Relatório da PF mostra que Vorcaro soube de investigação sigilosa antes de operação

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Por Redação Brasil 247Brasil 247

247 – O banqueiro Daniel Vorcaro teve acesso antecipado a informações sigilosas sobre a investigação do Banco Master, incluindo a vara responsável, o nome do juiz e a identidade de integrantes da equipe que conduzia o caso, segundo relatório da Polícia Federal.

As informações constam de documentos divulgados após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de 15 procedimentos relacionados ao caso Master. A decisão foi tomada na noite de quinta-feira (11), a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin. O conteúdo foi revelado pela CNN Brasil.

Em um pedido de prorrogação do inquérito apresentado em novembro de 2025, a delegada responsável pela investigação afirmou que a corporação havia reunido elementos considerados consistentes sobre o conhecimento prévio do banqueiro.

“Já foram consolidados indícios veementes de que o investigado, Daniel Bueno Vorcaro, soube de maneira antecipada e antes da deflagração não apenas o fato de existir investigação criminal em curso, mas também a vara, o nome do juiz que conduzia o feito, bem como o nome de diversos membros da equipe de investigação”, declarou a delegada no documento.

A PF relacionou o acesso antecipado às informações à suspeita de que Vorcaro pretendia sair do Brasil para evitar uma eventual ordem de prisão. O banqueiro foi detido em 18 de novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero.

“Além da gravidade da situação descrita anteriormente, que corrobora a intenção de fugir do principal investigado nos autos”, registrou a delegada ao justificar a necessidade de continuidade das apurações.

O documento tornado público não esclarece como Vorcaro tomou conhecimento da investigação nem identifica quem teria fornecido os dados protegidos. A Polícia Federal também não afirma que o banqueiro soubesse a data em que a operação seria deflagrada.

A conclusão apresentada pela equipe investigativa é mais restrita: mesmo com o inquérito sob sigilo, Vorcaro teria obtido previamente informações sobre a estrutura e os responsáveis pela apuração.

Operação investiga transações entre Master e BRB

A Operação Compliance Zero apura suspeitas de fraudes em operações financeiras envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Vorcaro, apontado pela PF como o principal investigado, foi preso na fase inicial da ofensiva policial.

A divulgação dos documentos ocorreu em meio ao acirramento da crise interna no STF. Relatórios da Polícia Federal publicados nos últimos dias incluíram mensagens e registros de contatos entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

Mendonça compartilhou o material e encaminhou o caso para análise do plenário da Corte. A Procuradoria-Geral da República (PGR), entretanto, questionou a legalidade da apuração, enquanto Moraes acusou o colega de cometer irregularidades na condução das investigações.

O conflito também atingiu a direção da Polícia Federal. Mendonça determinou o afastamento de integrantes da cúpula da corporação, entre eles o diretor-geral, Andrei Rodrigues. Posteriormente, o ministro Flávio Dino reverteu a medida.

Diante das decisões divergentes, Fachin suspendeu as determinações de Mendonça e Dino. O presidente do STF estabeleceu ainda que procedimentos envolvendo ministros da Corte deverão ser submetidos previamente à Presidência do tribunal.

Fonte: Brasil 247

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