A advocacia não é cúmplice do crime: em defesa da ampla defesa
Recentemente, um artigo levantou a proposta de que advogados deveriam comprovar a origem lícita de seus honorários ao defender membros de organizações criminosas, sob a justificativa de combater o financiamento do crime. Embora a intenção de enfrentar o crime organizado seja válida, essa abordagem pode ameaçar direitos fundamentais garantidos pela Constituição, como o direito à ampla defesa. A defesa legal deve ser assegurada a todos, independentemente de seu histórico, e a imposição de requisitos para a escolha do advogado pode criar uma situação em que apenas o Estado, que também acusa, pode defender certos réus, comprometendo a autonomia do processo penal. Além disso, a ideia de que advogados se tornariam cúmplices ao aceitar essas causas ignora a distinção entre o profissional e seu cliente, já que a legislação brasileira já prevê penalidades para quem se envolve conscientemente em atividades ilícitas.