Qual herança deixaremos para nossos filhos?
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Artigo de Opinião
Publicado em 22 de Outubro de 2026 às 15:28
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O Dia das Crianças, celebrado recentemente neste mês de outubro, foi criado em 1924, com objetivo de focar a saúde, a educação e o bem-estar dos pequenos. Por um tempo a data ficou esquecida e, em 1960, empresas se juntaram para torná-la um dos momentos de maior movimentação comercial no Brasil.
Nesse dia, além de presentes, muitas famílias comemoram com passeios, viagens, almoços e outras atividades. Se voltarmos ao passado, a maioria de nós, adultos, tem memórias afetivas do aconchego do lar, do abraço de quem amamos e de momentos especiais neste dia ou em algum outro dia comum. Essas lembranças fazem parte da pessoa que nos tornamos, estruturando afetos e comportamentos na nossa vida hoje.
A escritora brasileira Lya Luft, em seu livro “Perdas e ganhos”, diz que “a infância é o chão sobre o qual caminharemos pela vida inteira”. Essa frase traz uma necessária reflexão para pais e cuidadores: as experiências dos primeiros anos de vida deixam marcas profundas que podem influenciar o comportamento, a forma de se relacionar com o mundo e a saúde emocional do indivíduo durante toda a vida.
A família é o primeiro espaço de desenvolvimento da criança. Quando ela cresce em um ambiente previsível, acolhedor e responsivo, tende a desenvolver confiança em si e nas pessoas, resiliência e equilíbrio emocional. É na família que ela experimenta segurança, pertencimento, limites e afeto.
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Da mesma forma, quando a criança vivencia experiências negativas, de ausência de vínculos, instabilidade emocional dos pais/cuidadores, rejeição, insegurança e violência, pode, quando adulto, apresentar comportamentos como dependência emocional, necessidade excessiva de aprovação, insegurança, dificuldades em regular emoções. Esses padrões, frequentemente, aparecem nas relações familiares, amorosas e profissionais.
O relacionamento com os pares também tem um papel central no desenvolvimento na primeira infância. Brincadeiras não são apenas diversão ou descanso, mas experiências fundamentais de aprendizagem e desenvolvimento integral, incluindo aspectos sociais, emocionais, corporais e cognitivos.
Quando brinca, a criança está aprendendo a ser, conviver, se expressar e compreender o outro, experimentando criatividade, simbolização e elaboração de conflitos.
Estudos da Neurociência reforçam a ideia de que as experiências iniciais têm grande impacto na formação da personalidade e na saúde emocional do indivíduo, entretanto, não são definitivas: existe plasticidade no desenvolvimento humano ao longo da vida, permitindo transformações por meio de novas relações, da educação e de experiências positivas significativas.
Mas, então, qual herança deixaremos para nossos filhos? Certamente, quando adultos, os filhos não se lembrarão do melhor tênis ou da melhor roupa, mas sentirão um “quentinho no coração” quando lembrarem da forma que eram orientados pela mãe quando cometiam um erro ou do dia em que dançaram juntos na chuva; do jeito respeitoso que o pai impôs limites e também quando jogaram futebol na atividade da escola; dos almoços de domingo da casa da vovó e também da forma que os familiares acolhiam cada um com seu jeito especial.
Esses momentos de conexão familiares são heranças que permanecem para sempre na memória afetiva deles, influenciando-os na condução da própria vida e, futuramente, na maneira de exercerem também sua parentalidade.
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