necessidade de incluir o voto árabe na formação de governos. 

Quanto à participação dos árabes israelenses, que representam 20% da população, ela é incerta: 500 mil não votaram no último pleito. Três partidos — Hadash, Taal e Balad — se uniram para superar o limiar eleitoral. O partido Raam incluiu o ex‑policial Yoav Segalovitz na lista para combater a criminalidade.

Enquanto isso, os partidos religiosos ocupam uma posição estratégica nas negociações. A recusa de grupos ultrarreligiosos em cumprir serviço militar reacendeu fortes debates em Israel, relata a RFI.

O Shass, aliado tradicional de Netanyahu, disputa espaço com legendas mais radicais, como Hatzionout Hadatit, que defende anexação da Cisjordânia ocupada e fortalecimento do caráter religioso do estado judeu.  

Fonte: Brasil 247

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