Clubes da Série A abriram ano com R$ 4,85 bi em dívidas por transferências
A Gazeta

Gabriel de Paiva
Esse número não é o gasto total com transferências, mas sim quanto de compromissos o clube teria a pagar a curto (2026) e longo prazo (2027 em diante).
Segundo os números divulgados pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), a linha transferências corresponde a 28% do endividamento total da elite nacional.
Os dados foram compilados pelo órgão a partir dos balanços de 31 de dezembro de 2025 e apontam um endividamento total de R$ 17,34 bilhões.
Olhando especificamente para o quadro das transferências, a existência da dívida, por si só, pode não ser um problema.
Para identificar se um cenário é grave, é preciso avaliar o contexto de cada clube, cruzando os valores com as receitas e a capacidade de pagamento. Além disso, a existência da dívida não significa calote ou pagamentos em atraso.
De todo modo, os números gerais mostram quem colocou o pé mais fundo no acelerador e usou prazos mais dilatados para montar um elenco mais forte.
Quem se endividou mais?
Botafogo, Palmeiras e Flamengo puxavam a fila dos valores de endividamento com transferências.
No caso alvinegro foi devido à gestão de John Textor, que gerou um colapso financeiro, pois a ponte da rede multiclubes com o Lyon ruiu.
O Botafogo abriu 2026 com R$ 979 milhões em dívidas de transferências. Considerando a falta de caixa, não foi por acaso que o Alvinegro enfrentou vários transfer bans da Fifa. As execuções só pararam com a entrada da SAF na recuperação judicial.
Palmeiras e Flamengo, por outro lado, têm “nome limpo” e crédito na praça. Eles conseguem turbinar investimentos futuros em jogadores, mas com retorno esportivo e capacidade de pagamento.
O Palmeiras abriu o ano com R$ 831 milhões de dívida com transferências, muito fruto de um mercado mais ousado no ano passado Vitor Roque e Paulinho, por exemplo.
Em 2026, houve outro investimento de peso: Jhon Arias (25 milhões de euros, cerca de R$ 155 milhões).
Como essas contratações acontecem de forma parcelada, a dívida se divide entre o que é de curto e o que é de longo prazo.
A Anresf não tabulou o quanto das transferências se divide em cada um desses prazos. Mas a agência mostrou que, no caso do Palmeiras, o item transferências corresponde ao maior percentual da dívida do clube: 73%. Ninguém na Série A tem nas transferências uma fatia tão significativa na composição da dívida.
Mas e o Flamengo? É importante pontuar que esse levantamento antecede a chegada de Lucas Paquetá, a maior operação da história do continente, contabilizada pelo Fla em R$ 315 milhões, considerando direitos econômicos, luvas e intermediação.
No cenário da virada do ano, portanto, o Flamengo tinha R$ 497 milhões em dívidas a curto e longo prazo com transferências 52% do endividamento do clube.
No caso do Fla, o presidente Luiz Eduardo Baptista disse ao fim do ano passado que pretendia aumentar a dívida do clube em 2026, já que o Rubro-negro tinha capacidade para isso. Em 2025, o clube bateu R$ 2 bilhões de receita.
O recente veto às bets gera incertezas comerciais no presente. O Flamengo já disse que, se a proibição continuar, vai travar o gasto com contratações. O top-5 de endividamento com transferências fica completo com a dupla mineira: Atlético-MG e Cruzeiro.
Fonte: A Gazeta