MPE vê novos indícios de tratamento desigual da Meta a Lula e Flávio
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BATALHA NAS REDES
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22/10/2026 | Atualizado às 11:07
O Ministério Público Eleitoral (MPE) apontou que a Meta, dona do Instagram, Facebook e WhatsApp, descumpriu parte das determinações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para assegurar tratamento igualitário às campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Em parecer apresentado nesta quarta-feira (21), a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) pediu a aplicação de multa à empresa e esclarecimentos sobre novos indícios de favorecimento ao senador.
A manifestação foi encaminhada ao ministro Marco Aurélio Bellizze, que em 15 de outubro determinou medidas para impedir tratamento desigual na distribuição de publicações, nas buscas, nos anúncios eleitorais e nas ferramentas de inteligência artificial. A decisão foi confirmada por unanimidade pelo plenário do TSE.
Na terça-feira (20), a Meta afirmou ter cumprido as determinações e negou favorecimento político. A Procuradoria, porém, identificou obrigações não atendidas, algumas delas por reconhecimento expresso ou implícito da própria empresa.
O que a Meta deixou de cumprir
Segundo o parecer, a plataforma não comprovou o tratamento igualitário das denúncias apresentadas pelas campanhas nem forneceu todas as informações exigidas sobre canais de comunicação, anúncios reavaliados e suspensos e providências efetivamente adotadas. Também deixou de reapresentar em português um relatório sigiloso encaminhado ao tribunal.
Para a PGE, o descumprimento justifica a cobrança de multa desde o momento em que cada obrigação deixou de ser atendida. O órgão não calculou o valor devido. A decisão original previa multa diária de R$ 500 mil, elevada por Bellizze para R$ 1 milhão na segunda-feira (19), diante da falta de comprovação do cumprimento das ordens.
Traduções que transformam críticas em elogios
A Procuradoria também pediu esclarecimentos sobre novos episódios relatados pela campanha de Lula. Um deles envolve traduções automáticas do Instagram que teriam invertido o sentido de comentários contrários a Flávio.
A frase “Flávio futuro presidiário!!”, por exemplo, teria sido traduzida para o inglês como “Flávio future president!!” (“Flávio futuro presidente”). Expressões semelhantes, sem referência ao senador, teriam recebido tradução correta. Para o MPE, a diferença de tratamento exige investigação e enfraquece a explicação de que os erros seriam simplesmente aleatórios.
Outro caso envolve a Meta AI. Segundo a campanha petista, pedidos de imagens relacionados a “presidente” ou “eleições” continuavam gerando peças com o número 22, de Flávio, mesmo sem qualquer referência ao candidato. A Procuradoria considera insuficientes declarações genéricas de tratamento igualitário e cobra explicações técnicas específicas para os episódios.
Medidas cumpridas e pontos pendentes
O parecer reconhece que a Meta adotou parte das providências determinadas pelo TSE, incluindo a reversão de restrições à conta de anúncios de Lula, medidas relativas ao impulsionamento e à recomendação de perfis e a suspensão de determinados anúncios eleitorais.
O MPE, porém, pede esclarecimentos adicionais sobre a investigação de uma rede de 255 perfis suspeitos de comportamento inautêntico. A empresa informou ter concluído a análise, mas, segundo a Procuradoria, não apresentou documentação suficiente para comprovar todas as providências adotadas.
As suspeitas também fundamentam outra ação apresentada pela campanha de Lula, desta vez com pedido de cassação da chapa de Flávio Bolsonaro. Conforme mostrou o Congresso em Foco, a coligação aponta diferenças no alcance de publicações, recomendações de perfis ligados ao senador, restrições à propaganda petista e falhas em ferramentas de inteligência artificial. A campanha sustenta que o conjunto dos episódios pode configurar abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação.
A Meta nega interferência eleitoral e atribui os problemas identificados a falhas técnicas. As decisões anteriores do TSE não reconheceram manipulação deliberada em benefício de Flávio. Caberá agora a Bellizze avaliar o parecer, decidir sobre a multa e determinar eventuais medidas adicionais.
Como Flávio seria favorecido nas redes, segundo a campanha de Lula
Processo: Representação 0602746-69.2026.6.00.0000
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Fonte: Congresso em Foco