Xi Jinping confirma presença em cúpula do Brics na Índia em meio à reaproximação entre os países

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Por Mauro RamosBrasil de Fato

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O governo chinês confirmou nesta quinta-feira (10) que o presidente do país, Xi Jinping, participará da 18ª Cúpula do Brics em Nova Délhi, nos dias 12 e 13 de setembro, a convite do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

Essa será a primeira visita do presidente chinês à Índia em quase sete anos. A última foi em 11 e 12 de outubro de 2019 para uma cúpula bilateral informal em Mamallapuram, no estado de Tamil Nadu. Antes havia ocorrido uma primeira cúpula informal entre Modi e Xi em abril de 2018, em Wuhan, China.

A confirmação do Ministério das Relações Exteriores da China acontece em um momento de normalização crescente das relações entre os dois países, que tiveram um momento de alta tensão em 2020, com o confronto entre militares no Vale de Galwan, na fronteira. No mesmo ano, começou uma pausa nos voos diretos entre os dois países e nas peregrinações de indianos a Xizang (Tibete).

Embora as restrições tenham sido iniciadas pela pandemia, elas não foram retomadas até 2025, quando os dois países concordaram em retomar a peregrinação ao Monte Kailash e ao Lago Mansarovar (locais sagrados para o budismo tibetano) e os serviços aéreos diretos como parte de tentativas de normalizar as relações bilaterais.

Os dois líderes continuaram se reunindo nos últimos anos, às margens de cúpulas do G20 e do Brics, sem muitos avanços, até outubro de 2024, quando se reuniram em Kazan, na Rússia, na 16ª Cúpula do Brics. Modi afirmou que aquele encontro “traçou o rumo para o desenvolvimento das relações Índia-China” e que as relações “retornaram a um caminho positivo”.

Em agosto de 2025, Modi voltou à China pela primeira vez desde 2018, para participar da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) em Tianjin. No encontro bilateral com Xi, o primeiro-ministro afirmou que “a Índia e a China são parceiras, não adversárias, com muito mais consenso do que divergências”. Xi disse que os dois países devem “não deixar que a questão da fronteira defina a relação geral”. Modi destacou ainda a retomada dos voos diretos e a reabertura das rotas de peregrinação a Xizang.

No ano passado, a reaproximação coincidiu com o esfriamento das relações entre Nova Délhi e Washington. O governo Trump havia decidido elevar as tarifas sobre todos os produtos indianos, chegando a 50%. Em Tianjin, Modi afirmou que os dois países defendem a “autonomia estratégica e a diplomacia independente” e que “suas relações bilaterais não serão influenciadas por terceiros”.

A cúpula do Brics vai acontecer semanas depois de um avanço nas negociações em relação às diferenças territoriais entre os dois países.

China e Índia têm cerca de 2.000 quilômetros de fronteira, dos quais 125 mil km² estão sob disputa, divididos em três partes: no sul do Tibete (cerca de 90 mil km²), onde a Grã-Bretanha traçou a “Linha McMahon” em 1914, uma linha não reconhecida pela China e que passou a ser controlada pela Índia. No setor central da fronteira, há dois mil km² em disputa, sob controle atual da Índia. Em Aksai Chin, cerca de 33 mil km², historicamente controlados pela China, foram reivindicados pela Índia em 1959.

O acordo atual entre os dois países nessa disputa é a Linha de Controle Real (LAC), uma linha de demarcação militar de facto, não reconhecida como fronteira, que separa as áreas controladas por cada país.

Em 25 de agosto, o chanceler chinês, Wang Yi, e o assessor de segurança nacional da Índia, Ajit Doval, se reuniram em Pequim para a 25ª rodada de conversações sobre a questão fronteiriça. O encontro teve como resultado oito pontos de consenso.

Entre eles estão a criação de um Grupo de Especialistas em Delimitação de Fronteiras e de um Grupo de Trabalho em Gestão Fronteiriça, dois novos pontos de encontro para comandantes militares de alto nível e dois novos canais de linha direta militar nas seções leste e central da fronteira. A próxima rodada de conversações entre representantes especiais está prevista para 2027, na Índia.

Em 6 e 7 de setembro, representantes militares de alto nível dos dois países realizaram duas reuniões na região fronteiriça do Himalaia oriental, segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Índia, Randil Jaiswal.

Esta será a primeira cúpula presencial do presidente russo, Vladimir Putin, fora da Rússia desde 2019, quando o bloco se reuniu no Brasil.

Em 2023, Putin não foi à cúpula na África do Sul. Em 2024, o Brics se reuniu em Kazan, na própria Rússia. Em 2025, no Brasil, o presidente russo também não compareceu: a Rússia foi representada novamente pelo ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov.

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Fonte: Brasil de Fato

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