Flávio diz que PF tenta interferir em eleição ao investigar Dark Horse

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DARK HORSE

Congresso em Foco

11/9/2026 | Atualizado às 14:06

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusou nesta sexta-feira (11) a Polícia Federal de tentar criar um fato contra sua candidatura e interferir na eleição ao investigá-lo no caso “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Embora seja formalmente investigado desde julho, a informação só se tornou pública nesta sexta, após a retirada do sigilo de parte das apurações relacionadas ao Banco Master.

Para Flávio, a revelação ocorre justamente quando sua candidatura cresce nas pesquisas e aparece numericamente à frente do presidente Lula em algumas simulações de segundo turno, ainda em cenários de empate técnico.”Por que agora, imediatamente após a gente ultrapassar rapidamente o Lula nas pesquisas, eles tentam criar um fato?”, questionou, durante agenda de campanha em Manaus.

Ao ser perguntado sobre qual parte do caso considerava uma tentativa de desestabilização, respondeu: “Claramente a Polícia Federal do Lula”. O senador sustenta que sua participação se limitou à busca de patrocínio privado para o filme.

O inquérito foi aberto em julho por determinação do ministro André Mendonça, do STF, a pedido da PF e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. A apuração envolve suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas aos recursos destinados à produção.

O procedimento sobre Dark Horse permanece sob sigilo. A existência da investigação contra Flávio veio à tona após Mendonça retirar o segredo de Justiça de outros procedimentos ligados ao caso Banco Master.

Dark Horse: Quebra de sigilo no STF confirma Flávio como investigado

Pedido de R$ 61 milhões

A relação de Flávio com a captação de recursos para o filme já era conhecida. O senador confirmou que pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, e cobrou novos pagamentos para a produção. Vorcaro repassou R$ 61 milhões ao projeto, segundo informações reveladas em maio pelo site Intercept Bra. Flávio nega ter recebido vantagens pessoalmente ou oferecido contrapartidas ao banqueiro.

Apesar de ser o relator do inquérito que o investiga, Mendonça foi elogiado pelo candidato. “O André Mendonça está certo, gente. Ele está sendo juiz. É assim que eu queria que todos os Supremos fossem iguais ao André Mendonça, que não pesassem para lado nenhum. Investiga tudo, todo mundo, com transparência”, afirmou.

Flávio também voltou a negar irregularidades. “É um patrocínio para um filme privado e foi isso. Eu fui atrás de vários investidores. Então, tudo que aparece vai ser mais do mesmo”, disse.

Flávio Bolsonaro nega irregularidade no pedido de dinheiro a banqueiro preso.

Flávio mira Dino

O candidato também pediu que o ministro Flávio Dino, do STF, seja investigado e o acusou de tentar interferir na disputa presidencial. A crítica se refere a outra investigação envolvendo “Dark Horse”, distinta do inquérito relatado por Mendonça.

Na quinta-feira (10), a PF deflagrou a Operação Make Up, autorizada por Dino, para apurar suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares. Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Entre os alvos estavam o deputado Mario Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo de “Dark Horse”, e Karina Gama, produtora do filme. Flávio não estava entre os alvos divulgados.

O senador afirmou ainda que um documento encontrado durante as buscas relata que Karina Gama teria sofrido ameaças e atribuiu as supostas pressões a pessoas ligadas a Dino e ao presidente Lula. A vinculação de ambos às ameaças é uma acusação feita por Flávio. “Estou pedindo que o Dino seja investigado formalmente nessa investigação para que ele pare de tomar decisões tentando interferir nas eleições”, afirmou.

As duas apurações têm objetos distintos: Dino conduz o caso sobre possível desvio de emendas, enquanto Mendonça relata o inquérito relacionado aos recursos do Banco Master destinados ao filme.

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Fonte: Congresso em Foco

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