Entenda em cinco eixos o que a PF pretende esclarecer sobre ‘Dark Horse’

0

Por Leonardo LucenaBrasil 247

247 – A investigação da Polícia Federal sobre o financiamento do filme Dark Horse organiza os principais pontos de apuração em cinco eixos: a fonte do dinheiro, o papel dos personagens ligados à produção, a participação da Entre Investimentos em remessas ao exterior, a identificação dos beneficiários finais de fundos nos Estados Unidos e a obtenção de documentos sobre contratos e pagamentos.

O primeiro ponto mira a origem dos recursos. A PF quer reconstruir o caminho do dinheiro, identificar as fontes dos valores destinados ao filme e verificar onde esses recursos foram aplicados.

A produção ganhou notoriedade após o Intercept Brasil divulgar conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Nos diálogos, o filho mais velho de Jair Bolsonaro solicita recursos para financiar o projeto cinematográfico.

Segundo os documentos, Vorcaro ajudou a financiar o filme, e as negociações envolveram contatos diretos com Flávio Bolsonaro, que pediu dinheiro e pressionava pelos pagamentos. O banqueiro teria repassado R$ 61 milhões aos produtores por meio do fundo Havengate, nos Estados Unidos.

Os documentos que tiveram o sigilo retirado nesta sexta-feira (11) também apontam que Flávio Bolsonaro teria negociado o repasse de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na época, para bancar a produção.

Entre os valores sob análise estão R$ 75,1 milhões, quantia que a produtora afirma ter gasto; R$ 61 milhões, valor que Daniel Vorcaro teria destinado ao filme via fundo nos Estados Unidos; R$ 134 milhões, montante que Flávio Bolsonaro teria negociado antes da prisão de Vorcaro; e R$ 108 milhões, valor do contrato entre a ONG de Karina da Gama e a Prefeitura de São Paulo para instalação de wi-fi na capital paulista.

Atuação dos envolvidos

O segundo eixo da investigação trata da atuação de Flávio Nantes Bolsonaro, Eduardo Nantes Bolsonaro, Mário Luis Frias, Thiago Miranda Silva, Fabiano Campos Zettel, Paulo Sergio Camin Calixto, Altieres Santana e outras pessoas relacionadas ao caso.

A PF pretende delimitar o papel de cada um na produção de Dark Horse e nas operações financeiras ligadas ao filme.

Terceiro eixo

Outro ponto envolve a Entre Investimentos e Participações Ltda. e Antônio Carlos Freixo Júnior. A PF quer esclarecer a participação da empresa e do empresário nas remessas de dinheiro para fora do país.

Freixo Júnior assinou acordo de delação premiada com a PGR na semana passada. No acordo, ele afirmou que realizou sete repasses, a título de “subscrições de cotas”, para o fundo Havengate, nos Estados Unidos.

As transações ocorreram entre janeiro e setembro de 2025, a mando de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Os repasses somaram US$ 12,333 milhões, valor equivalente a R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro de 2025.

A subscrição de cotas ocorre quando um fundo emite novas cotas para ampliar seu patrimônio com aportes de investidores. Segundo o material, os valores foram pedidos a Vorcaro por Flávio Bolsonaro, hoje candidato à Presidência da República.

O senador Flávio Bolsonaro vinha afirmando que Vorcaro havia feito o último pagamento em maio de 2025. O repasse de setembro, de US$ 1,666 milhão, contraria essa versão.

O acordo de delação de Antônio Carlos Freixo Júnior foi firmado com a PGR em 8 de agosto e homologado nesta quarta-feira (9) pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF).

Conhecido como Mineiro, o empresário entregou às autoridades comprovantes das transferências para pagamento das subscrições de cotas e e-mails trocados com Paulo Calixto, responsável pelo fundo Havengate e advogado do deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

A PF quer entender a natureza dessas operações e a relação delas com o financiamento do filme.

Fundos no exterior

O quarto eixo da investigação busca identificar os beneficiários finais da Havengate Development Fund LP e da Havengate Development Fund GP LLC.

Com essa apuração, os investigadores pretendem descobrir quem está por trás dessas estruturas e qual eventual ligação elas têm com os recursos movimentados no caso.

Documentos

A PF também quer reunir documentos que permitam refazer o percurso dos pagamentos e contratos ligados à produção. A lista inclui contratos, aditivos, comprovantes de pagamento, cronogramas de pagamento, instrumentos de câmbio, notas fiscais, documentos societários e comunicações relacionadas ao financiamento do filme.

O objetivo é obter registros capazes de demonstrar como os recursos foram contratados, transferidos e pagos.

Duas investigações no STF

O financiamento de Dark Horse é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal.

O primeiro, sob relatoria de André Mendonça, apura os repasses feitos por Daniel Vorcaro. Investigadores suspeitam que parte dos recursos não tenha sido aplicada no filme. Nesse inquérito, Flávio Bolsonaro aparece na lista de investigados.

O segundo inquérito, relatado por Flávio Dino, investiga se a produtora Go Up Entertainment usou emendas parlamentares para bancar a produção.

Fonte: Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *