Ministros do STF pressionam Fachin a levantar sigilo total dos casos Master e Dark Horse
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – A decisão de determinar o levantamento parcial do sigilo em uma investigação envolvendo o Banco Master deflagrou uma onda de críticas internas e gerou forte irritação entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira (11), informa a CNN Brasil. Diante do mal-estar instaurado na Corte, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, passou a sofrer forte pressão por parte de um grupo de magistrados para que ordene a divulgação na íntegra de todo o conteúdo do processo.
A insatisfação dos integrantes do tribunal reside no fato de que trechos sensíveis do apuratório permaneceram sob segredo de justiça, enquanto outras partes foram tornadas públicas. Entre os pontos mantidos sob sigilo, segundo relatos de magistrados, estão detalhes que envolvem o ministro Dias Toffoli no caso do Tayayá Resort, além de desdobramentos da investigação que apura o financiamento do filme “Dark Horse”.
Por outro lado, o trecho tornado público expõe menções ao senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República. A documentação liberada menciona que o parlamentar é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro, porém sem detalhar os elementos probatórios ou o contexto aprofundado das acusações.
A atitude do relator, ministro André Mendonça, de solicitar a publicidade seletiva do caso pegou os colegas de Supremo de surpresa. A expectativa predominante entre os magistrados era de que o compartilhamento dos dados sigilosos ocorresse estritamente no âmbito interno do tribunal, restrito aos membros da Corte.
Nos bastidores do STF, o clima é de forte tensão. Uma ala de ministros avalia articular para que o pedido de investigação apresentado contra o próprio André Mendonça seja pautado e analisado na mesma sessão em que o Plenário julgará o pedido de investigação voltado contra o ministro Alexandre de Moraes. A análise desses requerimentos está prevista para ocorrer na próxima terça-feira (15).
O cenário de instabilidade traz ainda o indicativo de que o próprio Alexandre de Moraes estuda pedir autorização para participar da votação em plenário. O rito processual para a condução do caso, no entanto, permanece indefinido, e o presidente Edson Fachin deve realizar uma série de reuniões de alinhamento com os demais ministros para definir os próximos passos antes da sessão.
Fonte: Brasil 247