Do esterco ao sabão, escola do ES ensina sustentabilidade na prática

0

A Gazeta

Escola de Jaguaré transforma atividades agrícolas em aulas práticas de sustentabilidade e ensina alunos a reaproveitar água, resíduos e energia

Escola de Jaguaré transforma atividades agrícolas em aulas práticas de sustentabilidade
| Raphael Verly

Em uma escola de Jaguaré, no Norte do Espírito Santo, mais de 200 alunos dos ensinos médio e técnico aprendem, na prática, como unir produção agrícola e sustentabilidade. Na Escola Família Agrícola, esterco vira adubo, energia solar é transformada em eletricidade e óleo de cozinha é reaproveitado na produção de sabão.

Todos os dias, os estudantes participam de atividades como cultivo de hortaliças, criação de suínos e aves, piscicultura e compostagem. Parte da produção é destinada ao consumo da própria escola e também a doações.

Produzimos plantações para consumo aqui da escola e para doações para a Casa Lar e pessoas carentes

Yara Soares Gomes | Estudante do 3º ano

A produção do substrato utilizado no plantio também fica por conta dos alunos. O adubo é composto por argila e materiais orgânicos, como palha de café e esterco de bovinos, suínos e aves. Os resíduos vêm tanto da criação de animais na própria unidade quanto de propriedades rurais da região e de famílias de alunos.

No viveiro, os alunos usam o adubo para prática de reflorestamento.

No viveiro, os alunos usam o adubo para prática de reflorestamento
| Raphael Verly

O estudante Danilo Martins conta que o adubo é usado não apenas nas hortaliças, mas também no cultivo de mudas no viveiro da escola. ” Será uma forma de reflorestar. Inclusive, estamos com mudas de ipê para plantar”, disse.

USO CONSCIENTE DE ÁGUA E ENERGIA

Escola de Jaguaré transforma atividades agrícolas em aulas práticas de sustentabilidade e ensina alunos a reaproveitar água, resíduos e energia

Painéis solares abastecem a energia da escola
| Raphael Verly

Para gerar parte da eletricidade utilizada na estrutura, a escola conta com placas de energia solar. Além da economia, o sistema mostra aos estudantes como a sustentabilidade pode ser incorporada no campo e permite que coloquem em prática conteúdos aprendidos em sala de aula.

Com as placas, o custo da energia é reduzido e vemos na prática o que estudamos sobre recursos naturais

Octávio Henrick  | Estudante

A água também é utilizada dentro de um sistema de reaproveitamento. Segundo o estudante Guilherme Souza Bruschi, o abastecimento vem de um poço artesiano e passa por uma caixa central antes de ser destinado ao uso doméstico. Depois, parte da água segue para os tanques de piscicultura e, posteriormente, é utilizada na produção agrícola.

A água é levada para a produção agrícola e volta para a própria natureza. As hortaliças vão para dentro da nossa cozinha e, assim, fazemos todo o uso consciente

Guilherme Souza Bruschi  | Estudante

Escola de Jaguaré transforma atividades agrícolas em aulas práticas de sustentabilidade e ensina alunos a reaproveitar água, resíduos e energia

 Água usada na escola vem de um poço artesiano
| Raphael Verly
SUSTENTABILIDADE NA COZINHA

Na cozinha, os alimentos cultivados pelos próprios alunos são incorporados às refeições. O óleo utilizado no preparo também ganha uma nova função: vira sabão para a limpeza da escola.

“Uma gordura que poderia entupir a pia ou ser jogada fora é utilizada para fazer o sabão”, afirma Octávio. Segundo ele, parte do material produzido também é doada a instituições, como a Casa Lar.

Escola de Jaguaré transforma atividades agrícolas em aulas práticas de sustentabilidade e ensina alunos a reaproveitar água, resíduos e energia

Óleo de cozinha vira sabão nas atividades do colégio
| Raphael Verly
PROTAGONISMO DOS JOVENS DO CAMPO NO ENSINO

Para o diretor da escola, Eric de Oliveira, o método de ensino busca fazer com que os estudantes levem os conhecimentos adquiridos para suas famílias e comunidades.

“A Escola Família Agrícola trabalha com a pedagogia da alternância. É uma educação própria e apropriada para os jovens do campo. A escola trabalha visando ao protagonismo dos jovens, para que não aconteça o êxodo rural e para que eles possam aprender aqui na prática e levar os aprendizados para suas famílias e comunidades”, afirmou.

O que é produzido pela horta da escola agrícola é aproveitado no prato dos alunos e em doações.

O que é produzido pela horta da escola agrícola é aproveitado no prato dos alunos e em doações
| Raphael Verly

Segundo os alunos, o método de ensino já tem reflexos fora da escola. Yara, por exemplo, conta que não sabia fazer o manejo de hortaliças antes de estudar na unidade. Hoje, ela aplica os conhecimentos aprendidos na horta em casa e ajuda na alimentação da família.

Danilo também pretende trabalhar no setor agrícola e diz que utiliza os ensinamentos da escola no dia a dia. “É uma realidade bacana de se viver. Aqui, estou aprendendo bastante para poder levar de volta o conhecimento para a minha família e para a comunidade também”, avaliou.

Guilherme também pretende seguir carreira no campo e destaca a importância da formação para o futuro como técnico em agropecuária.   “A pedagogia da alternância e vivência da realidade são de extrema importância para a nossa vida, futuros técnicos em agropecuária. A vivência da teoria na prática é algo essencial”, finalizou.

Veja Também 

Instituto Terra abre vagas para formação em restauração ambiental

Instituto Terra abre vagas para formação em restauração ambiental

Fonte: A Gazeta

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *