Em livro, Flávio Bolsonaro defende massacre do Carandiru, nega o golpe de 64, elogia torturador e questiona as urnas eletrônicas

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – As propostas para a área de segurança pública apresentadas no recente debate presidencial entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) trouxeram à tona memórias de promessas eleitorais do passado e acenderam alertas sobre discursos de soluções fáceis para problemas complexos, avalia o colunista Tom Farias, em análise publicada na Folha de São Paulo.

Em meio às discussões sobre combate à criminalidade, penas mais severas e redução da maioridade penal, o histórico ideológico de Flávio Bolsonaro ganha destaque. Em 2017, o parlamentar lançou o livro “Mito ou Verdade: Jair Messias Bolsonaro”, publicado pela Editora Altadena. A obra de 200 páginas, que serviu como peça de propaganda para a projeção nacional de seu pai antes da eleição presidencial de 2018 e inspirou o polêmico filme “Dark Horse”, reúne posicionamentos extremistas e controversos.

No texto, Flávio Bolsonaro defende o massacre do Carandiru, ocorrido em 1992 com o assassinato brutal de 111 detentos pela Polícia Militar de São Paulo, classificando o episódio como “legítima defesa”. Além disso, o livro nega a ocorrência do golpe militar de 1964, tece elogios ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra — reconhecido pela Justiça como torturador do regime ditatorial — e levanta dúvidas sem provas sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas.

A postura adotada pelo senador no confronto televisivo reflete a linha ideológica presente na biografia do pai, aponta Tom Farias. As propostas atuais de Flávio Bolsonaro concentram-se no endurecimento de punições para roubo de celulares e violência doméstica, redução da maioridade penal — atingindo jovens a partir de 14 anos — e suposto combate à corrupção. Do outro lado, o presidente Lula defende como solução nacional a criação do Ministério da Segurança Pública e o foco em inteligência e integração entre forças de segurança.

A facilidade com que soluções simplistas são apresentadas ao eleitorado evoca episódios marcantes da história política brasileira, lembra o colunista. Nas eleições para o governo do Rio de Janeiro em 1986, Moreira Franco, candidato pelo PMDB, venceu Darcy Ribeiro, do PDT, ao prometer acabar com a violência no estado no prazo de apenas seis meses, embalado pelo jingle interpretado por Dona Ivone Lara.

O resultado da promessa irrealizável foi o fracasso da gestão de segurança pública. Anos depois, ao lançar o livro “Em Defesa do Rio”, em 1991, Moreira Franco admitiu o erro da meta estabelecida, transferindo parte da responsabilidade à própria população fluminense por não se organizar para enfrentar o problema.

Fonte: Brasil 247

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