Ícone do jornalismo esportivo e automotivo, Cláudio Carsughi morre aos 93 anos em São Paulo
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O jornalista e comentarista esportivo Cláudio Carsughi morreu na manhã desta quinta-feira (10), aos 93 anos de idade, na cidade de São Paulo. Referência histórica na imprensa brasileira, o comunicador permaneceu hospitalizado por quase um mês para tratar complicações decorrentes de um quadro de infecção respiratória.
A confirmação da morte foi feita por sua filha, a também jornalista Claudia Carsughi, por meio de uma mensagem publicada em suas redes sociais. No comunicado, ela destacou a bravura do pai no enfrentamento do problema de saúde e pediu o apoio dos admiradores e leitores do trabalho construído pelo comunicador ao longo de décadas.
“Meu pai acabou de partir depois de 27 dias lutando contra uma infecção respiratória. Ele agora está em paz junto aos nossos antepassados. Pedimos aos fãs que orem por ele”, declarou Claudia.
Nascido em Arezzo, na região da Toscana, na Itália, em 13 de outubro de 1932, Carsughi emigrou com a família para o Brasil em 1946, ainda na adolescência, no período de reconstrução que se seguiu ao término da Segunda Guerra Mundial. Fixando residência na capital paulista, concluiu os estudos secundários no tradicional Colégio Dante Alighieri e gradou-se em Engenharia pela prestigiada Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).
Apesar da formação acadêmica na área exata, sua trajetória profissional esteve intimamente ligada à comunicação desde a juventude. Aos 16 anos, iniciou seus trabalhos na imprensa ao atuar como correspondente do jornal italiano Corriere dello Sport. Nessa função, acompanhou de perto todo o processo de preparação e infraestrutura do país para a realização da Copa do Mundo de 1950, o primeiro mundial sediado em solo brasileiro.
Em 1957, Carsughi ingressou na Rádio Jovem Pan, veículo onde consolidou uma das carreiras mais duradouras do rádio nacional. Ao longo de quase seis décadas no veículo, atuando ininterruptamente até o ano de 2015, destacou-se pela precisão técnica e rigor factual nas transmissões e análises de automobilismo, tornando-se voz fundamental na popularização da Fórmula 1 no Brasil. Paralelamente às pistas, exerceu papéis decisivos na cobertura do futebol, integrando a equipe jornalística em cinco edições consecutivas da Copa do Mundo, entre os torneios de 1970 e 1986.
O jornalista estendeu sua atuação para a grande imprensa escrita e para a televisão especializada. Conforme registros da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), exerceu o cargo de editor na revista Quatro Rodas, além de acumular passagens marcantes pela Gazeta Esportiva, pelo Jornal da Tarde e pelas emissoras de canais fechados ESPN Brasil e Sportv.
A trajetória do profissional foi documentada em 2012 com o lançamento da biografia “Claudio Carsughi, 50 anos de Brasil”, obra de autoria de sua filha, Claudia Carsughi. Registrado e aprovado pelo Ministério da Cultura, o projeto bibliográfico reuniu memórias sobre a adaptação do imigrante italiano no país e seus bastidores em mais de meio século de trabalho nos meios de comunicação.
A preservação dos laços socioculturais entre sua terra natal e a nação adotiva rendeu-lhe contínuos reconhecimentos públicos. Em 2025, o comunicador recebeu uma homenagem oficial da Assembleia Legislativa paulista, que o distinguiu como uma das personalidades de destaque e relevância para a comunidade italiana no estado.
Cláudio Carsughi deixa a viúva, Hilda Carsughi, e dois filhos, Claudia e Odoardo.
Fonte: Brasil 247