Dino vê ‘um só sistema delitivo’ entre Dark Horse e atos ligados ao PCC
Por Bia Abramo — ICL Notícias
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Por Cleber Lourenço
A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a operação deflagrada nesta quinta-feira (10) contra suspeitas de desvios de recursos públicos no núcleo ligado ao caso Dark Horse, aponta indícios de “um só sistema delitivo” envolvendo emendas parlamentares federais e atos relacionados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
“Friso que há indícios de que se cuida de um só sistema delitivo, alimentado inclusive por emendas parlamentares federais, além da menção a atos interligados até com a facção criminosa PCC”, afirma Dino na decisão.
A referência ao PCC surge na investigação sobre recursos movimentados pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama, produtora ligada a Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. Segundo a Polícia Federal, o ICB aparece como o “principal captador de recursos da rede investigada” e distribuiu dinheiro a um grupo de empresas que se repetem nas comunicações de inteligência financeira.
Entre elas está a Favela Conectada Serviço e Tecnologia, atual Urban Connect. A empresa recebeu R$ 7,87 milhões e foi contratada pelo ICB para prestar serviços no projeto de internet gratuita da Prefeitura de São Paulo.
Ex-sócio é apontado como membro relevante do PCC
Segundo a decisão, Alex Leandro Bispo dos Santos foi o único sócio da Favela Conectada desde sua fundação, em agosto de 2020, até janeiro deste ano, quando transferiu a integralidade da empresa para sua companheira.
O documento registra que, segundo informações atribuídas a órgãos de inteligência policial, Alex seria “membro relevante da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no estado”.
A decisão também informa que ele havia sido preso em fevereiro sob acusação de feminicídio e foi solto em agosto. A eventual participação de Alex no PCC é apresentada no documento como informação atribuída a órgãos de inteligência, e não como conclusão judicial.
A empresa foi criada como ALBS Consultoria Empresarial, mudou o nome para Favela Conectada em setembro de 2024 e, em agosto de 2025, tornou-se Urban Connect Serviços e Tecnologia.
Contrato de R$ 12 milhões apresentou inconsistências
Em fevereiro de 2025, a empresa pediu à instituição financeira aumento do limite para transferências, alegando que começaria a receber recursos de um contrato com o ICB para o WiFi Livre SP. O negócio era de R$ 12 milhões.
A instituição encontrou inconsistências nos documentos apresentados. A primeira versão do contrato tinha assinatura simples, não apresentava data e não permitia verificar sua autenticidade.
Após questionamentos, a empresa entregou outra versão, com firmas reconhecidas e assinaturas das partes. Ainda assim, segundo a investigação, não estava claro como havia sido calculado o valor contratado.
No dia seguinte ao pedido de aumento do limite, a empresa recebeu R$ 611.111 do ICB. Em abril, entraram outros R$ 666.666,67. Nove dias após essa segunda transferência, a Urban Connect enviou R$ 250 mil para a Ultra IP Tecnologia e Serviços, outra empresa que aparece entre as principais destinatárias de recursos identificadas pela PF.
Recursos vieram principalmente da Prefeitura de São Paulo
O ICB mantinha contrato com a Prefeitura de São Paulo para implantação e manutenção de pontos gratuitos de internet em regiões periféricas. O projeto tinha valor inicialmente estimado em R$ 108 milhões e foi posteriormente ampliado por aditivos.
A análise financeira citada na decisão aponta que os recursos recebidos pelo instituto eram predominantemente oriundos da Prefeitura e depois distribuídos a um grupo de empresas.
Em um dos conjuntos de movimentações, o ICB aparece recebendo R$ 24,59 milhões. A Make One Tecnologia Digital recebeu R$ 16,97 milhões; a Complexsys, R$ 7,8 milhões; a Fastfuture, R$ 5,55 milhões; e a Ultra IP, R$ 4,4 milhões. Em outra parte da análise, a Favela Conectada aparece com R$ 7,87 milhões.
A investigação sobre esses contratos municipais foi conectada à apuração de emendas parlamentares destinadas ao ICB e à Academia Nacional de Cultura (ANC), ambas presididas por Karina Gama.
A operação autorizada por Dino nesta quinta atingiu o deputado federal Mario Frias (PL-SP), Karina e outros investigados. A PF apura suspeitas de desvios de recursos públicos, fraudes contratuais, falsificação de documentos, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Ao manter as frentes da investigação reunidas, Dino considerou que a possível ligação entre os fatos pode dar ao caso dimensão interestadual e justificar a atuação da Polícia Federal. É nesse contexto que o ministro aponta indícios de “um só sistema delitivo” e registra a existência de atos relacionados ao PCC.
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Fonte: ICL Notícias




