Desmatamento cai 19% no cerrado e sobe 12% na Amazônia em agosto

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Por Rodrigo AndradeICL Notícias

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Por Jéssica Maes

(Folhapress) – Celebrado nesta sexta-feira (11), o Dia do Cerrado traz boas notícias para a região. Os alertas de desmatamento no bioma caíram 19% em agosto, na comparação com o mesmo período do ano passado. No último mês, foram perdidos 238 km² de vegetação nativa, enquanto em 2025 o índice foi de 294 km².

Já na Amazônia houve alta, indo de 319 km² no último ano para 358 km² em 2026, um crescimento de 12%.

Os dados são do sistema Deter, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial), e foram divulgados em evento na capital paulista nesta sexta. O Deter emite alertas de desmate para orientar ações de fiscalização. Já os números oficiais são de outro sistema do instituto, o Prodes, mais preciso e divulgado anualmente.

Historicamente, julho, agosto e setembro concentram a maior quantidade de desmatamento na Amazônia. Estes são os meses mais secos na região, o que facilita a remoção da vegetação. O cenário no Cerrado é parecido, mas o período de seca costuma durar mais e começar antes, ainda em maio.

A época de estiagem também tem menos nuvens e melhores condições de captar imagens de satélite. Por isso, o Inpe mede a “temporada” anual do desmatamento de 1º de agosto de um ano a 31 de julho do ano seguinte.

O período entre agosto de 2025 e julho de 2026 teve os índices mais baixos na Floresta Amazônica de toda a série histórica do Deter, iniciada em 2015.

O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, assinou nesta sexta uma portaria que cria Áreas Prioritárias de Recarga Hídrica no Bioma Cerrado (APRHIC). O novo mecanismo indica regiões que devem concentrar esforços de conservação e restauração, preenchendo uma lacuna das leis ambientais.

Até agora, a legislação protegia margens de rios e nascentes, mas não as áreas de recarga hídrica responsáveis por abastecer aquíferos. O Cerrado é onde nascem 8 das 12 bacias hidrográficas do país — 94% da água do rio São Francisco, por exemplo, vem do bioma.

“A grande dificuldade que nós temos é como otimizar o uso de recursos, tanto financeiros como humanos. Quando esse mecanismo apresenta as areas prioritárias, permite organizar melhor os investimentos”, diz Capobianco. “Com isso, vamos melhorando a saúde de um bioma que vem sofrendo muito ao longo do tempo.”

Para Yuri Salmona, diretor executivo do Instituto Cerrados e um dos responsáveis pelos estudos que subsidiaram a portaria, o texto é um reconhecimento no nível federal da importância da região para a segurança hídrica brasileira.

“Por meio de uma metodologia científica, identificamos e mensuramos essa mecânica que o cerrado tem de infiltrar, armazenar água e distribuir água nos períodos secos. Essa tecnologia levou 60 milhões de anos para ser desenvolvida pela própria natureza”, conta o pesquisador.

A vegetação nativa do Cerrado, com suas raízes profundas, é o que torna possível a recarga dos aquíferos. Quando ela é removida, essa função se perde e rios podem secar. Segundo o levantamento, mais da metade (51,2%) da área do bioma é prioritário para a recarga hídrica.

O mapeamento das áreas mais sensíveis pode ser incorporado, por exemplo, às licenças de autorização de desmatamento concedidas por secretarias de Meio Ambiente.

“Estamos dando subsídio científico para que a gestão pública seja feita não às cegas, para que a gente consiga avaliar as consequências do que é feito e do que deixa de ser feito”, afirma Salmona.

Também nesta sexta, Capobianco assinou uma portaria que regulamenta modalidades de pagamento por serviços ambientais. A regra definine como mecanismos de recompensa pela preservação de propriedades privadas podem fazer o repasse de recursos.

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Fonte: ICL Notícias

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