PF aponta que Eduardo Bolsonaro orientou gestão nos EUA de dinheiro destinado a ‘Dark Horse’
Por Vinícius Nunes — Carta Capital
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Fundo ligado a advogado próximo ao ex-deputado ficou inerte por quase quatro anos antes de receber US$ 2 milhões. A investigação apura destino dos recursos e possível uso em outras finalidades
A Polícia Federal aponta que Eduardo Bolsonaro (PL) participou da estruturação da forma como seriam administrados nos Estados Unidos os recursos destinados ao filme Dark Horse , cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL). Segundo relatório da corporação, o fundo Havengate , controlado pelo advogado Paulo Calixto, próximo ao ex-deputado, ficou praticamente inativo por quase quatro anos antes de começar a receber transferências relacionadas à produção.
O fundo, sediado no Texas, havia sido criado originalmente para um empreendimento imobiliário de 21 milhões de dólares em 2020. Segundo a PF, porém, permaneceu “operacionalmente inerte” até 13 de fevereiro de 2025, quando recebeu 2 milhões de dólares da Entre Investimentos, do empresário Antonio Carlos Freixo Júnior , conhecido como Mineiro.
As informações constam da representação da PF que embasou a abertura da investigação sobre o financiamento de Dark Horse e foram tornadas públicas depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça retirou parcialmente o sigilo do caso Master . A investigação específica sobre o filme e suas diligências, contudo, continua sob sigilo.
Segundo a PF, o fundo Havengate poderia receber ao todo 24 milhões de dólares de Daniel Vorcaro , o equivalente a cerca de 122 milhões de reais na cotação mencionada no relatório. Os pagamentos, no entanto, foram interrompidos após a prisão do ex-banqueiro .
Um dos elementos usados pelos investigadores são mensagens atribuídas a Eduardo Bolsonaro. De acordo com a PF, o publicitário Thiago Miranda encaminhou a Vorcaro a captura de tela de uma conversa na qual Eduardo dava orientações sobre a maneira de administrar os recursos nos Estados Unidos.
A Procuradoria-Geral da República também considerou a mensagem ao analisar o pedido de investigação. Segundo a PGR, Eduardo teria colocado à disposição a estrutura ligada ao Havengate para viabilizar a operação dos recursos .
A apuração busca esclarecer, entre outros pontos, se os valores enviados ao fundo tiveram exclusivamente a finalidade declarada de financiar o filme. Uma das linhas de investigação da PF e da PGR é verificar se parte dos recursos também poderia ter sido utilizada para financiar a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos .
O empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, firmou acordo de colaboração com a PGR. Segundo o relato apresentado aos investigadores, ele fez sete transferências para o Havengate, a pedido de Vorcaro, que somaram 12,3 milhões de dólares, cerca de 69 milhões de reais na cotação da época.
As transferências ocorreram entre fevereiro e setembro de 2025. Eduardo havia se mudado para o Texas em fevereiro daquele ano. A PF e a PGR investigam se os recursos enviados ao fundo foram integralmente destinados à produção de Dark Horse ou se tiveram outras finalidades.
O acordo de Mineiro foi homologado nesta semana por Mendonça, que também é o relator das investigações relacionadas ao Banco Master e autorizou em julho a abertura do procedimento específico para apurar a participação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no financiamento do filme.
A divulgação das informações ocorre justamente na data em que Dark Horse deveria chegar aos cinemas : 11 de setembro de 2026 havia sido anunciada como o dia de estreia do filme em abril, antes de a produção se tornar um dos focos das investigações sobre o Banco Master.
A produtora Go Up Entertainment optou por adiar a chegada às telonas para depois do período eleitoral e aguardar o desfecho das investigações. O projeto também enfrenta dificuldades para fechar contrato com uma distribuidora que viabilize a exibição comercial no Brasil e no exterior.
O cenário também alcança Eduardo diretamente por outra frente. Nesta sexta-feira 11, a Primeira Turma do STF começa a julgar, em plenário virtual, o recurso apresentado contra sua condenação a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo. O julgamento está previsto para seguir até 18 de setembro.
O caso é relacionado às ações de intimidação promovidas por Eduardo Bolsonaro contra autoridades brasileiras nos Estados Unidos. Conforme a condenação, há comprovação de que o deputado cassado articulou sanções contra o Brasil com integrantes da gestão de Donald Trump para pressionar o STF a reverter a condenação de Jair Bolsonaro por golpe de Estado.
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Fonte: Carta Capital