Bloqueio dos EUA tem “impacto devastador sobre toda a população cubana”, denuncia ONU

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Por Hora do PovoHora do Povo

Relatora Especial das Nações Unidas sobre Medidas Coercitivas Unilaterais, Alena Douhan, repudia bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto por Washington

“O apoio a Cuba no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas tem sido esmagador”, afirmou o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, em uma mensagem publicada em sua conta oficial no Twitter, nesta quarta-feira (09).

Ele enfatizou que o informe apresentado pela Relatora Especial sobre Medidas Coercitivas Unilaterais, Alena Douhan, “demonstra que o bloqueio viola os direitos humanos do povo cubano” e ressaltou que os Estados Unidos “não estão conseguindo confundir ou desorientar a comunidade internacional com suas mentiras, ameaças e agressões”.

 “É urgente que cumpram as recomendações recebidas e nos deixem viver em paz”, assinalou Díaz-Canel, concluindo sua declaração com a mensagem: “Cuba não é uma ameaça; o bloqueio é”.

No relatório apresentado nesta quarta-feira ao Conselho de Direitos Humanos em Genebra, após visitar a ilha caribenha em novembro passado, a Relatora Especial, Alena Douhan, afirmou que o bloqueio e o embargo energético impostos pelos Estados Unidos contra Cuba “têm um impacto devastador sobre toda a população cubana”.

A relatora destacou que o efeito das medidas impostas por Washington a Havana desde 1962 e reforçadas este ano por Donald Trump é notório, “especialmente nas mulheres, nas crianças, nos idosos, nas pessoas com deficiência e nas pessoas com doenças crônicas”.

RELATORA DA ONU INSTA A SUSPENDER MEDIDAS CONTRA CUBA

Douhan instou a comunidade internacional a cumprir “as disposições das resoluções da Assembleia Geral sobre a necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro” dos Estados Unidos contra Cuba.

À Casa Branca recomendou que suspendesse todas as medidas contra Cuba e as restrições que dificultam o fornecimento de bens essenciais à ilha, que encerrasse a designação de Cuba como Estado Patrocinador do Terrorismo e revogasse o estado de emergência nacional declarado sob a alegação de que Cuba representa uma ameaça aos Estados Unidos, além de optar pelo diálogo para resolver as controvérsias com a nação caribenha.

Na última segunda-feira, o Ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, concedeu uma coletiva de imprensa em Havana, na qual especificou que o custo do bloqueio imposto pelos Estados Unidos a Cuba, entre 1º de março de 2025 e 28 de fevereiro de 2026, foi de US$ 8,0833 bilhões.

Esse número é o mais alto já registrado e 7% superior ao do mesmo período do ano passado.

RELATÓRIO DA ONU MOSTRA QUE OS EUA SÃO “MENTIROSOS”

O embaixador Rodolfo Benítez Verson, representante permanente de Cuba no Conselho de Direitos Humanos da ONU, participou nesta quarta-feira (09) da 63ª Sessão Ordinária do Conselho de Direitos Humanos, realizada em Genebra, na Suíça, onde o relatório Douhan foi apresentado.

O diplomata afirmou que o relatório da relatora especial expõe os Estados Unidos como “mentirosos”, após o governo Trump ter insistido que não existe bloqueio ou embargo energético contra Cuba.

“Com sólidas evidencias constatadas durante a sua visita a Cuba, a Relatora Especial concluiu que estas medidas não só existem, como também se intensificam de forma constante e causam enormes prejuízos”, frisou Benítez Verson.

Isso também demonstra – continuou -que essa política viola flagrantemente, massivamente e sistematicamente os direitos humanos dos cubanos, incluindo os direitos à alimentação, à saúde, à educação, ao desenvolvimento e à vida.

“O BLOQUEIO VIOLA O DIREITO INTERNACIONAL”

“Não pode haver maior cinismo do que sufocar um povo e culpar os outros. O relatório da Relatora Especial prova que os Estados Unidos estão mentindo quando tentam responsabilizar Cuba pelas consequências de seus atos cruéis”, constatou.

Ele mencionou que a Relatora determinou que, apesar dos esforços contínuos do governo cubano para proteger a população e mitigar os efeitos do bloqueio, as medidas coercitivas dos Estados Unidos são de tal magnitude e persistência que causam escassez de bens e serviços essenciais nos lares cubanos.

“Washington sustenta que sua política em relação a Cuba é legal e que o bloqueio é uma questão exclusivamente bilateral. A análise jurídica exaustiva da relatora Alena Douhan refuta categoricamente essa alegação. Ela demonstra que o bloqueio deve ser suspenso porque viola o direito internacional e infringe a soberania e a jurisdição de outros Estados”, enfatizou o embaixador cubano.

O bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto por Washington a Cuba, somado ao cerco energético, produz “um impacto devastador sobre toda a população” da Ilha caribenha, concluiu o relatório apresentado nesta quarta-feira (9) pela relatora especial das Nações Unidas sobre Medidas Coercitivas Unilaterais, Alena Douhan,. Fruto de uma missão realizada em novembro do ano passado, o documento exibido ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, assinala que os mais vulneráveis são precisamente os mais atingidos pelo agravamento da crise.

Segundo a jurista bielorrussa Alena Douhan, os efeitos das dramáticas sanções – em vigor desde 1962 e endurecidas neste ano pelo governo Trump – recaem com particular severidade sobre mulheres, crianças, idosos, pessoas com deficiência e pacientes com doenças crônicas. O relatório aponta que o sistema público de saúde cubano se encontra pressionado ao limite, com dezenas de milhares de cirurgias represadas e programas de vacinação infantil interrompidas por falta de insumos.

A escassez de combustível, agravada pelas restrições à importação de petróleo, compromete o transporte público, o funcionamento de hospitais, o abastecimento de água e o saneamento básico, o que, denuncia Douhan, também dificulta o acesso à alimentação.

Do ponto de vista jurídico, a avaliação apresentada pela relatora sustenta que o bloqueio contraria a Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional, violando direitos humanos básicos do povo cubano, entre eles o direito à alimentação, à saúde, à educação, ao desenvolvimento e à própria vida. Douhan reconheceu os esforços das autoridades cubanas para proteger a população e mitigar os danos, mas sinalizou que a magnitude e a persistência das medidas estadunidenses provocam, ainda assim, escassez generalizada de bens e serviços essenciais em muitos lares da ilha. Ao final do relatório, ela lista dez recomendações práticas a Washington, entre elas o fim das medidas coercitivas e das restrições que impedem o envio de alimentos, medicamentos e equipamentos para os setores de energia, água e saneamento.

FIM IMEDIATO DA ABSURDA LISTA DE PAÍSES PATROCINADORES DO TERRORISMO

Diante disso, o relatório recomenda ao governo dos Estados Unidos o fim imediato das medidas coercitivas unilaterais, a suspensão das restrições que dificultam a compra e a importação de produtos essenciais,com a retirada de Cuba da lista de países patrocinadores do terrorismo para aliviar o isolamento financeiro do país, a eliminação de obstáculos para o envio de remessas por cubanos no exterior e o fim de multas a bancos estrangeiros que negociam com a Ilha caribenha.

Números atualizados em setembro deste ano pelo Resumo Latino-americano mencionam que “67 mil menores nascidos não possuem o esquema de imunização atualizado e que mais de 12 mil crianças aguardam cirurgias que o competente pessoal de saúde dos hospitais cubanos, por falta de recursos, não conseguiu realizar”. “O total de pacientes que aguardam cirurgias supera 98.500; 117 mil adultos e 1.200 crianças com câncer não têm os tratamentos primários adequados. É preocupante o fato de que 16 mil pacientes têm dificuldades com os serviços de radioterapia, 12.400 com os de quimioterapia e 3 mil com os de hemodiálise”, sustenta.

A situação é completamente absurda, particularmente em relação a um país que, em junho, formou quase 2 mil médicos, 580 dos quais eram estrangeiros vindos de 73 países. “Apesar da precariedade, continua o trabalho de criação de vacinas e medicamentos contra diversos tipos de câncer. Erguendo a bandeira do internacionalismo, Cuba ajudou a combater, em diferentes lugares do planeta, males como o ebola e a cólera”, acrescenta a reportagem latina.

SÃO SEIS DÉCADAS EM QUE EUA E ISRAEL TENTAM OBSTACULIZAR A SOBERANIA DO POVO CUBANO

O bloqueio é alvo de condenação recorrente na Assembleia Geral da ONU: há praticamente duas décadas, uma resolução exigindo seu fim é aprovada todos os anos por maioria esmagadora – em votações recentes, algo como 187 votos a favor, apenas dois contrários (Estados Unidos e Israel), além de algumas abstenções. O placar reiterado demonstra o isolamento diplomático do imperialismo e do sionismo, reforçando a tese de que a medida agride o multilateralismo e a soberania cubana.

O presidente Miguel Díaz-Canel reiterou que a decisão da ONU é uma confirmação de que o bloqueio “viola os direitos humanos do povo de Cuba”. De acordo com o governo revolucionário, “os artífices dessa política de genocídio e punição coletiva celebram como sucessos a agonia de uma mãe cubana que perde um filho por falta de medicamentos. Eles se alegram com os prolongados cortes de eletricidade e com as dificuldades no abastecimento de água e de outros serviços básicos”.

Na sessão do Conselho, a delegação do México qualificou as medidas coercitivas unilaterais do governo norte-americana de “contrárias ao direito internacional”, defendendo seu fim imediato, ao mesmo tempo em que reafirmou o compromisso de seguir prestando sua “tradição humanista e solidária” a Cuba, atendendo às necessidades mais urgentes da população vizinha.

Cinicamente, a administração Trump disse que manterá as restrições obstaculizando o bloqueio enquanto considerar o governo caribenho como “patrocinador do terrorismo” e somente superará o estado de emergência quando deixar de representar Cuba uma ameaça.

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Fonte: Hora do Povo

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