Em reação às pesquisas, equipe de Lula convoca reunião para rearrumação da campanha
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O acirramento das tensões no Supremo Tribunal Federal (STF) acendeu o sinal de alerta na cúpula do PT e na coordenação de campanha do presidente Lula (PT), alimentando forte preocupação com possíveis prejuízos ao projeto de reeleição. As mais recentes pesquisas de intenção de voto, elaboradas após os episódios envolvendo a Corte, apontaram para avanços do candidato Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, configurando um cenário de empate técnico a menos de um mês do primeiro turno que exige correções de rumo e reação imediata, informa a Folha de São Paulo.
Diante do quadro de incerteza, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, convocou reuniões de emergência com a Executiva Nacional do partido, com as demais legendas da base de apoio governista e com lideranças das centrais sindicais, em uma tentativa de traçar um plano de ação conjunto.
A conjuntura recente tem provocado apreensão entre aliados históricos do campo progressista, incluindo movimentos sociais e sindicatos. Representantes dessas entidades queixam-se de apatia na condução dos trabalhos e cobram uma participação mais efetiva e engajada na campanha, em patamar semelhante ao papel desempenhado na eleição de 2022.
A avaliação da coordenação política de que os desdobramentos da crise no STF poderiam afetar a imagem de Lula levou o próprio presidente da República a atuar diretamente. Lula passou a articular movimentos junto a ministros do tribunal e a congressistas no intuito de estancar eventuais danos políticos.
Entre os interlocutores e aliados, há reclamações sobre uma suposta demora do presidente e do comando da campanha em reagir a temas sensíveis do debate público. Um dos exemplos citados ocorreu na quarta-feira (9), quando Lula publicou nas redes sociais uma cobrança pela divulgação integral das investigações relativas ao caso Master. Embora a manifestação tenha servido de diretriz para a base, a avaliação é de que o posicionamento oficial demorou dias para sair da defensiva.
Mesmo no âmbito interno do PT e na equipe de assessoria do Executivo, persistem queixas sobre a falta de vigor na condução das agendas, sem que se defina se a responsabilidade decorre da coordenação do pleito ou do ritmo do próprio candidato.
Aliados lembram que, em período equivalente do processo eleitoral de 2022, Lula já havia realizado diversos encontros com segmentos da sociedade civil organizada e mantinha reuniões periódicas com o conselho da campanha — estrutura que ainda não foi ativada nesta disputa. Por outro lado, interlocutores ponderam que a condição atual de chefe de Estado limita a dedicação exclusiva do presidente às articulações partidárias, diferentemente do cenário de quatro anos atrás.
Outras críticas recorrentes envolvem a escassez de material impresso de propaganda e o atraso no repasse de recursos do fundo partidário para os comitês regionais. Quanto à postura de Lula nos atos públicos, apontam-se reservas em relação à sua resistência em ler discursos previamente estruturados, o que acaba estendendo a duração dos eventos e submetendo os apoiadores a longos períodos em pé.
A participação da primeira-dama, Janja Lula da Silva, como oradora nos encontros políticos também gera ressalvas. Integrantes da campanha argumentam que, ao discursar, a primeira-dama ocupa o espaço de lideranças femininas locais que poderiam estabelecer maior identificação com o público presente.
A agenda de alinhamento com os partidos aliados prevê a realização do primeiro encontro com as siglas da base nesta quinta-feira (10), marcando a primeira reunião conjunta desde a abertura do período eleitoral. Também nesta quinta-feira ocorre a reunião da Executiva Nacional do PT, órgão responsável pelas principais deliberações estratégicas da legenda. O diálogo com representantes das centrais sindicais está agendado para a sexta-feira (11).
No plano ideológico, correntes do PT pressionam por mudanças na condução das propostas. A vertente Democracia Socialista (DS) sustenta que o partido precisa reformular a apresentação de seu programa econômico para um potencial novo mandato.
“Demos passos para construir um novo modelo de desenvolvimento com soberania, superação das desigualdades e ecologicamente sustentável”, afirma carta elaborada pelo movimento. “Esse novo modelo precisa se apresentar como programa para o Brasil e como alternativa ao consenso das elites econômicas que é aprofundar o neoliberalismo com cortes dos direitos sociais e privatizações”.
“É possível para a esquerda e para o PT formar maioria no eleitorado sem responder a essas questões? Mais concretamente, é razoável separar a luta democrática da luta para superar as desigualdades capitalistas aprofundadas dramaticamente pelo neoliberalismo?”, questiona o documento encaminhado à direção partidária.
Fonte: Brasil 247