Vai viajar no fim do ano? IA ajuda a montar roteiro e organizar gastos

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Por Márcio DinizCatraca Livre

Quem pretende viajar no fim do ano já pode contar com a inteligência artificial para algumas das tarefas que costumam tomar tempo durante o planejamento. A tecnologia pode ajudar a definir o roteiro, organizar os gastos, encontrar atividades de acordo com o perfil do viajante e até sugerir onde comer durante a estadia.

O recurso ganha espaço justamente em uma etapa em que muitas decisões precisam ser tomadas ao mesmo tempo. Escolher o destino, distribuir os passeios pelos dias disponíveis, calcular quanto será gasto e conciliar os interesses de quem vai viajar são algumas das situações em que ferramentas de IA podem funcionar como apoio.

Inteligência artificial pode reduzir o tempo de pesquisa e adaptar o roteiro ao perfil do viajante, desde que as informações sejam verificadas

Aplicativos e plataformas baseados em inteligência artificial generativa, como o ChatGPT, conseguem transformar informações fornecidas pelo viajante em sugestões personalizadas. Ao indicar duração da viagem, orçamento, interesses e ritmo desejado, é possível receber uma proposta de roteiro organizada por dias e períodos.

A ferramenta também pode ser usada antes mesmo da definição do destino. O viajante pode informar quanto pretende gastar, em que período deseja viajar e o tipo de experiência que procura para receber sugestões de lugares que estejam de acordo com essas condições. Depois, pode pedir ajustes para tornar o roteiro mais econômico, incluir atrações específicas ou reduzir o número de deslocamentos.

Segundo a Alessandro Silveira, diretor de Transformação e Experiência do Cliente da Biosfera Copastur, empresa especializada em gestão de viagens, a IA já consegue considerar diferentes características de uma viagem para produzir recomendações mais personalizadas. O recurso, porém, funciona melhor como apoio ao planejamento do que como substituto de profissionais ou das fontes oficiais de informação.

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Do roteiro ao controle dos gastos

Uma das aplicações mais práticas está na organização financeira. A IA pode ajudar a estimar despesas com hospedagem, alimentação, transporte e passeios e distribuir o orçamento entre os dias da viagem. Também é possível transformar uma lista de gastos em uma planilha ou separar os valores por categoria.

Na prática, o viajante pode comparar cenários antes de embarcar. Uma mesma viagem pode ser planejada considerando diferentes valores para alimentação, quantidade de atrações pagas ou uso de transporte público e carro. Isso ajuda a visualizar onde é possível economizar antes de fazer as reservas.

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A tecnologia também pode ser útil para organizar a programação. Em vez de simplesmente listar os principais pontos turísticos de uma cidade, o viajante pode pedir que as atrações sejam agrupadas por região para reduzir deslocamentos ou que o roteiro considere o tempo disponível em cada dia.

Restaurantes, cafés, museus, passeios e outras atividades também podem entrar nas sugestões. O resultado tende a ser mais útil quando o pedido traz informações específicas, como preferência gastronômica, faixa de preço, interesse por história ou natureza, presença de crianças ou necessidade de um ritmo mais tranquilo.

O que a IA já consegue fazer

A inteligência artificial pode participar de diferentes etapas do planejamento, principalmente quando o viajante ainda está pesquisando possibilidades. A ferramenta consegue cruzar informações fornecidas pelo usuário e transformar preferências, orçamento e tempo disponível em sugestões de roteiro.

Entre os usos mais práticos estão:

  • Montar um roteiro personalizado: ao informar número de dias, orçamento, interesses e atrações que gostaria de conhecer, o viajante pode receber uma programação organizada de acordo com seu perfil.
  • Encontrar alternativas: a pesquisa pode ser direcionada para diferentes tipos de viagem. Em vez de perguntar apenas o que fazer em Paris, por exemplo, é possível buscar opções para uma viagem econômica, uma experiência gastronômica ou um roteiro com crianças.
  • Organizar informações: uma lista de lugares pode ser transformada em uma programação diária, com atrações próximas reunidas no mesmo período para facilitar os deslocamentos.
  • Ajudar na preparação: a IA também pode organizar listas de documentos e itens para levar, explicar diferenças de moeda, sugerir regiões para hospedagem e reunir informações sobre o clima esperado para o período da viagem.
  • Personalizar a experiência: quanto mais informações o viajante fornece, mais direcionadas tendem a ser as respostas. Uma viagem de cinco dias para um casal que prefere praia e hotéis de categoria superior, por exemplo, terá sugestões diferentes de um roteiro econômico para um grupo de amigos.

O que precisa ser conferido

A praticidade, porém, não elimina a necessidade de verificar as informações. Uma resposta organizada pela IA não significa necessariamente que todos os dados estejam corretos ou atualizados.

Preços de passagens e hotéis, disponibilidade, horários de atrações, regras de entrada, exigências de documentação e condições de transporte podem mudar. Informações sobre clima também devem ser consultadas em serviços meteorológicos atualizados, especialmente quando podem interferir em passeios ao ar livre.

Outro ponto é a logística. Um roteiro que parece adequado no papel pode não considerar filas, trânsito, tempo de deslocamento, conexões de transporte ou alterações na programação de uma atração.

Por isso, uma das formas de aproveitar melhor a tecnologia é pedir que a própria IA indique quais informações precisam ser confirmadas antes de uma compra ou reserva. A ferramenta pode ajudar a identificar o que merece atenção, mas a confirmação deve ser feita diretamente em fontes oficiais e atualizadas.

Para obter respostas mais úteis, o viajante também pode fornecer o máximo de contexto possível. Um pedido para montar um roteiro para Londres, por exemplo, pode incluir:

  • quantidade de dias;
  • orçamento disponível;
  • período da viagem;
  • aeroportos de chegada e saída;
  • perfil dos viajantes;
  • interesses;
  • restrições alimentares;
  • ritmo desejado para os dias;
  • preferência por transporte público, carro ou caminhada;
  • atrações que já estão na lista.

Esse nível de detalhamento permite que a IA trabalhe com informações mais próximas da realidade da viagem, em vez de produzir uma lista genérica de atrações.

Onde entra o fator humano?

O avanço da inteligência artificial no turismo não significa necessariamente a substituição dos profissionais que atuam no setor. A tendência é que tarefas mais repetitivas, como pesquisas e organização de informações, sejam cada vez mais automatizadas, enquanto situações que exigem análise, conhecimento do contexto e capacidade de resolver problemas continuem dependendo da atuação humana.

Essa diferença fica mais evidente quando algo foge do planejamento. Uma alteração de voo, uma greve, um problema climático ou uma questão de segurança pode exigir informações atualizadas e, principalmente, capacidade de ação para encontrar uma solução.

A tecnologia pode acelerar a identificação de alternativas, mas a experiência profissional ajuda a avaliar quais delas são realmente viáveis para aquele viajante.

A Copastur vem ampliando os investimentos nessa frente. Desde 2024, a empresa destinou mais de R$ 100 milhões a soluções de tecnologia, dentro de uma estratégia que inclui o uso de dados e inteligência artificial para reduzir etapas burocráticas e melhorar diferentes momentos da jornada de viagem.

Para o viajante, a mudança significa ter mais recursos para pesquisar e organizar uma viagem por conta própria. Ao mesmo tempo, situações que envolvem exceções, imprevistos e decisões mais complexas continuam sendo pontos em que o conhecimento humano pode fazer diferença.

Na prática, a IA pode ajudar a responder o que faz sentido pesquisar, organizar possibilidades e antecipar pontos de atenção. Já a confirmação das informações e a solução de problemas que surgem pelo caminho continuam dependendo de fontes atualizadas e, quando necessário, da atuação de profissionais especializados.

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Fonte: Catraca Livre

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