Cury diz que não apoiaria Lula “em hipótese alguma” no 2º turno e sinaliza aliança com Flávio Bolsonaro
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O escritor e psiquiatra Augusto Cury, candidato à Presidência da República pelo Avante, descartou categoricamente qualquer possibilidade de apoiar o presidente Lula (PT) no segundo turno da eleição presidencial e deixou o caminho aberto para uma aliança com Flávio Bolsonaro (PL), principal nome de oposição no pleito. As declarações foram dadas nesta quinta-feira (10) durante um encontro com operadores do mercado financeiro da Faria Lima, em São Paulo, organizado pelo banco Genial.
Durante a apresentação para a plateia de investidores, Cury foi enfático ao rejeitar qualquer aliança com o atual chefe do Executivo. “Eu não apoiaria, em hipótese alguma, Lula. Nem 0,01%”, declarou o candidato, sendo aplaudido pelo público presente. Em sua crítica, o postulante do Avante defendeu o fim do ciclo político do PT no governo federal. “O Lula tem que se aposentar, o modelo do PT tem que aposentar. Com todo o respeito ao que fez em seu primeiro governo, quando estava o Meirelles (Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central) e o Palocci (Antônio Palocci, ex-ministro da Fazenda), com todos os seus problemas”, acrescentou.
Ao avaliar o cenário de um eventual apoio a Flávio Bolsonaro na etapa decisiva da disputa, Cury adiantou que não adotará uma postura de neutralidade, mas fez ressalvas e exigências à candidatura do parlamentar do PL. Ele condicionou o alinhamento a esclarecimentos sobre o envolvimento de Flávio com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, investigado por suspeita de comandar um esquema de fraudes financeiras que causou prejuízos bilionários ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a investimentos estatais.
“Não ficaria neutro. Mas ele teria que provar que não é corrupto, teria que explicar o Dark Horse. Tem um longa-metragem meu sendo rodado agora com quase um décimo do valor do filme do pai dele, para ter uma ideia. E ele teria que pegar o meu plano de governo, ir no cartório, fazer um registro e dizer que vai cumprir”, pontuou o candidato do Avante.
De acordo com dados da pesquisa Quaest divulgada no dia 7 de setembro, a corrida presidencial é liderada por Lula, com 36% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 29%. Augusto Cury aparece isolado na terceira colocação, somando 8% da preferência do eleitorado. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Nas simulações de segundo turno entre o presidente e o senador, ambos figuram empatados numericamente com 41%.
Durante a agenda com a Faria Lima, Cury buscou demonstrar articulação política e respaldo técnico ao citar economistas e ex-gestores públicos de prestígio no mercado financeiro, como Ilan Goldfajn, Mansueto Almeida, Marcos Lisboa, Mauro Benevides e Armínio Fraga. O escritor sustentou ainda que suas obras são lidas por integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou manter interlocução com parlamentares no Congresso Nacional, buscando sinalizar viabilidade para governar o país. Ao responder a questionamentos sobre propostas econômicas, contudo, restringiu-se a respostas gerais, prometendo a realização de auditorias nas contas públicas e a elaboração de estudos sobre os impactos da reforma tributária.
“Quero sugestões. Sei formar um time, e o time vai ser melhor que o técnico”, declarou, antes de se definir como o “pesadelo de Lula no segundo turno” e reforçar que não almeja construir uma “carreira política”.
No campo institucional, o candidato defendeu mudanças na estrutura do Poder Judiciário para conter o que chamou de excessos da Suprema Corte. Cury sugeriu retirar do Presidente da República o poder de indicar ministros para o STF, transferindo essa prerrogativa às associações de magistrados. Segundo ele, a meta é encaminhar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) com esse teor ao Congresso já na primeira semana de mandato.
Sua plataforma para o Judiciário contempla também a fixação de mandatos de oito anos para os ministros do STF, a obrigatoriedade de que dois terços dos integrantes sejam oriundos de carreiras da magistratura e a imposição de uma quarentena sem filiação partidária nos cinco anos anteriores à indicação. Em relação ao ministro Alexandre de Moraes, citado no inquérito do Banco Master por conversas reveladas com Daniel Vorcaro, Cury declarou ser favorável à apuração dos fatos e a um eventual processo de perda do cargo, caso sejam comprovadas irregularidades. “Defando, sem juízo de valor, que Alexandre de Moraes seja investigado. Se der em algo, deve ser impeachmado“, concluiu.
Fonte: Brasil 247