O triplo papel da Operação Make Up
Por Paulo Henrique Arantes — Brasil 247
A Operação Make Up da Polícia Federal, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, no âmbito do inquérito que apura irregularidades na destinação de emendas parlamentares, teve o triplo condão de: 1, desvendar crimes de peculato, lavagem de dinheiro, falsidade documental, organização criminosa e fraudes em licitações; 2, desenhar para o Brasil inteiro, eleitores em especial, os meios de financiamento de atividades golpistas de bolsonaristas no exterior; e 3, posicionar Dino como um baluarte real do combate à corrupção, ao contrário da volátil imagem que André Mendonça desejava para si.
O modus operandi da turma que cuidava da hagiografia de Jair Bolsonaro é crime organizado em estado puro.
Cabia a Mário Frias, deputado do PL carioca, a sujeirada com as emendas parlamentares e, ao que parece, a coordenação geral do esquema. A eclética empresária e “produtora” Karina Gama era peça central na gestão das entidades parceiras que recebiam o dinheiro. De acordo com a PF, ela era o principal elo entre organizações beneficiárias e empresas terceirizadas.
O dinheiro movimentado para, falsamente, produzir Dark Horse foi enviado para o Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e administrado por Paulo Calixto, advogado próximo a Eduardo Bolsonaro. Embora a hagiografia estivesse sendo filmada majoritariamente no Brasil, a PF descobriu que a maior parte dos gastos de pré-produção ocorreu nos Estados Unidos. O volume e a natureza dessas despesas em solo americano levantaram o alerta de que o orçamento do filme estaria camuflando o custeio da vida nababesca de Eduardo na terra de Donald Trump. Parece evidente, mas a prova cabal ainda virá.
O que era provável em pouco tempo estará provado, pois o inquérito que enquadrou Dark Horse está nas mãos do ministro Flávio Dino, não de André Mendonça. O juiz terrivelmente bolsonarista, cuja estratégia para beneficiar Flávio Bolsonaro na eleição presidencial parecia exitosa, alvejou Alexandre de Moraes, cujo armário guarda tenebrosos esqueletos. Mas não anteviu a célere judicatura de Dino.
A condução do inquérito das emendas parlamentares por Flávio Dino atropelou o ritmo tartaruga, ou a vista cega, que André Mendonça imprimia ao inquérito do Banco Master. A cada ato de Dino, fica mais difícil a Mendonça blindar bolsonaristas e suas relações promíscuas com Daniel Vorcaro.
Nessa briga de peixes grandes, Flávio Dino é o tubarão diante do lambari André Mendonça. Fora do STF, adentrando-se a canhestra seara parlamentar, resta a figura de Mário Frias, insuportável puxa-saco dos Bolsonaros, personalidade execrada nos meios artísticos e culturais. Crítico irascível da Lei Rouanet quando secretário da Cultura no governo Jair, mostra hoje, com Dark Horse, qual é seu modo preferido de captar recursos para projetos “culturais”.
Fonte: Brasil 247