Justiça torna TH Joias réu por tráfico, corrupção e comércio de armas

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Por Leonardo LucenaBrasil 247

247 – A 1ª Seção do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) tornou réu nesta quinta-feira (10) o ex-deputado estadual TH Joias, nome político de Thiego Raimundo de Oliveira Santos (MDB-RJ), por crimes que incluem tráfico de drogas, corrupção, contrabando e comércio ilegal de armas. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), o caso envolve uma organização ligada ao Comando Vermelho (CV) que teria atuado dentro da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e de estruturas do governo estadual.

De acordo com o MPF, o TRF2 recebeu a denúncia por unanimidade, com seis votos favoráveis. O material fornecido informa que outros cinco acusados também viraram réus, mas cita nominalmente apenas quatro além de TH Joias: Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio; Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu; o ex-secretário estadual Alessandro Pitombeira Carracena; e o delegado da Polícia Federal Gustavo Stteel.

A Procuradoria sustenta que o grupo formou uma organização estável para atuar em diferentes frentes criminosas, entre elas a entrada clandestina de armas no Rio de Janeiro a partir do Paraguai, a distribuição de drogas e o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.

A investigação faz parte da Operação Zargun e também alcança a importação ilegal de equipamentos usados para bloquear sinais de drones.

MPF aponta infiltração na Alerj e no governo do Rio

Segundo a denúncia, a estrutura investigada teria ocupado espaços no poder público para facilitar atividades ilegais e proteger integrantes da organização.

O MPF afirma que o esquema envolvia acesso a cargos públicos, vazamento de informações policiais e uso de relações institucionais para obtenção de vantagens.

A Procuradoria também atribui ao grupo participação no comércio de armas e munições destinadas a áreas sob influência do Comando Vermelho no Rio.

Parte desse armamento teria entrado no país pelo Paraguai antes de seguir para comunidades da capital fluminense.

Grupo teria importado bloqueadores de drones

A denúncia inclui ainda a compra clandestina de equipamentos capazes de interferir em sinais de drones.

Segundo o MPF, integrantes da organização teriam utilizado esses dispositivos para dificultar o monitoramento realizado pelas forças de segurança durante operações policiais.

A legislação restringe o uso desses aparelhos, e a investigação aponta que o grupo trouxe os equipamentos ao país por meio de contrabando.

Os agentes também apuram a conexão entre essa estrutura e outras atividades atribuídas ao grupo, como tráfico de drogas, circulação ilegal de armamento e corrupção de servidores públicos.

Crimes atribuídos a TH Joias

O Ministério Público Federal acusa TH Joias de integrar organização criminosa majorada.

A denúncia também atribui ao ex-deputado três episódios de tráfico de drogas, 11 ocorrências de contrabando de equipamentos, 13 atos de corrupção ativa e comércio ilegal de arma de fogo e munições.

O MPF coloca o ex-parlamentar entre os integrantes da estrutura que teria operado a partir de contatos políticos e institucionais no Rio de Janeiro.

Índio responde por tráfico internacional de armas

Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio, também passou a responder à ação penal após o TRF2 aceitar a denúncia.

O MPF atribui a ele organização criminosa majorada, quatro episódios de tráfico internacional de armas de fogo, seis ocorrências de comércio ilegal de armas e munições e dois casos de posse ou porte ilegal de arma de uso restrito.

A Procuradoria também aponta disparo de arma de fogo, quatro episódios de tráfico de drogas, 11 ocorrências de contrabando de equipamentos e 13 atos de corrupção ativa.

Dudu também aparece no núcleo investigado

Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, conhecido como Dudu, responde por organização criminosa majorada, tráfico internacional de armas de fogo e seis episódios de comércio ilegal de arma e munições.

O MPF também atribui a ele posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, quatro episódios de tráfico de drogas, 11 casos de contrabando de equipamentos e 13 atos de corrupção ativa.

Ex-secretário e delegado respondem por corrupção passiva

O ex-secretário estadual Alessandro Pitombeira Carracena virou réu por organização criminosa majorada e sete episódios de corrupção passiva, segundo a acusação.

O delegado da Polícia Federal Gustavo Stteel responde por organização criminosa majorada e seis episódios de corrupção passiva.

A investigação busca esclarecer de que forma agentes ligados ao poder público teriam colaborado com a estrutura investigada e quais informações ou facilidades chegaram ao grupo.

TH Joias já responde a outra ação no STF

A decisão do TRF2 soma-se a outro processo penal relacionado à Operação Zargun.

Em agosto, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) tornou réus TH Joias, o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, Jéssica de Oliveira Santos, mulher de TH, e Thárcio Nascimento Salgado.

Nesse processo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa o grupo de obstruir uma investigação.

Segundo a denúncia, os envolvidos teriam atuado entre 2 e 3 de setembro de 2025 para repassar informações sigilosas sobre a Operação Zargun antes do cumprimento das medidas policiais.

A PGR afirma que o vazamento permitiu que TH Joias, então deputado estadual e um dos principais alvos da ação, retirasse objetos de sua residência antes da chegada dos agentes.

A acusação sustenta que os envolvidos agiram de maneira coordenada para dificultar a investigação sobre uma organização associada ao tráfico internacional de armas e drogas, à corrupção de agentes públicos e à lavagem de dinheiro.

Com o recebimento da nova denúncia pelo TRF2, TH Joias passa a responder também na Justiça Federal pelas acusações relacionadas ao núcleo investigado por tráfico, contrabando, corrupção e comércio ilegal de armas.

Fonte: Brasil 247

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