Quem é o dentista acusado por várias mulheres de transmitir HIV de propósito
Por Laís Gouveia — Brasil 247
247 – Réu por transmitir HIV a três mulheres, Jean José Dunga de Oliveira, de 41 anos, responde a uma ação penal em Rondônia que inclui acusações de lesão corporal gravíssima, perigo de contágio de doença grave e, em dois dos casos, estupro. Ele já foi condenado em outro processo por transmitir o vírus à então namorada.
Segundo o g1, Jean foi condenado a cinco anos de prisão em regime semiaberto e ao pagamento de R$ 50 mil de indenização à vítima desse primeiro processo. A ação envolvendo as outras três mulheres ainda tramita no 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO).
O Ministério Público de Rondônia (MP-RO) afirma que Jean continuou a se relacionar com outras mulheres mesmo depois de já responder criminalmente pelas primeiras denúncias. A pedido do órgão, a Justiça decretou uma nova prisão preventiva, cumprida na quarta-feira (9), sob o argumento de que havia risco de novas transmissões caso ele permanecesse no regime semiaberto.
As investigações começaram a partir de atendimentos realizados pelo Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navit), ligado ao MP-RO. A primeira denúncia foi registrada em 4 de dezembro de 2025. A mulher relatou ter sofrido violência sexual e descoberto posteriormente que vivia com HIV.
Seis dias depois, uma segunda mulher procurou atendimento e apresentou relato semelhante. Em janeiro de 2026, uma terceira vítima chegou ao Navit por encaminhamento do Serviço de Atendimento Especializado (SAE), em Porto Velho.
Os três casos foram reunidos em uma única ação penal. Jean foi denunciado por lesão corporal gravíssima e perigo de contágio de doença grave. Em relação a duas das mulheres, também passou a responder pelo crime de estupro.
De acordo com informações profissionais disponíveis na internet citadas pelo g1, Jean se apresenta como cirurgião-dentista especializado em implantodontia.
Mesmo durante a tramitação dessa ação, ele iniciou um relacionamento com uma quarta mulher, identificada pelo nome fictício de Marta para preservar sua identidade. Segundo o relato da vítima, os dois permaneceram juntos por cerca de um mês, até que ela apresentou sintomas e recebeu o diagnóstico de HIV.
Marta procurou o Navit em 28 de maio e relatou:
“Fui contaminada de forma intencional, ou seja, de forma criminosa, por uma pessoa que havia usufruído de toda intimidade da minha casa e família e que conhecia todas as minhas comorbidades e problemas emocionais”, lamenta.
O caso deu origem a uma segunda ação penal. Jean foi preso em junho e, em 24 de agosto, condenado por lesão corporal à pena de cinco anos em regime semiaberto, além da indenização de R$ 50 mil.
A nova prisão preventiva foi solicitada pelo MP-RO mesmo depois dessa condenação. O órgão sustentou que a permanência do acusado no regime semiaberto representaria risco iminente de novas contaminações.
Segundo a denúncia do Ministério Público, Jean sabe há aproximadamente dez anos que vive com HIV e teria optado por não seguir o tratamento antirretroviral. A acusação sustenta que há suspeita de que essa decisão tenha sido tomada com o objetivo de transmitir o vírus às mulheres com quem se relacionava.
O tratamento antirretroviral adequado pode reduzir a carga viral a níveis indetectáveis. Nessas condições, a pessoa vivendo com HIV não transmite o vírus por via sexual.
O MP-RO considera ainda a possibilidade de existirem outras vítimas não identificadas. Pessoas em Rondônia que tenham recebido diagnóstico de HIV e suspeitem de exposição relacionada ao investigado podem procurar o Navit pelo WhatsApp (69) 99906-6411 ou pelo telefone (69) 98408-9931.
Quem suspeitar de exposição ao vírus também pode procurar unidades básicas de saúde, UPAs ou o Serviço de Atendimento Especializado de Porto Velho para realizar teste de HIV de forma gratuita e sigilosa.
Fonte: Brasil 247