Flávio Bolsonaro encontrou-se com Vorcaro antes de cobrar verbas para Dark Horse, aponta PF

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Por Guilherme LevoratoBrasil 247

247 – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reuniu-se presencialmente com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em 20 de agosto de 2025, poucas semanas antes de enviar áudios ao banqueiro cobrando repasses de patrocínio para a produção do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL). As informações constam em relatório da Polícia Federal (PF) tornado público por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido do presidente do tribunal, Edson Fachin.

Com base em dados extraídos do celular de Vorcaro, os investigadores identificaram que o banqueiro enviou uma mensagem ao parlamentar sugerindo um horário para um “provável encontro presencial entre ambos”. Em resposta à sinalização, o senador afirmou que estava “a caminho”.

O desdobramento seguinte registrado nas investigações ocorreu em 8 de setembro de 2025. Na ocasião, Flávio enviou mensagens de áudio a Vorcaro questionando o atraso nas parcelas dos recursos acordados para a obra cinematográfica. O parlamentar demonstrou preocupação com o pagamento do cachê do ator norte-americano Jim Caviezel, escalado para interpretar Jair Bolsonaro na produção.

De acordo com o documento da PF, os interlocutores trocaram novas mensagens que indicam outro encontro presencial ainda em setembro de 2025, além de ligações registradas com o objetivo de agendar reuniões adicionais.

“Tais elementos indicam que Flávio não aparece apenas como terceiro mencionado em comunicações de outras pessoas, mas como interlocutor direto de Vorcaro em tratativas relacionadas ao financiamento da produção, inclusive com cobranças de pagamentos, reuniões presenciais e acompanhamento do andamento das gravações”, assinala trecho do relatório policial.

Em maio deste ano, após publicação do portal Metrópoles, o senador confirmou ter se encontrado presencialmente com o banqueiro em São Paulo, em dezembro de 2025, momento em que Vorcaro já cumpria medidas cautelares com uso de tornozeleira eletrônica.

Operador financeiro fecha colaboração premiada

Os relatórios da Polícia Federal apontam ainda que o fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos, permaneceu inativo do ponto de vista operacional por quase quatro anos. A estrutura voltou a movimentar recursos em fevereiro de 2025, ao receber a primeira remessa de US$ 2 milhões destinada ao financiamento da obra cinematográfica.

O fundo é gerido pelo advogado de imigração Paulo Calixto, pessoa próxima ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Uma das frentes de apuração da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) busca esclarecer se parte dos valores repassados ao Havengate foi utilizada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro no exterior. O ex-deputado transferiu residência para o estado do Texas em fevereiro de 2025, alegando perseguição política no Brasil.

Em acordo de colaboração premiada firmado com a PGR, o operador do mercado financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, confirmou ter efetuado sete transferências bancárias para o fundo Havengate ao longo de 2025, totalizando US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 69 milhões na cotação da época), a mando de Daniel Vorcaro. As operações ocorreram entre fevereiro e setembro do ano passado. O sétimo repasse, no valor de US$ 1,66 milhão (cerca de R$ 9 milhões à época), foi identificado em reportagem da revista Piauí.

A defesa de Mineiro participou de audiência de cerca de 20 minutos com um juiz auxiliar do gabinete do ministro André Mendonça para ratificar os termos do acordo de delação quanto à voluntariedade, regularidade e legalidade dos depoimentos, etapa formal que antecede a análise de homologação pelo relator.

Além das remessas bancárias, o delator informou ter realizado entregas de dinheiro em espécie, transportado em malas, a pessoas indicadas por Vorcaro. O operador alegou desconhecer a destinação final dos montantes entregues em mãos.

Fonte: Brasil 247

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