BRICS aprova Declaração de Nova Déli e reforça defesa da paz e do multilateralismo
Por Leonardo Lucena — Brasil 247
247 – Os líderes do BRICS aprovaram por unanimidade, neste sábado (12), a Declaração de Nova Déli 2026 durante a 18ª Cúpula do bloco, na capital indiana. O documento amplia a defesa do multilateralismo, pede uma solução diplomática para a escalada no Oriente Médio e rejeita medidas econômicas unilaterais que afetem o comércio internacional. O documento teve o seu conteúdo publicado pela teleSUR.
A declaração registra “profunda preocupação” com o agravamento dos conflitos na Ásia Ocidental, expressão usada pelo bloco para se referir ao Oriente Médio. Os países defenderam contenção, diálogo multilateral e solução pacífica das controvérsias internacionais por meios diplomáticos.
O texto também trata do cenário econômico internacional. O BRICS manifesta oposição ao uso crescente de medidas tarifárias e não tarifárias unilaterais que provoquem distorções no comércio global. O grupo repudia o regime de sanções aplicado pelos Estados Unidos contra Rússia e Irã.
A declaração apresenta a consolidação de uma ordem multipolar como uma oportunidade para ampliar a participação das economias em desenvolvimento nas decisões globais. O documento associa esse processo à construção de uma globalização econômica com maior representação dos países do Sul Global.
O BRICS reúne 11 países: Brasil, China, Egito, Etiópia, Índia, Indonésia, Irã, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul e Emirados Árabes Unidos. Em nível global, o grupo representa cerca de 49,5% da população, 40% do Produto Interno Bruto e 26% do comércio. Outros dez países entraram no BRICS como parceiros em 2025 – Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã.
A presidência indiana do BRICS tem como tema “Construindo resiliência, inovação, cooperação e sustentabilidade”, uma agenda concentrada em cooperação entre os países do Sul Global, em inovação, e fortalecimento da resiliência econômica e institucional, e em construção de mecanismos de desenvolvimento capazes de responder aos desafios de um mundo em transformação.
BRICS rejeita mudanças na composição do G20
Os países classificaram como “inaceitável” qualquer tentativa de alterar a composição do G20 e reiteraram apoio à participação plena da África do Sul. A posição aparece dentro de uma agenda mais ampla sobre reforma da governança internacional.
Os integrantes do BRICS reafirmaram apoio ao papel das Nações Unidas e defenderam maior representação para África, Ásia, América Latina e Caribe nos mecanismos internacionais de decisão. O documento atribui ao Sul Global papel central nas transformações relacionadas aos desafios econômicos e geopolíticos atuais.
A declaração também reforça uma das linhas políticas que ganharam espaço com a ampliação do Brics: a defesa de mudanças nas instituições multilaterais para aumentar a participação de países em desenvolvimento.
Energia e tecnologia entram na agenda de cooperação
A Declaração de Nova Déli incorpora propostas para o uso de inteligência artificial e análise de dados no funcionamento de redes elétricas e na integração de fontes renováveis de energia.
Os integrantes do bloco também aprovaram os Princípios Orientadores do Brics sobre Redes Inteligentes e Armazenamento de Energia.
A Índia apresentou ainda a proposta de criação de um Centro Digital de Excelência voltado ao setor. A iniciativa busca ampliar a troca de conhecimento e o desenvolvimento de soluções tecnológicas entre os países participantes.
Países ampliam coordenação na área da saúde
A agenda aprovada em Nova Déli também prevê maior articulação entre as agências reguladoras de medicamentos dos países do BRICS.
O objetivo apresentado no documento consiste em ampliar a disponibilidade de medicamentos e insumos de saúde considerados seguros e com padrões de qualidade compartilhados pelos integrantes.
A cooperação sanitária passa, dessa forma, a integrar a estratégia mais ampla de aproximação regulatória entre os membros.
Modi propõe mecanismo de continuidade do BRICS
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, defendeu mudanças na estrutura da governança global e apresentou a criação de um mecanismo de continuidade do Brics.
A proposta busca dar sequência às iniciativas do grupo entre diferentes presidências rotativas e evitar interrupções em projetos que dependem de execução por vários anos.
O tema se relaciona ao crescimento da agenda do bloco, que atualmente envolve áreas políticas, econômicas, financeiras, tecnológicas, científicas, ambientais e sociais.
Fintech e infraestrutura ganham espaço
Os líderes também registraram os avanços da Rede de Grupos de Reflexão do Brics para Finanças.
O mecanismo trabalha no desenvolvimento de ferramentas de tecnologia financeira destinadas ao financiamento de infraestrutura e a políticas de crescimento inclusivo.
A incorporação de soluções fintech à agenda financeira acompanha a busca do grupo por mecanismos próprios de financiamento e maior articulação entre seus mercados.
Declaração reafirma Agenda 2030
Os líderes reafirmaram ainda o compromisso com a Agenda 2030 das Nações Unidas e seus objetivos de desenvolvimento sustentável.
O Brics também decidiu ampliar a integração com os países parceiros do grupo por meio de iniciativas voltadas à cooperação econômica, ao desenvolvimento compartilhado e à participação em projetos conjuntos.
Fonte: Brasil 247