Mario Frias vira alvo da PF em investigação sobre o filme “Dark Horse”
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – A Polícia Federal investiga se recursos de emendas parlamentares apresentadas pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP) foram desviados para financiar “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A operação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), cumpriu 49 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (10).
Segundo a Folha de S.Paulo, Frias, que escreveu o roteiro e atuou como produtor executivo da obra, foi um dos alvos das buscas. A ação também alcançou Karina Gama, responsável pela Go Up Entertainment, produtora do filme, e ocorreu em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
A suspeita central envolve R$ 750 mil transferidos à Go Up durante o período de filmagem. Os investigadores apuram se o dinheiro teve origem em parte dos R$ 2 milhões destinados por Frias ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização não governamental presidida por Karina.
Dino proibiu o deputado de deixar o país e retirou o sigilo da investigação. A PF também apreendeu sete armas registradas em nome de Frias, mas localizadas em endereço diferente daquele informado nos registros. O caso deverá gerar uma apuração específica sobre possível posse ilegal de arma de fogo.
Caminho do dinheiro é investigado
A investigação foi fundamentada em movimentações financeiras identificadas em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e em informações da Controladoria-Geral da União (CGU).
De acordo com o relatório policial, os R$ 2 milhões destinados por Frias ao ICB foram repassados por meio de duas emendas parlamentares. Metade do valor deveria financiar um projeto de letramento digital.
Entre fevereiro e março de 2025, duas organizações ligadas a um fornecedor de Karina — Dinâmica Editora e Instituto Super Poder Educacional — receberam R$ 700 mil do ICB. Meses depois, entre novembro e dezembro, a NTT Brasil, terceira empresa vinculada ao mesmo fornecedor, transferiu R$ 750 mil à Go Up Entertainment.
O repasse ocorreu durante as gravações de “Dark Horse”. A PF ressalva, no entanto, que “os elementos disponíveis não permitem afirmar” que os R$ 750 mil tenham “origem direta” nos recursos recebidos pelo instituto. Para os investigadores, as datas, os valores e as conexões entre as empresas constituem “circunstâncias relevantes” para a análise do fluxo financeiro.
No período das filmagens, entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025, a Go Up pagou R$ 906,7 mil a um hotel e R$ 653 mil a uma empresa de alimentação. A polícia relaciona essas despesas ao aporte feito pela NTT e destaca que a produtora é a responsável pelo filme sobre Bolsonaro.
Transferências de Frias entram na apuração
Outro ponto investigado são as transferências pessoais realizadas por Frias à Go Up. Conforme os documentos do inquérito, o parlamentar repassou R$ 645,4 mil à empresa entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025.
A PF avalia que o total movimentado em menos de dois meses não seria compatível com a remuneração mensal do deputado, calculada em R$ 44.008,52. Para os investigadores, a diferença levanta dúvidas sobre a origem dos recursos usados nas transferências à empresa de Karina.
Frias contestou a operação e afirmou que as emendas financiaram ações sociais. Em vídeo publicado nas redes sociais, classificou a investigação como uma “cortina de fumaça”.
“A investigação é sobre uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões que eu destinei para contemplar um projeto esportivo e outro de letramento digital para tirar crianças da rua, para ensinar crianças, jovens, adolescentes a se desenvolverem intelectualmente”, declarou.
O deputado afirmou ainda que sua defesa tenta obter acesso ao inquérito “há meses” e que acompanha o andamento do caso por notícias publicadas pela imprensa.
“Se há uma nota que a CGU quer ver, isso se resolve com documento, não com operação em ano de eleição, cortina de fumaça”, disse Frias.
Compra de veículo em dinheiro vivo
A decisão de Dino registra que a produtora adquiriu um BYD Song Plus 1.5 híbrido por R$ 102 mil, pagos em espécie. A transação também integra os elementos examinados pela PF.
Procurada pela Folha, Karina não respondeu. Anteriormente, em declaração à coluna Mônica Bergamo, ela negou irregularidades, disse sentir-se ameaçada e afirmou que não teria informações para delatar caso fosse presa. A reportagem não conseguiu localizar representantes da Dinâmica Editora, do Instituto Super Poder Educacional e da NTT Brasil.
Filme também aparece no caso Banco Master
“Dark Horse” já estava relacionado a outra frente de investigação decorrente do caso Banco Master. O Intercept Brasil revelou que Flávio Bolsonaro negociou com o banqueiro Daniel Vorcaro um financiamento de R$ 134 milhões para a produção. Desse total, teriam sido transferidos ao menos R$ 63,7 milhões.
Flávio Bolsonaro não é investigado no inquérito relatado por Dino, que apura as movimentações envolvendo a Go Up e as emendas de Frias. A participação do senador nas negociações sobre o filme integra outra apuração, sob a relatoria do ministro André Mendonça.
Durante agenda de campanha em Boa Vista, Flávio acusou Dino de usar a investigação para interferir na eleição presidencial.
“Não tem absolutamente nada de errado com esse filme, não tem um centavo do dinheiro público. Pode revirar do avesso. O que tem é uma tentativa de interferência política mais uma vez, agora do ministro Flávio Dino, sobre as eleições”, afirmou.
Fonte: Brasil 247