Joias, dinheiro e esquema de offshore nas Ilhas Cayman: o que a PF encontrou no escritório de Vorcaro

0

Por Guilherme LevoratoBrasil 247

247 – Um relatório detalhado da Polícia Federal registrou o inventário completo dos bens e documentos apreendidos durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão no escritório de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A ação policial revelou a posse de joias de alto valor, moedas estrangeiras armazenadas em cofres de grande porte, além de um esquema de negócios estruturado em paraíso fiscal registrado em uma lousa corporativa.

De acordo com o documento assinado pela equipe policial responsável pela diligência, a entrada dos agentes no edifício onde funcionava o escritório do empresário foi inicialmente retardada pela equipe de segurança do prédio. Os seguranças tentaram barrar os policiais sob a alegação de que não havia autorização de reconhecimento facial cadastrada para a liberação na portaria. O acesso só foi concedido após os agentes federais informarem que fariam o uso da força para cumprir a ordem judicial caso persistisse a recusa.

Acompanhados por seguranças do próprio condomínio comercial, que atuaram como testemunhas da operação, os policiais dirigiram-se ao 13º andar, local onde funcionava o escritório principal de Vorcaro.

Relógio de luxo, joias e certificados de autenticidade

Durante as buscas na sala principal, os peritos da Polícia Federal localizaram e apreenderam um relógio de luxo da marca Cartier, guardado em uma das gavetas da mesa de trabalho de Vorcaro. No mesmo ambiente, a equipe recolheu diversas caixas de presente e estojos contendo joias, pulseiras, anéis e correntes. Em uma caixa mantida no local, os agentes encontraram ainda múltiplos certificados de autenticidade relativos às peças de valor.

Cofres de grande porte com euros, dólares e reais em espécie

A varredura policial estendeu-se ao 7º andar do edifício, identificado pelas investigações como o setor de tesouraria da empresa. No local, foram encontrados dois cofres de grande porte.

O primeiro compartimento continha pastas organizadas com documentos internos sobre movimentações da tesouraria. Já o segundo cofre armazenava expressivas quantias em dinheiro vivo, divididas em maços de cédulas em moeda nacional (reais) e em moedas estrangeiras, com maços de notas de euros e dólares.

Organograma de offshore nas Ilhas Cayman em lousa e contratos

Um dos elementos centrais destacados no relatório fotográfico da Polícia Federal foi o registro de um painel no escritório do empresário contendo um organograma desenhado à mão. A anotação trazia a indicação “Titan Cayman”, apontada pela corporação como uma provável trust sediada nas Ilhas Cayman, paraíso fiscal localizado no Caribe, com conexões diretas em linha com a entidade “Master Holding”.

Conforme o relato prestado por uma advogada da empresa aos policiais federais, os negócios ilustrados no quadro teriam sido pactuados na noite anterior à deflagração da operação. Além das anotações no painel corporativo, a PF apreendeu pastas contendo contratos de negociação de bens e valores imobiliários, bem como computadores protegidos por senhas, que passaram por perícia para instruir os autos do inquérito.

Diálogos e suspeita de repasses mensais a ex-chefe do Banco Central

A investigação da Polícia Federal interceptou também trocas de mensagens que revelam a proximidade entre Daniel Vorcaro e Belline Santana, ex-chefe de supervisão do Banco Central do Brasil. Em uma das conversas analisadas, o ex-banqueiro afirma a Santana: “vamos vencer essa guerra”, recebendo como resposta do então servidor público: “Sempre!!! Com certeza”.

A apuração indica que Vorcaro realizava pagamentos de até R$ 760 mil por mês ao servidor da autarquia monetária. Os detalhes da relação vieram à tona após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de 15 procedimentos investigativos vinculados ao Caso Banco Master. A decisão atendeu a uma solicitação do presidente da Corte, ministro Edson Fachin.

Segundo o relatório da PF, o vínculo entre o ex-controlador da instituição e Belline Santana remonta a pelo menos outubro de 2023, data do primeiro contato registrado entre ambos. Em 14 de agosto de 2025, o ex-servidor do Banco Central voltou a procurar o banqueiro para comentar a conjuntura do mercado, afirmando que “parece que o dia não está acabando tão pessimista”. Vorcaro respondeu: “ainda estamos vivos, então há esperança. Vamos vencer essa guerra”.

Os autos apontam que, em diversas ocasiões, o servidor público repassou informações sigilosas de órgãos governamentais e prestou assessoria ao empresário sobre como conduzir tratativas perante o próprio Banco Central. Em um dos trechos destacados pela perícia, Santana deu orientações diretas sobre como Vorcaro poderia aprimorar a redação de uma minuta apresentada à autoridade monetária referente às negociações envolvendo o Banco Regional de Brasília (BRB) e o Banco Master.

Fonte: Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *