Goiás pode ter seca até dezembro, diz comandante dos Bombeiros, Washington Luiz
Por Bruna Ariadne — Jornal Opção

As chuvas registradas nos últimos dias em Goiás podem representar apenas uma interrupção temporária da estiagem. Segundo o comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO), coronel Washington Luiz, as projeções acompanhadas pela corporação indicam a possibilidade de o Estado enfrentar mais 60 a 90 dias de seca, com retorno mais consistente das precipitações somente em dezembro.
“Toda a previsão está dizendo que nós não teremos a chuva de outubro e novembro e vamos ter uma seca prolongada até dezembro. Possivelmente, a chuva só vem ali próximo ao Natal”, afirmou o comandante em entrevista ao Jornal Opção.
Por que está chovendo agora?
Washington Luiz explicou que as precipitações registradas neste início de setembro estão relacionadas ao encontro de uma frente fria úmida com a massa de ar quente que predomina sobre Goiás. Segundo ele, essa combinação favoreceu a formação das chuvas fora do período esperado.
“Então, o que a gente pegou, na verdade, foi uma rotação de frente fria. Essa frente fria encontrou essa massa de calor, só que está vindo muito úmida e precipitando em água. Por isso nós chegamos a essa chuva atemporada. É aquecimento das águas do Pacífico. É o super El Niño”, afirmou.
De acordo com o comandante, o sistema avança a partir das regiões Sul e Sudeste e alcança parte do território goiano. Ele citou ainda a ocorrência de temporais e granizo em estados como São Paulo antes do avanço da instabilidade em direção a Goiás.
Apesar da chuva, Washington Luiz ressalta que o cenário não representa necessariamente o encerramento da estiagem. A preocupação está justamente no período posterior à passagem dessa instabilidade, diante da possibilidade de ausência de precipitações regulares em outubro e novembro.
Risco para os mananciais
Caso o cenário se confirme, o comandante alerta que Goiás poderá enfrentar não apenas um período mais crítico para incêndios florestais, mas também dificuldades relacionadas ao abastecimento de água. Segundo ele, os níveis dos mananciais já preocupavam antes das precipitações recentes.
“Os mananciais não encheram. Estamos com os mananciais em baixa, bem abaixo. Se realmente tivermos esses 60 ou 90 dias sem a chuva de outubro, podemos estar falando não só de incêndios florestais, mas, até o final do ano, de falta de água e crise hídrica”, declarou.
O comandante citou especificamente a situação da bacia do João Leite, responsável por parte do abastecimento da Região Metropolitana de Goiânia, e afirmou que outros municípios também acompanham os níveis de seus reservatórios.
Temperaturas podem chegar a 42°C
Outro ponto de atenção é o calor. Conforme Washington Luiz, alguns municípios goianos podem registrar temperaturas entre 41°C e 42°C caso o período de estiagem se prolongue.
As chuvas dos últimos dias aliviaram temporariamente uma situação que, segundo o comandante, já era considerada de seca extrema. Antes da mudança no tempo, o Corpo de Bombeiros se preparava para ampliar a mobilização de brigadas rurais e florestais diante do aumento do risco de incêndios.
Washington Luiz afirma que, sem as precipitações recentes, Goiás poderia ter ultrapassado a marca de 100 focos de incêndio. A corporação adotou uma estratégia de descentralização das equipes para reduzir o tempo de resposta e impedir que ocorrências menores se transformassem em grandes incêndios.
No Nordeste Goiano, por exemplo, foram instaladas seis estruturas temporárias do Corpo de Bombeiros para reforçar o atendimento durante a estiagem.
“Todo dia tinha três, quatro, cinco, seis focos, e a gente não deixava o foco crescer. Então, trabalhamos duas vezes mais”, explicou.
Área queimada cai
Apesar das condições climáticas adversas, o comandante afirma que Goiás conseguiu reduzir em cerca de 40% a área atingida pelo fogo. Ele atribui o resultado à descentralização das equipes, à atuação integrada com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e às operações de fiscalização.
Segundo Washington Luiz, ações contra incêndios criminosos também resultaram em prisões ao longo do período de estiagem.
A preocupação agora é com a duração da seca. Para o comandante, caso as previsões de ausência de chuva regular em outubro e novembro se confirmem, o Estado terá de manter a estrutura de combate aos incêndios mobilizada e acompanhar de perto a disponibilidade de água nos mananciais.
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Fonte: Jornal Opção