BIFA lança braço na Índia e aposta no futebol como instrumento de paz entre os BRICS

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Por Leonardo LucenaBrasil 247

247 — A BRICS International Football Alliance (BIFA) anunciou neste sábado (12), em Nova Déli, o lançamento da BIFA India, iniciativa destinada a ampliar o uso do futebol como instrumento de integração entre os países do BRICS. O anúncio foi feito pelo fundador e presidente da organização, Dr. Salem Humaid Saif Al Mazini, dos Emirados Árabes Unidos, durante evento realizado no Eros Hotel, em Nehru Place, à margem da 18ª Cúpula do BRICS.

O encontro contou também com a participação de Purnima Anand, presidente do BRICS International Forum, e de vários parceiros russos, entre eles Anastasia Dubrovskaia, representante da Agency for Strategic Initiatives (ASI), da Rússia. O Brasil foi representado pelo jornalista Leonardo Attuch, fundador do Brasil 247 e do Instituto Sul Global.

Al Mazini defendeu que o esporte oferece um dos caminhos mais simples e poderosos para aproximar sociedades em um mundo marcado por conflitos e divisões. Para ele, o futebol pode criar vínculos capazes de ultrapassar fronteiras nacionais, diferenças culturais e disputas políticas.

“Penso que a maneira mais simples de unir o mundo é por meio do esporte. É algo muito simples, mas acredito que seja uma das forças mais poderosas do mundo”, afirmou.

Brasil, Índia e a força do futebol

O dirigente destacou especialmente a importância do Brasil para o projeto. Ao definir o País como “a nação do futebol”, Al Mazini lembrou a cooperação desenvolvida durante a cúpula do BRICS realizada no Brasil e afirmou que a organização vem trabalhando para transformar essa visão em iniciativas concretas.

Na Índia, a aliança busca consolidar uma rede internacional envolvendo diferentes sociedades do BRICS. O ponto central da intervenção de Al Mazini foi justamente o lançamento da BIFA India, apresentado como mais um passo para a construção de uma comunidade internacional unida pelo esporte.

“A partir de hoje, somos uma nação, um corpo e uma alma para construir um futuro de paz para nossos filhos, nossas nações e nossos povos”, declarou.

A concepção defendida pela BIFA procura ir além da realização de partidas e competições. Segundo Al Mazini, reduzir o futebol aos 90 minutos de uma partida significa ignorar seu potencial social e diplomático.

“O futebol, para muitas pessoas, são 90 minutos e a partida termina. Mas a BIFA é totalmente diferente. Depois dos 90 minutos, continuamos nosso legado, nossa esperança, nosso desenvolvimento e nossa paz”, disse.

“O mundo está se transformando em direção ao BRICS”

Em sua intervenção, Purnima Anand apresentou uma perspectiva histórica e pessoal sobre a ascensão do bloco. Ela recordou que percebeu ainda em 2008 o potencial das economias do BRICS e decidiu apostar profissionalmente na construção dessa nova arquitetura internacional.

Na época, Anand trabalhava no Banco Mundial. Segundo relatou, amigos consideravam incompreensível sua decisão de deixar a instituição para dedicar-se ao BRICS.

“Naquele momento, deixar o Banco Mundial para trabalhar pelo BRICS parecia uma ideia muito errada. Mas fizemos isso, enfrentamos dificuldades durante quase 20 anos e hoje estou muito feliz ao ver o patamar que o BRICS alcançou”, afirmou.

Para a presidente do BRICS International Forum, o bloco passou a representar uma transformação mais profunda do sistema internacional.

“Hoje podemos ver, durante a 18ª Cúpula do BRICS, que o mundo inteiro está se transformando em direção ao BRICS”, declarou.

Anand destacou ainda o papel da Índia nessa transformação e defendeu que a construção de uma nova governança internacional tenha como prioridade as populações. “O BRICS deverá cuidar de um desenvolvimento centrado nas pessoas em uma nova ordem de governança global”, afirmou.

Attuch defende esporte livre de divisões políticas

Representando o Brasil, Leonardo Attuch manifestou apoio à iniciativa de Al Mazini e afirmou que a capacidade do esporte de aproximar pessoas é justamente o que torna a criação da BIFA relevante.

“Realmente acredito que esta iniciativa seja muito importante, porque todos sabem como o esporte pode aproximar as pessoas”, disse.

Attuch lembrou que o Brasil sediou a Copa do Mundo de 2014 e que, quatro anos depois, a Rússia realizou a edição de 2018, vencida pela França, que classificou como uma “Copa fantástica”. Em seguida, criticou a permanência de restrições à participação esportiva da Rússia motivadas por questões políticas.

“Fico muito incomodado ao ver que a Rússia continua banida por razões políticas. De alguma forma, isso precisa acabar”, afirmou. “Eu sempre apoio os jogadores russos e bielorrussos porque eles não podem jogar com suas bandeiras, e isso é ruim. O esporte deve unir as pessoas”, afirmou.

Rússia apoia expansão da BIFA

A representante russa Anastasia Dubrovskaia, da Agency for Strategic Initiatives, também manifestou apoio ao projeto e previu seu crescimento a partir da articulação internacional em curso.

“Com todo esse movimento da BIFA, a iniciativa vai crescer cada vez mais e certamente ajudará a levar este projeto adiante”, afirmou.

Dubrovskaia ressaltou ainda a importância do esporte para a sociedade de seu país. “Somos a favor do esporte. Os russos gostam de esporte”, disse, antes de desejar sucesso à iniciativa.

A participação russa ganhou significado especial diante da mensagem central defendida pelos participantes: a ideia de que o esporte pode funcionar como espaço de encontro mesmo quando existem tensões e divergências no cenário internacional.

Unidos pelo futebol, conectados pelos BRICS

O encontro foi realizado sob o lema “United by Football. Connected by BRICS” — “Unidos pelo futebol. Conectados pelos BRICS” e reuniu representantes de diferentes países em torno da ideia de que a cooperação do BRICS deve alcançar também o esporte, a cultura e as relações diretas entre suas sociedades.

As intervenções convergiram para uma mesma tese. Al Mazini apresentou o futebol como instrumento de paz; Purnima Anand situou a iniciativa dentro da transformação mais ampla representada pelo BRICS; Attuch defendeu que o esporte não seja subordinado às divisões políticas; e Dubrovskaia manifestou o apoio russo à expansão do projeto.

O lançamento da BIFA India em Nova Déli reforça, assim, uma dimensão crescente do BRICS: para além da diplomacia entre governos e da cooperação econômica, o bloco busca construir vínculos entre seus povos. Nesse processo, o futebol pode se tornar uma linguagem comum — especialmente para países como Brasil, Rússia e Índia — capaz de transformar competição esportiva em amizade, cooperação e paz.

Fonte: Brasil 247

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